Facebook Popup Widget



   Artigos

 Dicas de Poker no facebook Dicas de Poker no Twitter Clube Dicas de Poker

26/09/2007


A lenda da Dead Man's Hand
(por George de Queiroz)


O leitor desta coluna certamente já ouviu falar da Dead Man's Hand, ou Mão do Homem Morto. Consiste na mão formada por pares de A8. A origem da Dead Man's Hand remonta ao Velho Oeste, quando em 2 de agosto de 1876, Bill Hickok foi assassinado durante uma partida de poker, e tinha na mão justamente dois pares de A8. A quinta carta ainda hoje é controversa, ora figurando como 5 ora como 9 de ouros.

Sim, pois a Dead Man's Hand faz parte da cultura do poker. Há referências dela no cinema, na música (Rambling, Gambling Willie, do Bob Dylan, por exemplo) e até mesmo nos quadrinhos europeus, como em Lucky Luke de Goscinny e em Blueberry dos gênios Charlier e Moebius.

Mas, o que Hickok teve de tão importante a ponto de se batizar uma mão com esse nome, graças a sua morte, deve perguntar o incauto leitor. É o que nossa reportagem procura elucidar nessa coluna. De fato, Hickok não era um jogador muito melhor do que a média dos jogadores da época. Na verdade, inicialmente ele tinha fama de jogador afoito, impulsivo, e um adversário só um pouco perspicaz poderia vencê-lo facilmente, graças a esse defeito. Entretanto, depois de um tempo ninguém se atrevia a levar suas fichas, pois Bill Hickiok além da reputação já citada tinha outra muito pior: se dizia afiliado do coisa-ruim. E mais: dizia-se dele que já havia morrido, oportunidade em que foi batizado pelo tinhoso e voltou à vida logo depois.

Antes que o apavorado leitor saia à procura do Padre Quevedo para afirmar que isso non ecxiste, passemos às evidências históricas de nossa pesquisa.

Como já foi dito, Hickok inicialmente era conhecido como um mau jogador. Em certa oportunidade foi flagrado com dois ases na manga do paletó. Como na época trapaça se pagava à bala, tomou do croupier um tiro no peito. Foi dado como morto, mas recuperou-se milagrosamente. Dessa ocasião surgiu a lenda do batismo feito pelo "lá-de-baixo". Não se sabe em que circunstâncias isso se deu, mas o fato é que a cura repentina e a nova habilidade no poker deixou todos desconfiados.

Dizem que a primeira partida que ganhou depois da recuperação, o fez com uma trinca de seis.

Logo a fama de Bill Hickok se espalhou pelo Velho Oeste e surgiram desafiantes de todos os locais, que nunca o conseguiam vencer. Seu aspecto moribundo e sombrio causava medo em seus desafiantes, especialmente quando Hickok dizia com sua voz cavernosa: - Raaaaaaiiiiise! - e depositava suas fichas no pote.

Mas todo contrato tem lá suas letras miúdas. O termo final da sorte de Hickok já estava assinalado: seria em um mês de agosto, no dia em que recebesse uma mão de A e 8.

Especula-se a razão de serem justamente essas cartas. A assessoria em numerologia e artes místicas da Card Player Brasil afirmou que deve ser pelo fato do Ás representar tanto o início como o fim numa seqüência de cartas e do 8 ser o símbolo do infinito. O fato é que, ao receber as cartas, Bill viu em sua mão dois pares de A8 (não, eles não jogavam em Hold'em) e se desesperou.

- Er, eu saio! - e baixou suas cartas.

Nova rodada, e outra vez, Hickok recebeu a mesma mão.

- Estou fora! - baixando-a novamente.

Tantas desistências seguidas com a mesma mão causaram desconfiança nos demais jogadores. Parecia evidente que Hickok estava trapaceando. E como já foi acima, trapaça se pagava à vista e à bala. Quando viram pela quarta vez que Hickok trazia A8 nas mãos, algum enfezado levantou-se e BLAM! - acabou-se a carreira de sucesso de Bill Hickok:

- Ui, morri! - disse, sem largar as malditas cartas.

A partir daí, a história da mão do homem morto espalhou-se como notícias sobre a Paris Hilton. Todos os jogadores que recebiam essa mão a viam com desconfiança, não gastando muito de suas fichas nela. A maioria, porém, entende esta história como um mero folclore do poker.

Não obstante, nossa reportagem averiguou que a crença de uma maldição da Dead Man's Hand ainda persiste. Há relatos de pessoas famosas que morreram durante uma partida de poker, ou logo depois de abandoná-las. Dizem de um ex-presidente do Brasil, há décadas falecido, que suas palavras ao se despedir de uma mesa de poker foram: "saio na mesa para entrar para história!". Encontraram-no morto em seu quarto. Era um mês de agosto. E adivinhem qual era a sua última mão no jogo?


Artigo de George de Queiroz, publicado na Revista Card Player Brasil de Agosto/2007, na Seção "Humor do Baralho".



Gostou do artigo? Deixe seu comentário e compartilhe com seus amigos.