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29/05/2008


Dicas sobre Omaha - Parte I
(por Igor Federal)


Uma pequena introdução sobre esta modalidade que gera muita ação à mesa.


Muitos foram os pedidos para que eu escrevesse um pouco sobre Omaha na revista Flop. Mas a primeira coisa que pensei foi como iria escrever sobre um tema tão profundo e tão complexo num único artigo. Simplesmente impossível.

O Omaha é um jogo muito mais complexo, cheio de nuances, de variações e de possibilidades matemáticas e estatísticas do que o Texas. Por quê? Porque com quatro cartas na sua mão (das quais você é obrigado a usar duas) as suas combinações e possibilidades de jogo e draws aumentam exponencialmente; e conseqüentemente aumentam da mesma forma as chances de jogo e de draws de seus adversários. Com isso, o jogo se torna definitivamente mais complexo, com muito mais jogadores envolvidos em cada mão, com muito mais possibilidades para cada jogador envolvido e, por fim, violentamente mais agressivo.

E mais, no Texas a variação de No Limit é a esmagadoramente mais jogada do mundo – joga-se muito pouco o Pot Limit ou o Limit, se comparado ao No Limit; e nem se cogita uma versão Hi/Lo para o Texas. Já no Omaha, a versão Pot Limit é a que tem mais força, mas se joga o Limit com bastante freqüência e o jogo Hi/Lo tem inúmeros adeptos – tanto na versão Pot Limit Hi/Lo, como na Limit Hi/Lo.

Portanto, escrever sobre Omaha seria muito mais extenso do que escrever sobre o NL Texas. Como fazer isso em um artigo? Escreverei sobre uma mão bastante didática de Omaha. Caso os pedidos e a repercussão sejam positivos, então escreverei muito mais sobre o tema.

Darei informações básicas sobre como jogar essa modalidade, intercaladas com dicas um pouco mais avançadas, que ora poderão introduzir os iniciantes e ora poderão ajudar jogadores mais evoluídos a se desenvolver.



UMA MÃO EXEMPLAR

Em cash games de Omaha, a versão mais utilizada é o Pot Limit. Pot Limit Omaha é um jogo eminentemente de draws e de odds. Se um pote se fizer grande, pode ter certeza de que, em 9 a cada 10 vezes, é porque alguém está nuts e outro (ou outros) estão pagando as apostas num forte draw.

Raros serão os potes gigantescos em que um jogador estará com dois pares e o outro estará com top pair – normalmente isso acontecerá somente entre "patos" (fish, na linguagem internacional do poker); e fazer uma anotação de um pato desses tem um valor financeiro futuro bastante interessante – um jogador desses perderá muito dinheiro no médio prazo. Em potes menores, isso até pode acontecer com certa freqüência, mas é quase impossível que isso aconteça em um pote de raisese re-raises até o limite do pote.

Bom, tirando essas situações de exceção, os potes realmente grandes virão normalmente. Neste primeiro artigo, me aterei a um único exemplo que representará situações cotidianas e contumazes na vida de um jogador de Omaha.

Exemplo:

O jogador tem Q Q 3 5 e ele é o último a falar na mão. Cinco jogadores vão jogar esta mão com limp (ou pagando um raise pequeno pré-flop).

Board:Q 10 4 – você trincou a dama e está nuts até o momento.

A mesa roda em check e você aposta o pote – o máximo que pode ser apostado nesse momento, na modalidade Pot Limit. Dois jogadores dão fold e outros dois simplesmente pagam a sua aposta. A grande pergunta é: O que deve estar acontecendo? Dificilmente alguém está trincado no T ou no 4, pois senão ele teria feito uma aposta antes de você (ou lhe daria reraise). Ambos estão lhe pagando num draw, saiba disso.

As possibilidades mais prováveis são: alguém tem KJ ou J9 (num open ended straight draw – o famoso, esperando duas pontas para seqüência) ou flush draw (esperando mais uma carta de ouros para fazer o flush), ou fez dois pares, de QT, T4 ou Q4 (esperando uma carta dele dobrar na mesa para fazer o full house). Você não sabe exatamente qual dessas circunstâncias está acontecendo nesse momento, mas sabe que cada um desses dois jogadores, que pagaram sua aposta, tem seguramente uma dessas mãos citadas.

