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12/12/2009
Uma
mão bastante educativa
(por
Bob Ciaffone)
Raciocínio
extremamente pessimista.
Na maioria das vezes, um novo aluno meu erra ambos os lados de uma
jogada correta, às vezes sendo muito atrevido e outras sendo
muito cauteloso. Contudo, o aluno que me deu essa mão para
análise não se enquadra nesse padrão.
Em vez disso, ele tem o problema constante de ser extremamente
pessimista. Como resultado, ele ganha menos dinheiro do que deveria,
muito embora em certas mãos ele possa conseguir um resultado
melhor do que alguém com uma visão mais positiva.
Eis aqui uma mão que ele me enviou, com meus
comentários inseridos em vários pontos (nossa
correspondência foi levemente editada para melhor clareza).
Aluno:
Eu estava jogando um cash game de no-limit hold'em de $1-$2. Meu
estoque era de cerca de $600. Meu oponente, o Jogador A, tinha $280. Eu
paguei do button com 8-5 do mesmo naipe. Cinco jogadores viram o flop.
O small blind tinha desistido, então havia $13 no pote. O
flop veio Q-7-6, com duas cartas de copas e uma de ouros. Eu consegui
duas pontas para a sequência. O Jogador A apostou $15. Eu
paguei e os outros desistiram. Eu tinha a
intenção de descartar no turn se não
conseguisse a sequência e ele apostasse de novo.
Meu
comentário: Se uma carta do flush surgir e ele
pedir mesa ou fizer uma aposta fraca, você provavelmente deve
tentar tomar o pote dele.
Aluno:
O turn foi o 9 , dando a mim a segunda melhor
sequência e colocando dois flush draws na mesa. O Jogador A
apostou $40. Eu pensei bastante. Minha primeira
inclinação era dar all-in para acabar a
mão ali mesmo. Contudo, como não houve aumento
pré-flop, eu achei que o Jogador A poderia estar jogando com
10-8. Achei que seria muito perigoso colocar todo meu dinheiro no pote,
pois eu poderia me deparar com uma mão que me deixaria com
três outs para um empate e nenhuma vitória.
Meu
comentário: Seu raciocínio
é muito pessimista. Você deve pensar assim: "O
cara tem apenas $225 restantes, então eu não
posso falir se tiver a má sorte de me deparar com o nuts. Se
ele tiver tido sorte suficiente para acertar o nut straight,
não há como eu detectar isso, pois ele pode ter
muitas outras mãos. Portanto, irei jogar a mão
presumindo que ela é boa, e usar o método mais
adequado para ganhar todo o dinheiro dele. Eu preciso aumentar aqui,
para fazer com que ele pague caro se tiver um draw e para evitar que eu
perca meu cliente no river".
Aluno:
Eu achei que, como o Jogador A estava apostando, era menos
provável que ele tivesse um flush draw. Achei que ele tinha
um par de damas ou conseguido uma sequência maior. Eu
provavelmente deveria ter achado que ele não apostaria no
flop se tivesse jogado com 10-8, mas só pensei nisso no dia
seguinte.
Meu
comentário: Esse deveria ter sido outro fator
em seu raciocínio. As chances de seu oponente ter o nuts
caem pela metade se as chances de ele pedir mesa com o nuts eram de
apenas 50%. Alguns jogadores habitualmente agem como se não
tivessem nada quando têm o nuts, então enfrentar
um deles lhe deixaria muito confortável aqui.
Aluno:
Na hora, eu não levei em consideração
que ele pudesse ter uma trinca. Decidi apenas pagar a aposta de $40.
Minha lógica era que, muito embora eu estivesse permitindo
os flush draws, ele provavelmente não tinha um e, se tivesse
a melhor sequência, apostaria menos no river e eu pagaria.
Meu
comentário: Apenas pagar foi uma
decisão terrível, embora aparentemente tenha
economizado seu dinheiro.
Aluno:
O river foi a Q, virando um par no bordo. Isso não pareceu
significante para mim na hora. O Jogador A pensou durante bastante
tempo e apostou $50. Eu achei que ele tivesse três damas ou a
melhor sequência. Eu paguei os $50. Meu oponente mostrou um
par de setes, que formavam um full house. Eu deveria ter aumentado no
turn? Você concorda que, se eu tivesse aumentado, deveria ter
ido all-in para cobrar todo o estoque do Jogador A?
Meu
comentário: Você deixou que ele
seguisse com um draw sem cobrá-lo por isso. Eu teria
aumentado all-in. Se você estiver usando a análise
certa e não soubesse a carta do river, veria que um raise
all-in é claramente a jogada certa. Se seu oponente
está tentando formar um draw que pode lhe derrotar, como
estaria com uma trinca ou um flush draw, o all-in faria com que ele
desistisse ou comprometesse todo o dinheiro quando você era o
favorito substancial a ganhar o pote. Além disso,
você evita ter que adivinhar o final, e priva-o de poder
apostar com a mão dele caso ele a complete.
Aluno:
Aumentando eu teria colocado um preço que faria com que o
Jogador A desistisse ao full house draw, mas eu estou bem certo de que
ele teria pagado e eu teria perdido mais dinheiro. Porém, eu
teria feito a jogada matematicamente correta.
Meu
comentário: Sim, é pouco
provável que ele descartasse uma trinca, pois, aos olhos
dele, você poderia ter dois pares ou um draw forte. Portanto,
ele teria duplicado o estoque nessa mão. Contudo,
você jamais deve julgar se sua jogada foi correta com base no
resultado, mas pelas probabilidades no momento em que o dinheiro entra.
Aluno:
Se meu objetivo era acabar a mão ali com meu aumento all-in,
o que você acha da ideia de eu revelar minhas cartas quando
desse raise durante esse heads-up? A cardroom em que
estávamos permite que as pessoas façam isso. Se
ele tivesse a sequência com 10-8, pagaria de qualquer
maneira; caso contrário, ele saberia que estava tentando um
draw pagando o preço errado.
Meu
comentário: 'Argh'. Se ele estiver pagando o
preço errado, como estaria aqui, você quer que ele
pague. E mostrar sua mão lhe custaria muita equidade caso
ele fosse pagar com quaisquer dois pares. Você não
pode jogar poker (ou qualquer outro jogo) com a postura de que
não vai 'baralhar' se existir uma maneira de garantir um
pequeno lucro, mesmo quando poderia ter uma expectativa positiva no
longo prazo ao arriscar uma quantia maior.
Você pode perceber, com essa
mão, que os comentários de meu aluno
têm o problema de serem pessimistas ao extremo, o que o
impede de maximizar seus resultados quando tem uma boa mão
(mas não o nuts). E você, tem coragem suficiente
para jogar no-limit?
Artigo de Bob Ciaffone,
publicado na revista Card
Player Brasil Ano 2, N°. 14.
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