|
23/01/2010
Should
I stay or should I "stop-and-go"?
(por
Raul Oliveira)
Aplicando
o call-all-in.
Neste mês, vamos conversar sobre um movimento que considero
bem interessante para tornar seu jogo ainda mais
imprevisível: o call-all-in, também conhecido
como "stop-and-go".
O call-all-in é um recurso
muito interessante em torneios, principalmente em estágios
avançados, mas é preciso pescar o momento certo
de utilizá-lo com sucesso. Antes de realizá-lo,
pense muito bem acerca da quantidade de fichas do jogador que abriu o
raise em relação à sua quantidade de
fichas, pois esse é o dado fundamental para uma boa
execução da jogada.
Esse move é
executado sobretudo quando se está nos blinds, já
que, para utilizá-lo, é preciso ser o primeiro a
falar depois do flop. Ele consiste basicamente no seguinte:
você decide pagar um raise pré-flop e,
"independente" do flop, dar all-in antecipadamente. O termo
está entre aspas porque, suponhamos, você decidiu
fazer essa jogada com um 87s e o flop veio 6-5-4. Nesse caso,
é claro que você abandonaria sua
estratégia inicial e daria check para tentar maximizar sua
mão. Agora, esquecendo as exceções, na
maioria dos casos, o flop não vai ter sido bom pra
você, e são exatamente nesses casos que se deve
dar all-in e jogar contra o flop do seu adversário.
Obviamente essa jogada só
é utilizada quando se está apertado em fichas e,
principalmente, quando você sabe que seu takedown
pré-flop é muito pequeno caso você
volte all-in ali mesmo. Para explicar melhor, vamos ver dois exemplos
que aconteceram comigo em torneios.
No primeiro, os blinds eram 4000-8000
e eu tinha 64.000 fichas - me encontrava bem abaixo da média
do torneio. Eu era big blind e havia pingado 8000 fichas. Outro
jogador, muito agressivo, e que vinha dando raise em todos os meus big
blinds, abriu raise de 22.000. Eu tinha T 9 e parei pra pensar: "se eu der
all-in aqui mesmo, ele tem que colocar mais 42k fichas para disputar um
pote de mais ou menos 135k, e como ele está com cerca de
250k fichas, a chance de não completar é
mínima. Então, meu takedown pré-flop
é quase zero". Por outro lado, na minha atual
situação, um T9s era uma mão forte e
poderia me trazer fichas. Assim, largar não era uma boa
opção. Só que, indo para o all-in
pré-flop, seriam enormes as chances de ele ter uma high-card
melhor que a minha e ir como favorito na mão, por isso
decidi utilizar o call-all-in nesse momento.
O flop veio A 7 3 . Sinceramente, não
achei ruim. Pois, como eu disse, o jogador vinha dando raise demais - e
principalmente no meu big blind, já que eu não
tinha tantas fichas - e nada garantia que ele tivesse um ás
na mão ou qualquer outro jogo forte. Então,
finalmente empurrei o all-in de 42.000 tendo apenas T9s (ou seja,
nada). A questão é que, aqui, minhas cartas
não interessavam mais, e sim as dele. Nesse caso a jogada
funcionou, e ele rapidamente deu fold: levei um pote de 93k, o que
significou ter aumentado meu stack em quase 50%.
O que deve ficar claro sobre esse
conceito é que, ao jogar dessa forma em determinados
momentos do torneio, você aumenta muito sua taxa de
sobrevivência. Outros casos clássicos ocorrem
quando se tem um par baixo ou um Ax. Agora, lembre-se de que essa
jogada deve ser utilizada quando, no seu entender, o takedown ao voltar
all-in pré-flop é praticamente zero. Portanto,
nessa mão, a diferença ao ganhar essas fichas
extras não será tão vantajosa quanto o
aumento do percentual de vitória utilizando o stop-and-go.
Temos aqui outro exemplo em que eu me
encontrava bem abaixo da média do torneio (tinha 10.600 em
fichas, e os blinds estavam em 600-1200), num estágio
decisivo da competição. Eu era o big blind e
recebi 33. Todo mundo deu fold, até que um jogador muito
agressivo abriu raise de 3x o blind do gap. Nessa hora, resolvi que
seria o par de três que decidiria meu destino no torneio.
Então, eu tinha duas opções aqui:
voltar all-in e provavelmente ir para um coinflip ou optar pelo
call-in-all, que foi minha escolha, e era a jogada mais interessante
nesse caso. Vamos entender a razão disso: acreditando que
meu takedown pré-flop é zero (considerando que
meu adversário estava deep stack), por que não
mixar o jogo e fazer uma aposta forte no flop, e desse modo
não dar a ele a chance de ver as cinco cartas "de
graça"? Com essa jogada, passava a ter uma taxa de takedown
no flop, ou seja, um percentual de vitória em cima das vezes
que ele não pagasse minha aposta.
Para ilustrar, vamos imaginar que meu
adversário tivesse QJo. Nesse caso, seu eu fosse all-in
pré flop, teria 51% contra 49% dele. Logo, em 49% das vezes,
eu seria eliminado do torneio, e em 51% iria para 23K. Executando o
call-all-in, reduzimos para aproximadamente 30% os flops em que ele
iria seguir na mão. Desse modo, em 70% das vezes eu iria
para 16K e nos outros 30% ainda ganharia algumas fichas quando ele
pagasse com queda para sequência que não batessem,
como flops do tipo T-9-2, K-T-5, etc. Então, com essa
jogada, eu consigo reduzir minha chance de ser eliminado de 49% para
algo em torno de 27 a 30%.
A partir desse raciocínio,
vemos toda vez em que a diferença do que se iria ganhar num
all-in pré-flop (no exemplo acima, 23k; e fazendo o
call-all-in, 16k) for pequena, esse movimento passa a ser a mais
interessante no longo prazo.
Logicamente, o call-all-in
é uma jogada ousada, mas se você analisar bem o
cenário em que se encontra, escolher seu
adversário e tiver um bom "timing" de jogo,
esse move
pode lhe salvar em algumas situações de aperto
num torneio.
Artigo de Raul Oliveira,
publicado na revista Card
Player Brasil Ano 2, N°. 15.
|
Assine a Card
Player Brasil usando o código promocional DICASDEPOKER
no campo "código para ganhar brindes especiais Card Player
Brasil". Você receberá 20% de desconto e brindes
exclusivos.
Clique Aqui para saber mais.
|
|
|