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21/03/2010


Trincas
(por Bob Ciaffone)


Jogue bem com elas para ser bem-sucedido.


Uma das melhores sensações do poker é flopar uma trinca com um par na mão, uma das mãos mais fortes no hold'em. Na prática, isso acontecerá menos de uma vez a cada 200 mãos. Primeiro, você tem que receber um par, o que ocorre apenas uma vez a cada 17 mãos. Depois, precisa ver o flop (não é preciso dizer que, se você nunca larga um par pré-flop, está vendo flops demais). Então, você precisa conseguir uma das duas únicas cartas do baralho num flop de três cartas. Você é um azarão em 7-para-1 para flopar uma trinca com um par na mão. Não é de impressionar que até um veterano como eu fique empolgado quando o flop me dá uma trinca: é uma mão relativamente rara.

Muitas pessoas agem como se conseguir uma trinca no flop as eximisse de toda responsabilidade de jogar bem. Isso não é verdade. Eu concordo que é mais fácil jogar com sua trinca do que com uma mão medíocre. Mas o fato de você estar mais propenso a entrar em um grande pote significa que jogar com uma trinca é um grande fator para se dar bem no hold'em, particularmente no-limit.

Uma mão boa como uma trinca irá perder muito dinheiro se alguém montar um draw, então eu tomo o cuidado de evitar dar uma carta grátis a um jogador que possa acertar uma sequência na gaveta e me derrotar. Por exemplo, se o flop for A-J-7 rainbow, eu não pediria mesa com uma trinca de valetes. Na verdade, eu também não faria uma aposta barata. Se meu oponente tiver A-K, um ás alto ou uma trinca de setes, eu ficarei mais do que feliz em dar a ele a chance de se enforcar. Eu não gosto de jogos de adivinhação no turn pedindo mesa no flop, muito embora meu oponente tenha, no máximo, quatro outs. Eu desconheço as cartas dele, então se qualquer carta entre um 8 e um rei aparecer, eu não tenho nenhuma segurança de que minha mão ainda é boa. Se eu apostar no flop, ele pagar e uma carta para a sequência aparecer, eu normalmente jogarei contra ele como se ele tivesse uma sequência, a não ser que as apostas indiquem outra coisa. Ele pode ser um azarão em 11-para-1 para acertar uma gaveta, mas o call certamente será tão alto que vai valer a pena para ele tentar formar o draw se ele puder fazer isso sem gastar muito. Não ache que, se você apostar um terço do pote, ele cometerá um sério erro pagando em uma mesa de no-limit. Ao contrário, no-limit é um jogo de implied odds, então você deve fazer uma aposta de montante sólido para se certificar de que ele está recebendo odds insuficientes para jogar, mesmo que as implied odds façam valer a pena.

Quando os estoques são grandes e muito dinheiro começa a entrar no pote, nem todas as trincas têm o mesmo valor. Embora uma disputa entre trincas seja uma ocorrência rara, você deve levar em conta essa possibilidade. Como você vai tratar pequenos pares depende da qualidade do jogo. Com blinds de $1-$2, muitos jogadores acham que ter um par de ases ou emparelhar A-K em um flop baixo significa ter que proteger sua mão com todo seu dinheiro. Contra tais principiantes, eu acho que todo par é jogável se você conseguir ver o flop pagando pouco. Nas mesas em que normalmente jogo — com blinds de $5-$10 a $25-$50 — a trinca mais baixa é uma mão com a qual se preocupar se as fichas começarem a voar para o pote. Quando o bordo possui cartas que dão margem a draws, você pode ser colocado em uma situação da qual simplesmente não há como escapar com essa mão, pois os demais jogadores são agressivos com seus draws. Para mim, a melhor defesa contra essas armadilhas com trincas mais baixas é o fold pré-fiop. No mínimo, eu me certifico de ter posição quando vejo um flop com pares baixos. Pares de 5-5 a 2-2 não são mãos jogáveis em multi-potes com raise. E provável que haja outros jogadores com pares maiores que o seu. Se alguém aumentar e você pagar com 4-4, e uma outra pessoa pagar com 8-8, o dinheiro dela será mais acertadamente investido que o seu. É improvável que ela vá além a não ser que o flop a beneficie, e nem você, mas em qualquer grande pote disputado entre vocês, vai lhe restar apenas um out no baralho. Muito embora essa ocorrência seja rara, ela é cara e provavelmente pode lhe custar todo seu dinheiro.

A segunda melhor trinca é muito mais confiável que a mais baixa. Apenas uma mão lhe derrota. Além disso, existem muitas situações em que você pode estar certo de que não está enfrentando a trinca mais alta. Por exemplo, você entra de limp com um par de noves e vários outros jogadores pagam. O flop vem Q-9-6, dando-lhe a trinca do meio. Quem na mesa vai mostrar um par de damas? Quase certamente, ninguém. Se muito dinheiro começar a entrar no pote, você pode jogar com sua mão como a melhor. Além disso, quando você segura a segunda melhor trinca, existe alguém que possui uma mão que ele acredita ser a melhor, mas na verdade é uma trinca menor!

Naturalmente, a trinca mais alta é a melhor delas, pois é o nuts, a não ser que haja possibilidades de sequências ou flushes no bordo. Muitas vezes, um jogador que segura esse tipo de mão a trata como se fosse impossível alguém acertar um draw e derrotá-la, em especial se houver um par virado no bordo. Minha filosofia no poker é que você não deve fazer slowplay com essa mão, pois pode dar uma carta grátis sem muita chance de alguém formar um draw. Eu joguei essa mão (que me causou uma profunda sensação em mim) há cerca de um quarto de século: eu segurava A-9 em um pote sem raise. Meu oponente era um cavalheiro que irei chamar de "O Acionista". O flop tinha vindo Q-9-9 com duas cartas do mesmo naipe. Eu apostei e meu oponente pagou. O turn foi um 8 de naipe distinto, tornando uma sequência possível. Eu apostei e ele pagou. No river, a terceira carta do flush surgiu. Eu pedi mesa e meu oponente fez uma aposta de tamanho decente. Eu imaginei que ele tinha formado um draw em algum momento, e desisti. Ele me mostrou um par de damas e levou o pote. Se ele tivesse aumentado no flop em vez de simplesmente pagar, não tinha como eu não ir à falência. Portanto, lembre-se de não fazer slowplay automaticamente com uma mão que pode ser jogada dessa forma sem se preocupar com a formação de um draw. Um bom jogador reconhece que há outra coisa com que se preocupar: perder seu mercado.


Artigo de Bob Ciaffone, publicado na revista Card Player Brasil Ano 2, N°. 16.




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