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14/06/2008


Dicas sobre Omaha - Parte II
(por Igor Federal)


Continuamos falando dessa modalidade que gera tanta ação nas mesas de poker.


Agora que vocês estão mais familiarizados com os conceitos principais de PL Omaha, seguem algumas dicas para que possam aperfeiçoar seu jogo:



CUIDADO COM DRAWS RUINS

O que é um draw ruim? É aquele em que, mesmo se seu jogo entrar, não te deixa seguro. Você tem 4567. O flop vem 389. Você tem um straight draw, mas se bater um 5 – tudo bem – você estará nuts. Usará o 6 e o 7 da sua mão e fará um nut straight 56789. Se bater um 6, um 7 ou um T, você acertou seu straight, mas existem possíveis seqüências maiores que a sua.

Por que pagar por um draw quando, mesmo que ele entre, você não sabe se estará ganhando a mão? Largue draws ruins em casos de raise e reraise na mesa. Mesmo se você acertar seu jogo, não saberá exatamente como está nessa mão.

Flush draws em Q, ou menor, é outro exemplo de draw ruim. Em Texas Hold'em eles têm bastante valor, mas em Omaha você deve largá-los.

É nos draws ruins que você tende a perder muito dinheiro, pois quando eles não vêm, você perde. E quando eles vêm, você também pode – ainda assim – perder dinheiro. Então por que pagar para ver uma próxima carta numa situação dessas?



CUIDADO COM CARTAS DESPRETENSIOSAS DOS ADVERSÁRIOS

Você entra de raise pré-flop com KKQT e seu adversário te acompanha com QQA3 – suited em paus no A. É claro que ele te pagou pelo QQ, para acertar um A no flop, para tentar seguir no AQ ou para acertar o flush dele no A. Isso é óbvio. Ele não tem qualquer pretensão séria com aquele 3 dele.

Mas o flop vem 33T. A princípio foi um excelente flop para você, pois você não imagina a chance dele ter entrado na mão com um 3. Você deu um bom raise pré-flop; o que ele estaria fazendo ali com um 3, não é?

Ele não foi para a mão por causa do 3, mas não quer dizer que ele nunca possa ter um 3. Ele acaba de acertar sua carta despretensiosa. Cuidado com isso. Lembre-se de que seus adversários muitas vezes estarão na mão contando primariamente com três de suas quatro cartas, mas aquela carta despretensiosa pode muitas vezes ser decisiva para vencer uma mão. Welcome to Omaha!



AA, KK E QQ

AAxx em Omaha é uma boa mão, mas não a jogue como se fosse AA em Texas. Um par só tem real valor se trincar no flop. No heads-up de Omaha, o AAxx tem bastante força, mas se estiver jogando em mesa cheia contra dois ou mais adversários em uma mão, nunca parta do princípio de que seu overpair está ganhando.

Essas mãos tornam-se fortíssimas se bem acompanhadas, por exemplo: AAKQ, KKQT, QQAK double suited. Daí sim você tem um monstro pré-flop. Suba pré-flop com essas mãos, sempre. Mas não se esqueça que, ao contrário do Texas, em um flop com 568, você deve jogar esse monstro no lixo.

Uma observação importante: essas mãos crescem muito de valor em fases avançadas de torneios de Omaha, quando os blinds estão altos e vale a pena arriscar tudo com uma mão dessas. Mas, em cash game, tome muito cuidado com essas mãos. Você vai ser obrigado a jogar o jogo pós-flop.



CARTAS SEQÜENCIAIS NA MÃO

Sair com 5678 ou 9TJQ é um excelente jogo pré-flop. Dê raise com essas mãos. Cartas aproximadamente conectadas também são muito boas: 4578, 6788 ou 9TJK. Todas essas mãos são excelentes para dar raise pré-flop se vários jogadores entrarem de limp. E valem um call seguro se alguém já tiver entrado de raise. Daí para a frente, a textura do flop é que vai determinar a seqüência e o desenrolar da mão.



DOIS PARES PRÉ-FLOP

Uma mão tipo 6644 é uma boa mão para ver um flop barato, já que você tem duas chances de trinca e uma seqüência eventual. Em casos como este, você acertará sua trinca (de 6 ou de 4) a cada quatro flops. É uma boa margem para se arriscar a ver um flop barato. Um flop 69J lhe deixará provavelmente na frente, mas cuidado com trincas maiores que a sua; em Omaha elas acontecem com bastante freqüência.

Se você não tiver bastante experiência de jogo, você deve evitar essas mãos, pois nunca saberá quando elas estão te deixando na frente e quando elas estão absolutamente batidas. Vou repetir: Jogadores iniciantes não devem jogar essas mãos!

Se os dois pares forem tipo KKQQ, daí é melhor, pois se você acertar seu set, provavelmente estará nuts. Será bem mais fácil saber quando está batido.



BUSQUE MÚLTIPLOS DRAWS

Múltiplos draws são o nirvana em Omaha. É o objetivo de qualquer jogador. Você está com AKT9, suited em paus no A e suited em copas no K. O flop vem: QJ3, sendo duas cartas de paus e uma de copas.

Êxtase! Você não tem absolutamente nada, mas seu draw é tão bom que está favorito em 60% x 40%, mesmo que seu adversário esteja trincado na dama. Você está straight draw (16 outs) e flush draw (mais 6 outs nesse caso). Ao todo você tem 23 outs, se contarmos o backdoor flush em copas como mais uma out.

