|
18/03/2009
Uma
questão de habilidade
(por
David Apostolico)
No
debate sobre o poker ser um jogo de sorte ou de habilidade, um de meus
principais argumentos em favor da habilidade atesta o seguinte: "O
poker é um jogo de habilidade porque a melhor mão
nem sempre ganha". Portanto, se a melhor mão nem sempre
vence, deve haver outro fator influenciando além da sorte. A
habilidade parece ser esse fator.
Contudo, eu ainda me
aborreço com esse argumento. Acho que ele tem o efeito
inverso de sua intenção. Na verdade, eu acredito
que ele engana, em vez de embelezar o argumento a favor da habilidade.
Para entender onde quero chegar, tomemos outra hipótese.
E se
a melhor mão sempre ganhasse? Isso significaria que o jogo
de poker depende apenas da sorte e de nenhuma habilidade?
Esse pareceria o argumento absoluto.
Se "o poker é um jogo de habilidade porque a melhor
mão nem sempre ganha", seguindo essa lógica,
concluímos que, se a melhor mão sempre ganhasse,
o poker seria um jogo de sorte.
Tomemos outro exemplo. Imagine que
você jogou uma maratona de cash game, contra um monte de
jogadores inexperientes, em que a melhor mão sempre ganhou.
Na verdade, a razão por que a melhor mão sempre
ganha nesse jogo é porque sempre há um
determinado número de jogadores que vai até o fim
com qualquer draw e paga toda e qualquer aposta com qualquer
mão. Blefar é inútil. Agora,
adicionemos outra suposição. Essa partida
hipotética é disputada por tempo suficiente para
descontar qualquer variação do número
de "boas" mãos que cada jogadores recebe.
Como você acha que seria seu
desempenho nessa partida? Eu suponho que você esteja
salivando para jogar nessa mesa de poker em que a sorte reina suprema e
a habilidade não tem influência. Isso ocorre
porque a maior vantagem dos jogadores experientes não vem
dos blefes, mas de dois outros fatores significantes. O primeiro, e
talvez o mais importante, é a habilidade de minimizar as
próprias perdas. O outro é explorar bem suas
mãos vencedoras para obter o máximo de lucro
possível.
Sente-se em uma partida loose de
limites baixos e observe quais são os maiores perdedores.
Invariavelmente é algum idiota que joga quase todas as
mãos. Esse perdedor pode ganhar mais mãos do que
qualquer outra pessoa na mesa, pois ele joga exageradamente. Ele
também perderá mais dinheiro ao longo do tempo
que qualquer outra pessoa na disputa. Os maiores vencedores geralmente
são os jogadores mais tight, que podem não ganhar
muitas mãos no geral.
Embora os exemplos acima sejam
extremos e óbvios, eles ilustram bem algumas
conclusões. Primeiro, o conceito fundamental de maximizar
ganhos e minimizar perdas é o mesmo em qualquer
nível. Novos jogadores geralmente são
vítimas do argumento segundo o qual eles precisam blefar
para mostrar sua habilidade. Eles acham que nenhuma outra
ação pode ser classificada como habilidade. Isso
não desmerece o valor e a natureza habilidosa de um blefe e
de outras formas de indução ao erro, mas
não pense nelas como as únicas habilidades
necessárias na mesa de poker.
Segundo, embora sua vantagem sobre
seus oponentes ao maximizar ganhos e minimizar perdas possa
não ser tão grande quanto nos exemplos acima, ela
é aumentada quando se joga no-limit. Seus maiores ganhos em
no-limit irão advir de oportunidades de levar o stack
inteiro de seus oponentes. Você não
fará isso blefando, mas preparando armadilhas para eles e
explorando o valor máximo de uma mão vencedora.
É preciso muita habilidade para isso.
Sim, existe muita sorte operando no
poker. Receber uma mão boa ou ruim é algo que
você não pode controlar. Contudo, o que
você faz com essas mãos é sim uma
questão de habilidade.
Artigo de David Apostolico,
publicado na revista Card
Player Brasil Ano I, N°. 08.
|
Assine a Card
Player Brasil usando o código promocional DICASDEPOKER
no campo "código para ganhar brindes especiais Card Player
Brasil". Você receberá 20% de desconto e brindes
exclusivos.
Clique Aqui para saber mais.
|
|