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25/01/2009
Avaliando
um jogo
(por
Ed Miller)
Desenvolvendo
um ritual quando entrar em uma partida.
Muitos estudantes querem saber como eu avalio uma partida. Assim que
chego à mesa, o que eu faço em seguida? Quantas
fichas eu compro? Qual é a minha estratégia nas
primeiras mãos? Em quê eu presto
atenção? Como eu uso esses momentos iniciais para
conseguir uma vantagem que persistirá durante toda a
sessão? Dividirei com vocês o modo como eu lido
com essas decisões iniciais. Outros jogadores que
conheço fazem coisas completamente diferentes,
então saibam que minha abordagem não é
a única. Mas, mesmo que proceda de modo diferente,
você pode achar útil saber como outras pessoas
chegam ao jogo.
Eu venço partidas de
no-limit hold'em sobrepujando
meus oponentes. Para fazer isso, preciso de duas coisas: conhecimento
de suas fraquezas e uma estratégia que as explore. Do
contrário, não há como superar
ninguém, e fico limitado a movimentos elementares para
vencer a partida. Com o tempo, fundamentos sólidos
irão ganhar, mas uma estratégia de
exploração sob medida vencerá mais e
melhor.
Quando eu me sento pela primeira vez
em uma mesa, quero aprender sobre
meus oponentes o mais rápido possível. Para
tanto, geralmente compra cerca da metade do buy-in máximo.
Por exemplo, em uma mesa de $2-$5, costumo começar com $300
em vez dos $500 máximos. Em colunas anteriores eu disse que
jogar com um estoque menor do que o de seus oponentes possui vantagens
inerentes. Então, quando chego a uma partida, enquanto sei
relativamente pouco sobre meus oponentes, uso essas vantagens, jogando
com poucas fichas. Às vezes, depois de uma volta ou duas,
completo meu estoque até o máximo permitido. Mas,
ocasionalmente, se eu achar que é melhor jogar com um stack
menor, não compro mais. Não entrar com o
máximo lhe dá flexibilidade: antes de qualquer
mão você pode sempre comprar mais fichas, mas
jamais pode tirá-las da mesa.
Eu também jogo tight.
Particularmente acho que sou mais
observador quando não estou participando de uma
mão do que quando estou no pote. Talvez o envolvimento
emocional obscureça meu pensamento, mas, quando meu dinheiro
não está em jogo, minha leitura fica mais
aguçada e meu pensamento estratégico mais
ágil. Assim, a não ser que eu receba algo
obviamente digno de ser jogado, me abstenho das 10 primeiras
mãos mais ou menos, e deixo meu cérebro se
concentrar totalmente em analisar meus oponentes e formular
estratégias.
Que tipos de coisas eu procuro?
Primeiro, eu quero saber qual
é o tamanho padrão do raise
pré-flop e com que freqüência as pessoas
pagam. Online, aumentos pré-flop geralmente são
bem pequenos, mas ao vivo costumam ter seu próprio tamanho
padrão, que pode variar entre três e dez vezes o
valor do big blind, ou até mais (já joguei em
mesas de $1-$2 em que os jogadores rotineiramente abriam o pote com $25
ou $30). Eu nem sempre me atento ao raise padrão –
nunca, na verdade – mas preciso saber o que os outros
jogadores esperam e o que parece comum e incomum para eles.
Também quero saber quantos jogadores pagam raises
pré-flop. Digamos que dois jogadores entrem de limp em algum
jogo de $2-$5, e então alguém suba para $30.
Esses dois irão pagar ou desistir? Aquele que aumentou deve
esperar um oponente ou quatro? Essas observações
me ajudam a determinar com que mãos eu devo aumentar antes
do flop e qual será o tamanho do raise que farei.
Em seguida, procuro um jogador que
pareça estar jogando
muito loose. Se alguém entrar de limp e paga um raise mais
de uma vez, começo a me concentrar nele. Jogadores assim
não apenas são muito lucrativos como
também é provável que eu jogue muitas
mãos contra eles, já que entram em muitos potes.
Quando me concentro em um jogador,
tento desenvolver um modelo de seu
processo decisório pós-flop. O simples fato de
alguém ser loose pré-flop não implica
dizer que vai continuar desse jeito ao longo da mão. Na
verdade, alguns jogadores agem de modo oposto: ficam felizes em ver o
flop pagando um raise ou reraise com uma mão fraca, mas
relutam em pagar grandes apostas pós-flop sem ter um
monstro. Esse é meu tipo favorito de oponente,
então eu sempre fico contente quando detecto esse
padrão. Suspeito que alguém seja assim quando o
vejo pagar alguns aumentos pré-flop, para depois cair fora
diante de apostas no flop ou no turn.
Alguns jogadores loose não
são tão
fáceis. Se eles não desistem, e tento descobrir
com que tipos de mãos estão pagando. Eles pagam
no flop de forma automática, mesmo se aparentemente
não se beneficiaram? Pagam apostas desproporcionais quando
têm draws? (Recentemente, numa dessas 10 primeiras
mãos em uma mesa, vi um jogador loose pagar um all-in de
$900 no turn em um pote de $200 apenas com um flush draw. Naturalmente,
ele acertou o jogo no river).
Eu também procuro jogadores
traiçoeiros ou
agressivos. Quando seus oponentes são dóceis,
esperando mãos fortes para fazer grandes apostas ou
aumentos, você pode se dar bem fazendo uso da esperteza. Por
exemplo, se parecer que ninguém quer um pote de $40,
é possível blefar com apenas $5 ou $10,
economizando muito dinheiro se alguém pagar. Ou, se
você tem um par alto decente, mas não quer fazer
uma aposta forte, pode colocar uma modesta, confiante de que apenas
mãos melhores aumentarão, e as que você
pode derrotar, pagarão. Essas jogadas podem impulsionar seus
ganhos em uma partida "sem surpresa" de $1-$2 ou
$2-$5.
Contudo, contra os agressivos elas
podem falhar. Jogadores
traiçoeiros irão perceber sua fraqueza e lhe
pressionar com blefes e mini-raises. Então eu tento
descobrir quais jogadores não irão me punir se eu
"sair da linha" e quais deles irão, e
não usar jogadas assim contra jogadores perigosos.
É esse meu ritual quando
chego à mesa. Eu
começo com poucas fichas, sabendo que sempre posso comprar
mais, mas não posso tirá-las do jogo. Descarto a
maioria de minhas mãos iniciais, e gasto minha energia
mental para identificar as condições da partida
(especialmente o quanto as pessoas aumentam pré-flop e com
que freqüência pagam) e analisar alguns jogadores
interessantes. Se alguém parece ser particularmente loose,
passo a observar seu jogo pós flop e tento desenvolver um
modelo de como ele toma decisões. Depois,
aperfeiçôo minha estratégia para
explorar os erros deles. Durante todo esse tempo, tenho o cuidado de
procurar jogadores perigosos que podem me impedir de usar algumas
jogadas mais óbvias.
Em minhas próximas colunas,
colocarei essas
idéias em prática, escolhendo
condições de jogo hipotéticas e
explicando como eu reagiria a elas.
Artigo de Ed Miller,
publicado na revista Card
Player Brasil Ano I, N°. 06.
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