Um bom draw é interessante; múltiplos draws são o segredo. Cuidado com múltiplos draws ruins, tipo 5678 com duas de copas. O flop vem: 9TA com duas de copas. Você tem straight draw e flush draw, mas seu flush draw é no 8 e seu straight draw é para baixo. Tudo muda de figura. Sua mão é ruim. Larguea em caso de apostas pesadas.



DOIS PARES NO FLOP!

Pelo amor de Deus, cuidado com jogos dessa natureza em Omaha. Com três ou mais jogadores envolvidos na mão: top pair não é nada, dois pares são muito pouco. Se ninguém apostar na mão, você pode sair apostando o pote todo. Torça para a mão acabar ali. Se houver raises e re-raises, largue sem muita lamentação.

De trinca para cima é que se começa a pagar raises e re-raises em Omaha. E, dependendo de já ter um flush ou straight formado no board, nem nesse caso. Omaha é um jogo de straights, fulls e flushes. Saiba que é de trinca para cima que começa o movimento pesado em Omaha.

Se estiver em heads-up (ou seja, envolvido especificamente naquela mão com somente um outro jogador), dois pares começam a ser bastante interessantes.



POSIÇÃO EM OMAHA

Posição em Omaha vale muito (vale um pouco menos do que no Texas, mas ainda vale bastante). Em Texas, a posição vale um pouco mais, porque é mais difícil alguém acertar o flop – afinal de contas, cada jogador só tem duas cartas na mão. Então, uma boa posição vale muito para "comprar" um pote quando a mesa roda em fold.

Em Omaha, com cada jogador segurando quatro cartas, dificilmente alguém não vai ter acertado nada no flop, ou pelo menos não vai estar com um algum draw; portanto, "comprar" o pote fica mais difícil.

Mesmo assim, a posição é sempre muito importante, pois ser o último a falar na mão é uma vantagem considerável, sempre. Boa posição em Omaha favorece muito para escapar de confusões grandes quando você está com a pior mão, para extrair mais fichas quando você está com a mão vencedora e até para um eventual blefe.



BLEFE EM OMAHA

Blefe em Omaha é bem mais raro do que no Texas, e deve ser feito em boa posição e ótima leitura da mesa.

Exemplo 1: Quatro jogadores envolvidos em uma mão. Abriram três cartas de espadas na mesa e a mesa correu em check. Você não tem o flush, mas parece que ninguém também o tem. Hora de testar a mesa. Tente um blefe. Aceite re-raise e largue o osso, mesmo que seu adversário esteja te roubando. Ele jogou bem e te custará muito não acreditar na aposta dele.

Exemplo 2: Você foi com 4568. O flop vem 27Q rainbow. A mesa correu em check ... ficha! O board favorece isso. Não tem straight draw, não tem flush draw... é perfeito para tentar um blefe. Se tomar re-raise, aceite novamente; ele pode até estar te roubando, mas você não tem nada. Tentou blefar, não conseguiu e tem que aceitar naturalmente esse fato.

Exemplo 3: sua mão é 79TQ, sem nada de paus. O board vem: 68K com duas cartas de paus. Um jogador aposta e você paga. Ele saberá que você está draw em algo. No caso é straight draw, mas seu oponente não sabe qual é o seu draw. Turn: 2 de paus. O jogador dá check e você mete ficha, como se seu flush tivesse entrado. Ele sabe que você pagou porque estava draw em alguma coisa. Você estava straight draw, mas poderia muito bem estar flush draw, seu adversário não sabe o que você tem. Perfeito para blefar. Aceite re-raise sempre, em blefes. Não acabe com suas fichas em um blefe, principalmente em cash game.

Blefe raramente em Omaha. Normalmente você vai encontrar pagadores. Tome muito cuidado, sempre, com blefes em Omaha: eles exigem muito mais habilidade, senso de oportunidade e percepção de momento do que no Texas.



SAIBA LARGAR UMA MÃO PERDEDORA

Em Omaha é preciso capacidade para dar laydown em uma mão que parece estar vencida por seu adversário. Em qualquer jogo de poker isso é fundamental, mas em Omaha você terá que fazer isso com uma freqüência quase que insuportável.



SLOW PLAY

Dê slow play em Omaha apenas em dois casos principais:

- Quando você estiver completamente nuts e nada (ou muito pouco) irá mudar essa situação. Ter QQ na mão e o board vir Q44 é um exemplo de possível slow play. Somente uma quadra de 4 estará te batendo ou se vier A ou K e um dos seus adversários tiver AA ou KK em sua mão – fazendo um full ainda maior que o seu. São situações pouquíssimo prováveis e um slow play pode ser tentado nessa hora; se for estrategicamente conveniente.

- Quando você acertou o nuts (ou uma mão muito forte e está convicto de que sua mão é a melhor da mesa nesse momento), é o primeiro a falar e tem certeza de que o seu adversário irá fazer uma aposta. Neste caso, pode ser tentado um check-raise e o slow play é viável.

Poderia escrever sobre cada um destes temas de forma mais abrangente e dar inúmeros exemplos ilustrativos de cada uma destas situações. Mas isso poderia ser tema de um livro inteiro, o que não é o propósito de um artigo. Com base nestas dicas e informações, acredito que um jogador iniciante ou mediano de Omaha terá uma série de artifícios para desenvolver eincrementar seu jogo.


Artigo de Igor Federal, publicado na Revista Flop de Janeiro/2008.




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