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13/09/2008


Jogando para ganhar
(por Full Tilt Team)


Dicas para se dar bem em um evento de longa duração, contra muitos jogadores.


Isto já foi dito muitas vezes, mas é um conceito que merece ser repetido: quando falamos de torneios de poker, não existe uma só estratégia que irá ajudá-lo a vencer. Claro que isso não quer dizer que não existam alguns conceitos fundamentais que você deva entender, que podem ajudá-lo a se tornar um jogador mais forte.

Esses conceitos existem, mas o que separa os maiores jogadores do mundo dos outros competidores são suas habilidades de pegar esses conceitos e aplicá-los sobre a tarefa – ou mesa – à sua frente. Com isso em mente, nós pedimos ao Team Full Tilt, e a alguns de seus profissionais, para criar um guia, que todos vocês poderão usar na próxima vez em que entrarem em um grande torneio, como o Main Event da World Series of Poker.



Início de torneio

Os profissionais lhe dirão que uma das chaves para sobreviver aos primeiros níveis de um torneio é encontrar um equilíbrio entre agressividade e paciência. Em resumo, seja seletivo na escolha das mãos que jogar, e daí jogue-as com força.

Chris Ferguson acredita que um dos maiores erros cometidos por muitos amadores no início desses torneios é jogar muitas mãos por muitas de suas fichas. A estratégia preferida de Chris é jogar mãos fortes em posição, e daí aplicar o máximo de pressão possível em seu oponente, para assim levar o pote.

O seu colega Howard Lederer concorda, e diz que muitos jogadores desacostumados com fields desse tamanho acham que devem compensar e jogam muito agressivamente no início. "Se você conseguir tomar boas decisões contra seus adversários, terá a oportunidade de acumular fichas e sobreviver, ao passo em que o field começa a desmoronar", ele diz.

Mas o que são "boas decisões"? De acordo com Phil Gordon, uma das melhores decisões é prevenir que seus adversários vejam flops baratos com cartas medíocres. No caso de Phil, isso significa aumentar a aposta toda vez que ele abre uma mão.

Phil, que assim como Chris e Howard prefere jogar premium hands, diz que uma das chaves de sua estratégia é definir o tamanho de seus raises conforme sua posição, em vez de se basear na qualidade de suas duas cartas, pois é um modo mais efetivo de disfarçar sua mão de um adversário habilidoso. Em early position, Phil recomenda aumentar em 2,5 vezes o big blind. Conforme sua posição roda na mesa, ele sugere que aumente o seu raise até chegar a 4 vezes o big blind, quando você estiver no botão.

Enquanto alguns profissionais se limitam jogando só as premium hands no início de um evento, outros, como Gavin Smith, Erick Lindgren e Gus Hansen – o campeão do Main Event do Aussie Millions 2007 – preferem uma abordagem diferente. Esses três profissionais vencedores advogam uma estratégia de potes pequenos, em que jogam uma grande variedade de mãos – normalmente em posição.

Essa não é uma estratégia para todo mundo, mas Erick acredita que ela proporciona uma boa forma de se focar no jogo e nos estilos dos seus adversários. Gavin acredita que essa estratégia proporciona outra vantagem, pois "ninguém me coloca com uma boa mão pré-flop, então, quando eu recebo um AA ou KK, a minha mão está muito bem disfarçada".

Não importa qual estilo você escolha, lembre-se de que o seu objetivo principal é vencer o torneio, o que irá requerer que você faça ajustes à medida que os níveis vão subindo.



Meio de torneio

Se um torneio é como uma maratona, então as fases no meio do torneio são onde você se encaixa no ritmo de preparação para depois chegar ao sprint final. Para muitos profissionais, isso significa fazer pequenos ajustes constantes, a fim de compensar o aumento dos níveis de blinds e as mesas mais curtas.