Sem contar que Omaha é um jogo de quatro cartas, então um deles pode ter 89JK e tem 16 outs para acertar o straight. Um jogador nesse caso pagará qualquer aposta sua para ver o turn, pois o draw dele é muito forte.

Imaginemos três possíveis turns após essas situações apresentadas.


Turn:
4 – ótimo, você acertou um full house e sua mão, provavelmente, se fez vencedora até o fim. Só está perdendo até o momento para uma eventual e improvável quadra de 4. Os dois jogadores dão check. É hora de extrair fichas!

Vá com calma. Tente, através da leitura de seus oponentes, saber como você deve agir para obter o maior ganho possível nessa mão; esse é o seu maior objetivo no momento. Então:

1- Se você acha que seu adversário se irrita ao tomar apostas do limite do pote ou é um calling station, vá novamente até o limite do pote para tentar passar a impressão de que não está nuts (dificilmente alguém nuts iria apostar o limite do pote). Se você apostar até o limite do pote estará dissimulando sua excelente mão; essa ação não deixa de ser uma estratégia interessante. Se você apostar o pote (ou muito próximo disso), e ambos derem fold; paciência. Eles estavam num draw que não entrou e não querem continuar pagando nessas circunstâncias.

2- Se você acha que eles podem ser fisgados por um slow play, então dê check no turn, simulando que não gostou desse 4 dobrado na mesa. Não faça value bet nesse momento (uma apostinha pequena para garantir mais um "ganhozinho" nessa mão). Deixe o value bet para o river, se for o caso. Se você der check no turn e eles continuarem dando check no river, tente um value bet ou tente apostar o pote simulando que está querendo "comprar" o pote – já que ninguém está demonstrando interesse. Talvez você seja pago por dois pares de Q e T ou por mãos médias de outra natureza, que não acreditarão no seu full house, em detrimento do seu check no turn.

Em suma, sua função é extrair a maior quantidade de fichas dos adversários e a melhor estratégia para isso depende muito da sua leitura de seus adversários e da sua imagem na mesa até aquele momento. Concentre-se na sua função e faça o seu melhor.


Turn: 6 – nada mudou. Chamamos isso de "jacaré" (uma carta que não muda em nada o quadro anterior). Bom, você continua nuts e seus adversários não acertaram seus draws. É hora de levar o pote para casa imediatamente ou fazer custar bastante caro para seus adversários acertarem seus draws.

Os dois dão check. Lembre-se de que se um deles estiver flush draw e o outro straight draw, eles têm 9 outs para o flush e entre 8 a 16 outs para o straight. É hora de ganhar o pote ali, pois os draws deles são bastante prováveis no river. Você deve apostar acima de 3/4 do pote. Eu apostaria o pote todo.

Você aposta o pote e ambos pagam. Isso significa que eles não vão "largar o osso" de seus draws. OK, você fez sua parte; agora é torcer para que a matemática faça a dela e lhe dê a vitória em mais de 60% das vezes. Por mais que você perca nessa, seus resultados serão positivos ao longo do tempo.


Turn: se trouxer um 9, um J, um A ou mais uma carta de ouros, saiba que estará batido em mais de 90% das vezes, com dois jogadores pagando como pagaram. Se alguém vier apostando o limite do pote, é hora de saber "largar o osso". Por mais que ele esteja lhe roubando, pela oportunidade gerada pela textura do board e de como a mão se desenrolou, os elementos desta jogada não lhe propiciam condições de pagar a aposta dele e ver isso. Acredite na aposta de seu adversário e espere uma melhor oportunidade.


Estendi-me no exemplo dessa mão, pois ela reflete toda a base do jogo de Omaha – um jogo de draws, de outs, de pot odds, de cálculos matemáticos, de leitura do desenrolar da mão e de muita paciência e controle. Nos próximos artigos começarei com as dicas.


Artigo de Igor Federal, publicado na Revista Flop de Outubro/2007.




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