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08/10/2008


Não seja um jogador "mediano"
(por Gus Hansen)


Isso pode soar como um choque, mas não sou um grande fã das verdade e normas preestabelecidas, nem do pensamento convencional. Uma coisa não tem maior credibilidade apenas por ter sido repetida à exaustão durante anos e anos.

Apostadores são certamente tão convencionais quanto a maioria das pessoas — ou talvez ainda mais. A importância quase religiosa da "posição", o cobiçado "gap" e as constantes discussões sobre "average" durante um torneio são exemplos de tópicos que raramente são questionados e geralmente repetidos com aquela postura "conforme se sabe...". Eu irei tratar da posição e de outros conceitos vistos com demasiado respeito em colunas futuras, porém, nesta, abordarei brevemente o conceito de "average", a famosa "média de fichas".



Average

Quando perguntada a respeito de como as coisas estão indo em um torneio, a maioria dos jogadores se sente obrigada a informar se seu estoque de fichas está abaixo ou acima do average. Eu conheci muitos jogadores novatos que olham para seus stacks e comparam com o montante médio de fichas de seus oponentes, como medida de quão bem eles estão jogando ou como um fator a se ponderar na tomada de decisões futuras na mesa. Na prática, o conceito de average não tem nenhuma relevância, devendo ser descartado antes que comece a influenciar seu jogo. É óbvio que, se você começar a questionar suas ações apenas porque tem menos fichas do que seus adversários na mesa, não irá ganhar muitos torneios.

Um grande torneio ao vivo geralmente dura quatro ou cinco dias, e você enfrenta cerca de 500 oponentes. De que modo o mero fato de você ter acumulado 26.000 em fichas no começo do primeiro dia e, portanto, estar um pouco acima da média, lhe traz algum benefício ou exerce influência em seu jogo? Ou, de modo inverso, se seu estoque sofreu uma fatiada e baixou para 9.000 de seus 20.000 iniciais no começo do nível 50-100, e você estiver, de certo modo, abaixo da média? Alguém pode responder? Basta tomar como exemplo o WPT Championship. Geralmente, começamos com 50.000 em fichas e, para ganhar, é preciso acumular mais de 30 milhões. Existe motivo para se empolgar quando você consegue ficar acima da média com um estoque de 220.000 na metade do segundo dia, além do fato de você ter durado tanto?



NdRAdQ

A questão é: torneios de poker são bastante voláteis. Você precisa jogar e se envolver em mãos. Precisa enfrentar tudo com coragem, especialmente à medida que os blinds e antes sobem e você precisa esquecer tudo sobre average. O que realmente importa não é seu desempenho em comparação à multidão, mas qual o tamanho do seu stack quando comparado aos blinds e antes, ou seja, ao NdV (Número de Voltas), ou o M, ou simplesmente NdRAdQ (Número de Rodadas Antes de Quebrar)! Se os blinds são de 600-1.200, o ante é de 100, e você tem apenas 8.000 restantes, chegou a hora de entrar de all-in, mas se os blinds são de 25-50, você está em situação confortável mesmo que seu estoque esteja abaixo da média! Não me entenda mal, não estou dizendo que o tamanho dos estoques de seus oponentes na mesa não importa! Você deve sempre estar ciente de todos os números cruciais de sua mesa, de modo a poder calcular pot odds, prever as ações de seus adversários, etc. Apenas não se distraia com o que está acontecendo fora da sua mesa. Permaneça concentrado na tomada de decisões corretas e mantenha o otimismo, mesmo que seu estoque não esteja crescendo conforme o esperado. E, o mais importante — lembre-se de desafiar a sabedoria convencional do poker.



Série Mundial de Gamão

De volta ao mundo real. Desde minha última coluna, eu tenho reencontrado minhas raízes de apostador jogando e trabalhando como comentarista na Série Mundial de Gamão (World Series of Backgammon). Não apenas é muito divertido jogar, assistir e criticar abertamente meus colegas de gamão, como isso também me ajuda a afiar minha mente analítica e a me manter em forma para mais batalhas no feltro e no tabuleiro.

Se alguns de vocês, gênios do poker, quiserem um novo desafio como "hobby", eu recomendo trocar seu PlayStation por um tabuleiro, dados ou damas por um período. Em circunstâncias normais, eu até incluiria aqui alguns conselhos sobre "como jogar", mas — se você leu essa coluna até aqui, saberia o que fazer com esse tipo de conselho...


Artigo de Gus Hansen, publicado na revista Card Player Brasil de Maio/2008.




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