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17/05/2009
O
turn ideal
(por
Marc Karam)
Jogando
o turn no no-limit hold'em.
Você provavelmente já deve ter lido ou ouvido
falar a respeito de um estilo de jogo denominado "small ball". Eu creio
que, para dominar realmente o poker, você deve se armar com o
conhecimento de muitos estilos diferentes, bem como ajustar seu jogo de
acordo com um oponente ou situação em particular.
Dito isso, existem alguns conceitos relativos à carta do
turn em no-limit hold'em que eu acho que todo jogador deve ter
noção, e que podem se encaixar perfeitamente no
que se chama de jogadas "small ball".
Se você estiver pensando:
"Nossa, eu nunca jogo no turn, pois geralmente estou de all-in,
já dei fold ou ganhei no flop", isso pode ser uma falha em
seu jogo. Se você possui a melhor mão, seu
oponente tem a metade das chances de superar você no turn, do
que tinha no flop. Portanto, esperar até o turn para agir
com firmeza é, em geral, uma sábia
decisão. Tomemos o seguinte exemplo:
Em um torneio, você aumenta
em posição com A-K. O big blind, que tem um
estoque de fichas modesto, paga, e vocês veem um flop
contendo um ás e duas cartas baixas do mesmo naipe (paus).
Seu oponente toma a iniciativa, colocando quase metade do stack no
pote. Se você botar pressão e ele estiver com um
draw decente, é provável que ele tenha que pagar
sua aposta. Já se ele tiver um ás mais fraco,
como A-J, ele pode ser capaz de largar a mão, acreditando
que seu kicker seja mais forte. Se você simplesmente pagar,
é difícil para ele lhe pensar isso, e ele tem que
levar em consideração a hipótese de
você ter um flush draw. Portanto, quando o turn trouxer a
terceira carta do mesmo naipe, ele ficará hesitante em
comprometer mais fichas no pote, a não ser que tenha
acertado um flush, mas, mesmo assim, ele pode optar por fazer slowplay,
dando-lhe a oportunidade de manter o pote pequeno caso você
tenha perdido para o draw dele. Se uma carta de paus aparecer e ele
apostar alto, você pode dar fold, economizando algumas
fichas: isso é muito importante em um torneio. É
claro que, se outra carta baixa qualquer aparecer no turn e ele
não acertar o draw, ainda tem chances de formá-lo
no river. É o momento, então, de ir de all-in.
Além disso, seu call no flop torna bastante
provável a possibilidade de seu oponente apostar com
qualquer coisa que apareça no turn se ele tiver um
ás mais fraco, o que torna mais difícil para ele
desistir da mão, pois essa aposta o deixa comprometido com o
pote.
Existem muitas
situações em que faz sentido esperar pelo turn
antes de empurrar all-in, especialmente em torneios. Se você
achar que tem ido de all-in no flop em demasia, pergunte-se por
quê. Pode ser que, na maioria das vezes, esteja se
comprometendo pré-flop e, portanto, sendo obrigado a botar
pressão no flop. Se for esse o caso, eu sugiro – a
não ser que saiba que seu oponente irá pagar sua
aposta – que você leve em
consideração pressionar pré-flop em
vez de no flop. Ao fazer isso, coloca muito mais pressão em
seu oponente e se livra de uma situação
desconfortável no flop.
Outra situação
em que o turn é importante surge quando se flop um draw
forte contra um oponente agressivo. Nesse caso, ao enfrentar um jogador
fraco e passivo, geralmente se pode apostar e levar o pote. Se seu draw
for suficientemente forte, você pode até apostar
pelo valor contra um "pagador", no intuito de disfarçar sua
mão e aumentar o pote para as ocasiões em que seu
draw bater. Se, no entanto, você estiver diante de um
oponente que provavelmente irá fazer um check-raise ou
triplicar a aposta, apostar com seu draw no flop pode trazer
consequências desastrosas. Na verdade, contra esse tipo de
jogador, eu quase nunca aposto sequer com cartas bastante altas.
Analisemos dois outros exemplos de torneios:
No primeiro exemplo, suponhamos que
uma oponente agressiva aumente pré-flop e você
pague em posição com A J . O flop traz lixo com duas cartas
de paus e ela faz uma continuation bet padrão. Se
você aumentar e sofrer um reraise, ficará em uma
situação bastante delicada. Ainda que ela
peça mesa no flop e você aposte, só
para poder dar check-raise, a situação
é difícil. É muito melhor que
você simplesmente pague aqui para poder ver o turn o mais
barato possível. Mais uma vez, fosse ela uma jogadora mais
fraca e passiva, uma aposta no flop seria justificável.
Porém, como ela é agressiva e provavelmente
irá colocar a decisão novamente em suas
mãos com um raise, é útil que
você veja a carta do turn. Se a mesa não lhe
beneficiar e ela continuar apostando, você pode desistir da
mão sem pagar caro. Por outro lado, se você se der
bem no turn, ela provavelmente apostará com qualquer tipo de
mão, e você poderá, a partir desse
momento, extrair valor de seu draw tanto apenas pagando para induzir
outro blefe no river quanto executando um pequeno aumento pelo valor.
Em seguida, vejamos uma
situação bastante comum: você aumenta
pré-flop em posição, com ás
e outra carta alta, e o flop vem disperso. Diante de um oponente fraco,
geralmente é aceitável ir em frente e fazer uma
continuation bet no flop. Contra um "pagador" ou um jogador agressivo,
você em geral deve preferir a chance de ver uma carta
grátis. É provável que você
esteja com duas overcards, o que significa dizer que um ás
ou um rei no turn lhe dariam a melhor mão. Além
disso, ainda que o turn não lhe ajude, se seu oponente pedir
mesa de novo, você provavelmente possui a melhor
mão, podendo apostar e levar o pote.
A conclusão central aqui
é que você deve ajustar seu jogo ao oponente e,
contra determinados adversários, nas
circunstâncias certas, faz muito mais sentido ver a carta do
turn antes de agir.
Existe outra linha de jogo a respeito
do turn que você precisa conhecer. Em
situações nas quais você pede mesa e
depois paga a aposta no flop em posição, ou em
que você aumenta no flop em posição e
seu oponente paga, se você não estiver certo de
que tem a melhor mão, é em regra boa
prática pedir mesa depois de seu adversário no
turn. Isso mantém o pote pequeno e permite que
você pague uma aposta no river, já que elas
geralmente são proporcionais ao tamanho do pote. Poder pagar
apostas no river é em geral muito importante, já
que lhe dá informações e evita que
seus oponentes blefem muito. A jogada certa no turn possibilita esses
calls.
Portanto, jogar no turn corretamente
com base em seu oponente e na situação
é um passo chave no sentido de se tornar um jogador melhor.
Espero que os exemplos e dicas que você leu aqui lhe ajudem a
conseguir isso. Lembre-se apenas de que toda estratégia e
jogada é algo a ser adicionado ao seu arsenal, e depende de
você utilizar a jogada certa no momento propício e
contra o jogador ideal. Experiência e bagagem
teórica lhe ajudarão a fazer isso. Nunca ache que
existe apenas uma jogada correta ou um estilo de jogo certo que
funcionará o tempo todo.
Artigo de Marc Karam,
publicado na revista Card
Player Brasil Ano I, N°. 10.
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