|
15/01/2009
Como ser um Bully
(por Gus
Hansen)
Muitos
jogadores entendem os conceitos envolvidos em construir um grande
estoque de fichas durante um torneio. O que eles não
entendem, entretanto, é como usar as suas fichas
efetivamente quando as conseguem. Quando acumulam muitas fichas, muitos
jogadores querem controlar a ação, mas eles
não pensam o suficiente em como assumir o controle da mesa.
Quando eu sou o big stack num torneio,
ser um bully (jogador agressivo que dá muitos raises
forçando os outros a largarem as suas mãos)
é quase sempre a minha primeira
consideração. Eu quero eliminar jogadores,
continuar construindo o meu stack, e evitar
situações perigosas. Se eu consigo criar um
cenário onde sou o capitão da mesa –
onde eu determino o tamanho dos potes – o resto da
ação se torna mais fácil. Eu posso
frequentemente roubar os blinds e antes, e se alguém
dá um re-raise, é bem fácil
colocá-lo numa mão, pois eu sei que ele
só pode voltar em mim com mãos realmente fortes.
Um dos primeiros passos para se tornar
um "big stack bully" eficiente é ficar atento aos
seus oponentes e ao tamanhos dos seus stacks. Não deixe os
short stacks entrarem all-in facilmente com qualquer ás. Se
você dá raise com uma mão tipo 98s e um
short stack volta all-in, então você acabou de
criar um situação ruim. Mesmo que você
tenha odds para dar call, você não quer dobrar
ninguém em fichas.
Você também
precisa reconhecer aqueles jogadores que não
enfrentarão um bully ou aqueles que apenas estão
tentando sobreviver para ganhar algum dinheiro, mas estão
com tão poucas fichas que a única
saída e ir all-in. Em algum momento, todo jogador chega ao
seu limite. Você deve estar ciente desse momento para
não dar fichas de graça a quem está
pronto para te enfrentar all-in, colocando você numa
situação ruim.
Às vezes, ser um bully
significa que você terá que dar calls marginais
mesmo quando não quer. Por exemplo, se eu sinto que o short
stack está indo all-in com qualquer ás,
às vezes eu faço um gamble, mesmo sabendo que
estou atrás dele antes do flop. Se estou com alguma coisa
tipo KQs, tentarei tirar o jogador do torneio. Jogarei basicamente com
qualquer coisa até K8s, pois se ele tem alguma coisa como 66
ou um ás fraco, é uma escolha com a qual eu posso
viver.
Claro, ser um bully não
significa que você deva deixar sua agressividade acima do seu
bom senso. Jogando um poker inteligente – dando raise nos
momentos certos contra os oponentes certos – é
sempre algo para manter em mente. Por exemplo, se você
está dando raise do button com uma mão fraca como
T6 contra dois short stacks nos blinds e um deles volta all-in,
você criou uma situação ruim, a qual
você poderia ter certamente evitado.
Se estou dando raise nesses potes com
mãos tipo K9, JT, A9, eu não estou me preocupando
muito em ser chamado ou levar um re-raise do short stack. Mas com T6o,
você deve pensar – talvez eu não precise
perder um monte de fichas com esta mão e dobrar
alguém em fichas. Um boa regra de bolso aqui é
perguntar a si mesmo se seu oponente entraria all-in com T6. A resposta
é: provavelmente não. Ele teria largado essa
mão, então, você criou uma
situação ruim por ter dado o primeiro raise.
Quando você está
tentando ser um bully, tente pensar sobre o que o seu oponente faria se
estivesse segurando as suas cartas. Ponha-se na
posição deles e inverta as mãos. Se
você acredita que eles iriam all-in com a mesma
mão que você esté segurando,
então, você provavelmente deveria ir
também.
Existem algumas mãos que
você jogará de qualquer maneira e, se
você estiver atrás, não fique
preocupado em perder. Apenas diga a si mesmo - desta vez tive azar, da
próxima será diferente. Se você
dá um raise com A8 no button e o blind volta all-in com AT -
bem, isso acontece. Esqueça essa mão e siga em
frente.
Para ser um bully bem sucedido,
você deverá aceitar correr alguns riscos e perder
algumas fichas. Lembre-se, não há problema em
perder uma batalha no intuito de vencer a guerra.
Artigo de Gus Hansen traduzido pelo Dicas de Poker. Texto
original disponível em: http://www.fulltiltpoker.com/pt/pro-tip/GusHansen/122.
|