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07/02/2010
Algumas
maneiras diferentes de expor
(por
Matt Matros)
Explore
pequenas vantagens.
Eu já escrevi longas colunas neste espaço sobre
minha excessiva filosofia de torneios de poker, mas, na verdade, posso
resumi-la em uma frase: acumule o máximo de fichas que
puder, com a maior frequência que puder, da maneira que
puder. Você concorda ou discorda? Talvez tenha
dúvidas. Se for o caso, eu lhe pergunto: se um oponente for
all-in na primeira mão do torneio e mostrar A-K,
você pagaria com par de damas (presumindo que todo mundo deu
fold)? Esse é o teste padrão para avaliar a
filosofia de torneio de um jogador. Minha opinião
é que você deve pagar com as damas, e que isso
não é particularmente conservador. Eu escrevi uma
coluna sobre isso ("To Flip or Not to Flip"; Vol. 18/No. 22).
Minha
justificação do pagamento é
essencialmente que, se você tem 57% de chances de ganhar,
quando você precisa de apenas 50% para obter lucro, sua
vantagem é muito grande para deixar passar. Assim como a
maioria de minhas justificações, essa se baseia
em números, e é considerada bastante convincente
por muitos. Mas alguns jogadores, particularmente os que se baseiam na
intuição, os que se preocupam em demasia em serem
premiados e os que têm aversão a
matemática, rejeitam-na. Eu gostaria de me dirigir, nesta
coluna, aos meus leitores que ainda não estão
convencidos. Tentarei explicar minha filosofia de torneios utilizando
exemplos não relacionados ao poker. Números ainda
vão aparecer, mas você não
precisará se confiar apenas neles para compreender meu
argumento, pois mostrarei também outras
evidências. Aqui vamos nós.
Primeiro, leve em conta um apostador
de esportes profissional. Ele ganha a vida colocando
obstáculos nos jogos, buscando ineficiências nas
linhas e sustentando suas opiniões com dinheiro. Ele
está em uma posição
difícil, pois em geral precisa ganhar mais de 52,4% de suas
apostas apenas para pagar a taxa cobrada pela casa. Mas, se ele for
bom, apostará sempre que achar que tem uma vantagem, e sua
taxa de vitória ficará entre 55% e 60%
(apostadores de esportes que alegam ter maiores lucros no longo prazo
estão quase com certeza mentindo ou errando por utilizar
pequenas amostras em seus cálculos), e terá uma
vida confortável. Agora imagine se você disser a
esse sujeito que ele deve apostar apenas quando tiver mais de 57% de
chances de vencer. Ele quase não terá mais em que
apostar, e precisará começar a procurar um
trabalho de verdade. As poucas apostas que ele encontrar, fortes o
suficiente para se enquadrar ao critério de 57%,
não serão o bastante para ele se sustentar. A
analogia com os torneios de poker é que, se você
esperar muito tempo pelas oportunidades perfeitas, não
será capaz de acumular fichas suficientes para ter chances
reais de vencer — e vencendo é que se ganha
dinheiro.
E um jogador de blackjack? Se
você leu o livro Bringing Down the House (ou, Deus proteja,
viu o filme 21 - Quebrando a Banca), conhece a história de
alguns estudantes do Instituto de Tecnologia de Massachusetts que
ficaram ricos ganhando no blackjack. Que tipo de vantagem eles tinham?
O jogador de blackjack jamais tem uma vantagem de mais de alguns pontos
percentuais sobre a casa, não importa quão bem
ele conte as cartas ou sinalize para seus companheiros. Mesmo assim,
jogadores de blackjack podem ganhar enormes somas de dinheiro fazendo
grandes apostas com as menores vantagens apenas. É claro
que, dessa maneira, às vezes eles sofrem grandes perdas,
mas, no longo prazo, eles se reerguem. Forçar uma pequena
vantagem em blackjack é uma tática tão
temida pela casa que as pessoas são banidas dos cassinos se
sequer tentarem executá-la. Se todo jogador de blackjack
decidisse não jogar porque 51% de chances de vencer
é muito pouco, os cassinos não precisariam de
oitenta e seis contadores de cartas. Nós ganhamos dinheiro
nos jogos apostando com uma vantagem — ponto final.
É tentador pensar que o poker é uma
exceção à regra dos jogos de aposta,
em que você pode obter uma vantagem muito maior do que um
jogador de blackjack ou um apostador de esportes, então uma
nova abordagem é necessária. A não ser
que você já tenha ganhado muitos torneios de poker
usando a estratégia de "esperar por uma grande vantagem", eu
sugiro que você se rebaixe ao nível do
milionário de blackjack e comece a ganhar dinheiro do mesmo
modo que o restante do mundo dos apostadores. O caminho para se ganhar
dinheiro vai incluir o sofrimento de várias perdas
à medida que você avança, mas o
resultado no longo prazo é o que importa.
Pequenas vantagens se acumulam
depressa. Gigantes dos jogos como o Harrah's construíram um
império com base nisso. Seria ótimo se todos
nós pudéssemos simplesmente esperar por A-A para
enfrentar K-K de outro jogador. O problema é que pode muito
bem ser que sejamos nós segurando os reis contra os ases do
outro cara. Essa é outra coisa importante a favor do
acúmulo de fichas explorando pequenas vantagens - torna-se
muito mais fácil sobreviver depois que você se
depara com uma grande mão ou sofre uma bad beat.
Em resumo, minha filosofia de poker de
torneios é que, se você pode fazer um investimento
certo — um investimento similar a muitos dos que se mostraram
bem-sucedidos em todas as esferas do mundo dos jogos de apostas
— não há por que não fazer
tal investimento. Se alguém lhe dissesse que você
pode legalmente contar as cartas em blackjack e legalmente variar o
tamanho de sua aposta a seu bel prazer, você aprenderia a
fazer essas coisas e ficaria rico. Se alguém lhe dissesse
que tem um sistema seguro para conseguir 57 vitórias durante
as próximas 10 temporadas de baseball, você
utilizaria esse sistema e ficaria rico. E se alguém lhe
mostrasse A-K depois de ter ido de all-in, você deveria pagar
com suas duas damas e aproveitar as chances em seu favor.
Artigo de Matt Matros,
publicado na revista Card
Player Brasil Ano 2, N°. 15.
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