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25/10/2009


A mão invisível do poker
(por David Apostolico)


As sementes do capitalismo podem ser encontradas na obra A Riqueza das Nações, escrita por Adam Smith em 1776. O trabalho de Smith foi revolucionário para a época, vez que pregava o fim do controle governamental sobre a economia. Em vez disso, ele argumentava que, se você permitisse que o indivíduo buscasse seu próprio interesse, o resultado seria um aumento da riqueza geral das nações. Sua teoria se baseava em observações próprias segundo as quais as pessoas são motivadas pelos interesses particulares. "Não é pela benevolência do açougueiro, do fermentador ou do padeiro que esperamos nosso jantar, mas pela preocupação deles com seus próprios interesses", escreveu Smith. Ele continuou dizendo que: "Nenhum deles pretende promover o interesse público", mas, em vez disso, cada um é "impulsionado por uma mão invisível para promover um fim que não fazia parte de sua intenção".

Isso funciona no mercado, em que ambas as partes podem se beneficiar com a transação econômica. Cada um compõe um polo da transação, agindo em interesse próprio, mão apenas se beneficiando, mas inconscientemente contribuindo para um bem maior – por meio daquela mão invisível. O poker, contudo, é um jogo de soma zero, ou melhor, um jogo de soma negativa, quando você leva em conta as taxas da casa. Com isso em mente, pode haver uma mão invisível no poker?

Como é o caso da maioria das perguntas no poker, a resposta é: "Depende". Por razões desta coluna, eu irei argumentar a favor – pelo menos para um grande número de jogos. Se você olhasse para o poker puramente em termos de dólares ganhados ou perdidos, seria forçado a encontrar uma mão invisível trabalhando. Contudo, para muitos jogadores, o ganho monetário potencial não é o único benefício possível recebido com o jogo. Para esses jogadores, existem outros benefícios, intangíveis, porém reais, que se ganham quando se joga. Os mais importantes são a recreação, o aprendizado e a competição. Muitos jogadores não medem o sucesso na mesa de poker puramente em termos de dólares e centavos. Eles entram em um torneio para ver quão longe conseguem progredir, e podem ficar felizes com determinado resultado, mesmo que não ganhem dinheiro. Um turista pode se juntar a um cash game com certa quantia que ele está preparado para perder apenas pelo entretenimento. Mesmo um jogador sério que está apenas começando ou está subindo de nível pode perceber que existe uma curva de aprendizado pela qual ele está disposto a pagar. Para todos esses tipos de jogadores, talvez haja uma mão invisível trabalhando para promover um fim que não faz parte da intenção individual do jogador.

Para manter essa mão invisível trabalhando, aqueles que jogam pelo ganho econômico devem reforçar os benefícios intangíveis percebidos pelos outros. Torne o jogo divertido e relaxante. Não seja mal educado com os outros. Em vez disso, diga coisas positivas sobre o estilo de um oponente e o parabenize por seu bom jogo quando ele for eliminado de um torneio.

Contudo, a maior lição contida em A Riqueza das Nações é o reconhecimento de que as pessoas são motivadas por interesses próprios. A natureza humana não mudou nos últimos 230 anos. O mesmo interesse próprio que move o capitalismo também movimenta o poker. Se você for jogar, deve estar 100% comprometido a maximizar seu benefício econômico, ou está destinado a perder. É preciso forçar cada barreira e aproveitar cada oportunidade. Você não pode sentir simpatia por um oponente. Afinal, seus oponentes, assim como o açougueiro e o padeiro, não estão jogando por benevolência, mas por interesse próprio. O trabalho deles é tomar seu dinheiro. Jamais se esqueça disso. Muitas vezes, os jogadores se contentam em jogar de modo programado ou de acordo com fórmulas padronizadas que são muito fáceis de se explorar. Grande parte do jogo consiste em fazer ajustes, e tais ajustes se tornam muito mais fáceis de se fazer quando você analisa o estilo de cada jogador no contexto daquilo que ele está fazendo para maximizar seu próprio interesse.


Artigo de David Apostolico, publicado na revista Card Player Brasil Ano 2, N°. 13.




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