Um conselho muito importante que todos os profissionais concordam – especialmente nos estágios de meio de torneio – é não entrar em potes grandes sem mãos grandes. "Você está feliz o suficiente para colocar todo o seu dinheiro all in pré-flop com um AA", explica Gavin. Além disso, ele sugere que você evite comprometer muitas fichas quando não tem nada além de um par. Ao manter o pote pequeno, diz Gavin Smith, você pode largar uma mão sem que ela tenha te custado muito, se você suspeita que está perdendo.

Greg Mueller concorda que ter somente um par – especialmente pares pequenos de mão – pode resultar em desastre durante um torneio. Greg conta que ele dá fold em pares medianos, como 99, muito comumente em uma mesa cheia, nos estágios de meio de torneio, devido às duras decisões que esses pares podem te trazer em um flop em que a maior carta é um valete, por exemplo. "Em um cash game, eu daria check e call, ou até possivelmente um checkraise, tentando descobrir se meu 99 era bom", ele conta. "Entretanto, em um torneio, isso é muito mais perigoso, pois você tem que tomar cuidado com o número de fichas que usa para colher essa informação."

"A maioria dos bons jogadores tende a ser cautelosa em mesas cheias", explica Howard Lederer. "Eles não vão se ver em dificuldades com mãos especulativas, como um par mediano de mão." Conforme as mesas vão ficando mais curtas, Howard diz que os profissionais começam a jogar essas mãos com muito mais agressividade, enquanto os valores de blinds aumentam. Gus Hansen concorda, e acrescenta que ele está muito mais disposto a se arriscar com um par quando os blinds e antes se tornam mais valiosos. "Mais tarde em um evento, é muito provável que eu não tenha escolha e deva comprometer todas as minhas fichas no pote se eu tiver um AK e acerto um K no flop," ele conta.



Final de torneio

Com a bolha se aproximando, muitos amadores começam a jogar de forma tight, para que consigam chegar na faixa de premiação. Os profissionais, ao contrário, aconselham uma abordagem diferente.

"Não é apenas incorreto jogar de forma mais segura quando restam dois ou três jogadores para chegar à premiação", conta Chris Ferguson, "e, jogando dessa maneira, é a melhor forma de você terminar na bolha ou muito próximo dela". O conselho dele? "Jogue o seu melhor e mais agressivo jogo, e tente não deixar com que seu stack diminua até o ponto em que você não consiga defender a sua mão com um raise all in."

Enquanto o seu objetivo principal nos estágios finais de um torneio é se colocar na melhor posição para poder vencê-lo, Paul Sexton acredita que existem momentos em que apenas chegar in the money é uma recompensa suficiente. Em torneios, conta Paul, "o maior salto em dinheiro, fora conseguir chegar à mesa final, é entrar na faixa de premiação". Por isso, ele acredita que, às vezes, pode ser correto largar mãos, que até costuma jogar, na hora em que a bolha se aproxima, especialmente se está com poucas fichas. Você pode estar sacrificando suas chances de vencer, ao seguir este conselho – Paul concorda –, mas, para muitos jogadores, dar fold e receber um prêmio é muito melhor do que jogar e cair fora.

Assim que a bolha estoura, o torneio começa "de verdade" para alguns jogadores. Novamente, os conselhos dos profissionais são para jogar de forma inteligente e agressiva, já que muitos shortstacks irão cair rapidamente assim que entram "no dinheiro". Escolha os momentos com sabedoria e procure encontrar as melhores oportunidades para crescer a sua pilha de fichas até chegar à mesa final.

Vencer um torneio importante como o Main Event da World Series of Poker não acontece muito facilmente. É preciso uma combinação de fatores, incluindo estratégia, paciência e até um pouco de sorte. Ao se concentrar e focar nos aspectos do jogo que pode controlar – selecionar boas mãos para jogar, tomar decisões inteligentes pós-flop e jogar suas grandes mãos agressivamente –, você se coloca na melhor posição para chegar no final e até pode ter uma chance de sair de lá com o grande e cobiçado título de campeão.


Artigo do Full Tilt Team, publicado na Revista Flop de Abril/2008.




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