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07/09/2009


Favoritismos
(por John Vorhaus)


Colocando o tema sob a perspectiva adequada


Quando dinheiro vai para o meio da mesa, é óbvio que você gostaria de ser favorito – ou, melhor ainda, um grande favorito – mas essa não é a natureza do hold'em. Um overpair ganha de cartas aleatórias menores cerca de nove a cada 10 vezes, mas a maioria de suas outras vantagens são bem menores.

O conhecido "coin flip", underpair versus cartas maiores, favorece o primeiro na razão de apenas 55% para 45%, o que significa que, embora você seja favorito, não tão favorito: no longo prazo, você vai ganhar muito mais do que perder.

Ainda assim, se você tivesse que escolher entre ser o favorito ou não, escolheria o favoritismo feliz da vida. Se eu pudesse obter 55% de retorno em uma aposta de valores equivalentes, apostaria um milhão de vezes e me aposentaria rico.

Em outras palavras, no longo prazo, um favorito é um favorito, e obterá o devido lucro. Contudo, vamos fazer uma pausa para levar em consideração o impacto psicológico de perder esses coin flips. O que acontece quando você é um favorito, mas a sorte não vem ao seu encontro?

Se seu par de valetes for derrotado pelo ás-rei de seu oponente, e você "tiltar" e começar a se enfurecer diante da injustiça de tudo, você não perdeu apenas o coin flip, mas também perdeu sua compostura e disciplina, e provavelmente perderá seu stack.

Reconheça, então, que favoritismos, mesmos grandes favoritos, não têm nenhum direito moral: eles não "merecem" ganhar. O simples fato de sua mão ser favorita e ganhar três vezes a cada quatro (como pares de ases diante de suited connectors menores) não garante que essa vez será uma daquelas vezes.

Se uma extensa variedade de bad beats fizer com que você conclua que o universo lhe odeia, você está condenado. Mas se reconhecer que provavelmente não era tão favorito para começo de história, pode aprender a não levar suas bad beats tão a sério. Seria bom, portanto, estudar e memorizar as odds grosseiras de alguns confrontos comuns no hold'em.

(Por falar nisso, tenha por base a calculadora de odds da CardPlayer.com em relação aos números abaixo mencionados. Se você não tiver ciência desse recurso maravilhoso, tomo ciência logo. É dinheiro, parceiro).


Coin flip Clássico: O coin flip clássico, um par versus duas cartas maiores, pode favorecer o primeiro em até 55% (quando as cartas maiores não apresentam possibilidade de flush ou sequencia). Já que um par versus suited connectors maiores (tal como 5 5 versus 10 9) pode na verdade ser algo enganador (10 9 ganha cerca de 52% das vezes), não tenha tanta certeza de que seu par é sempre favorito.


Tweener: Um tweener é uma mão que contém duas cartas entre a menor e a maior de um oponente – 9-8 versus A-6, por exemplo. Nesse caso, a mão maior vence o tweener entre 52% e 57% das vezes, a depender de o tweener ter cartas do mesmo naipe e/ou conexas. Muitos jogadores de hold'em acham que possuir um ás faz com que eles fiquem muito à frente de um tweener. Muitos jogadores de hold'em estão, na prática, errados.


Tweener Pair: Enquanto um underpair é um ligeiramente favorito contra overcards que não formam um par, um tweener pair, enfrentando apenas uma carta maior, pode ganhar até dois terços das vezes, até mesmo 71% como no caso de 7 7 versus 9 3 - embora eu não saiba como é possível fazer com que alguém lhe dê alguma ação com 9-3. Mas se você conseguir calls de, digamos, ases ruins, seu tweener pair vai se dar muito bem.


Overdog: Uma mão overdog é algo como Q-8 contra 10-6, em que cada uma de suas cartas é individualmente maior do que as de seu adversário. Você o tem um pouco dominado, mas não é tão favorito quanto possa pensar. O overdog ganha cerca de 60% das vezes. É por isso que tanta gente só sabe dar all-in fica feliz ao descobrir que suas duas cartas sem valor estão pelo menos "vivas".


Overdog duplo: Um overdog duplo, em que ambas as suas cartas são maiores do que as duas do seu adversário, pode ser 65% favorita – mas nem sempre. Quando você revela seu A-Q e descobre que está enfrentando um fraco J-9 do mesmo naipe, pode achar que está no comando, mas quatro vezes a cada 10, você sairá perdendo.


Unsuitables: conectores de naipes diferentes enfrentando uma única carta maior ganham em apenas 45% das vezes. E não adianta ficar empolgado de suas cartas conexas forem do mesmo naipe, pois essa qualidade em geral só adiciona 3% ao valor – o que não é suficiente para fazer de você um favorito.


A conclusão, tendo em vista toda essa gama de mãos, é que não importa de que lado esteja, tudo depende da sorte, e você não pode se dar ao luxo de arriscar quando a situação não for ideal.

Por exemplo, mesmo com a relativa vantagem de um tweener pair, você talvez prefira não colocar em jogo sua vida num multi-table tournament em seus estágios iniciais. Embora possa duplicar seu estoque (num estágio do torneio em que duplicar tem um valor questionável no longo prazo), três em cada 10 vezes você será eliminado na hora. Portanto: modesto lado bom versus catastrófico lado ruim – julgue você mesmo.

E existe também o problema do "tilt". Como dissemos acima, seu equilíbrio está em jogo: se você perde a calma quando perde uma mão assim, coin flips, em toda sua esplendorosa variedade, não são para você.

Toda essa discussão se destina a colocar a noção de "favoritismo" sob a perspectiva adequada. Não evite apostar quando for favorito – esse ainda é o coração e a alma do poker. Em vez disse, torne-se consciente de quão frágil sua vantagem às vezes pode ser, e jamais confunda vantagem com garantia. Para tanto, eu preparei uma pequena tabela com os confrontos que discutimos.


Mão Exemplo
(mão favorita primeiro)
Vantagem
da Favorita
Coin Flip Clássico 10 10 vs. A K 54 %
Tweener A 7 vs. Q J 53 %
Tweener Pair 7 7 vs. 9 6 66 %
Overdog Q 10 vs. J 8 60 %
Overdog Duplo A K vs. 9 7 59 %
Unsuitable A 5 vs. 10 9 51 %


Eu recomendo que você tire xerox, plastifique e carregue consigo essa tabela, para estudar em alguns momentos, de modo que ela esteja sempre lá para lembrar, com a adequada tranquilidade, que a maioria das vantagens do hold’em não são tão grandes.


Artigo de John Vorhaus, publicado na revista Card Player Brasil Ano I, N°. 11.




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