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28/03/2010


Momento de decisões cruciais
(por Igor Federal)


Jogando nos blinds.


Quando estiver jogando nas posições dos blinds (small ou big), muito frequentemente você irá enfrentar a situação de algum outro jogador da mesa já ter aumentado a aposta. Qual é a melhor atitude a se tomar nessa hora? Sua decisão se restringe a três únicas opções: fold, call ou raise. Normalmente, a opção mais comum é largar, pois você tem uma grande desvantagem ao jogar fora de posição, falando antes de seu adversário por todo o resto da ação daquela mão.

Porém, para ser mais específico, o melhor é dividir seu comportamento dentro de três momentos:



Hora de ter paciência, disciplina e controle.

Quando os blinds estão baixos: nessa fase é melhor entregar os blinds sem muita dificuldade, demonstrando para mesa que você não tem resistência a entregá-los e criando para si uma imagem conservadora, que poderá ser importante na hora de defender suas fichas quando os blinds já estiverem bem mais altos.

Procure deixar roubarem seus blinds na grande maioria das vezes. Dê somente call com mãos como AK, AQ, AJ e largue mãos como KT, AX, K9, J8, QTo e todas as outras, claro.

Contente-se em jogar mãos de alto valor futuro, dando call com pares baixos e suited connectors, ou voltando reraises somente com mãos extremamente fortes como pares altos (TT+) ou AKs. Ainda assim, cuidado com o pós-flop, pois não é hora de arriscar muito, mesmo com uma mão forte, depois de um bordo duvidoso.

Lembre-se que as fichas em jogo naquele momento não farão você ganhar o torneio logo de cara, mas perdê-las pode fazer uma falta imensa. Além disso, como já dito, jogar fora de posição é uma desvantagem grande, mesmo com uma mão qualificada.

Evite se colocar em situações difíceis e comprometedoras logo no início de um torneio longo. Não há nenhuma necessidade que justifique esse comportamento.



Hora de jogar o seu melhor poker.

Quando os blinds estão médios: é o momento mais perigoso, pois a quantidade de fichas que você tem que pagar pelos blinds já não é mais insignificante a ponto de deixá-los ir com extrema facilidade, mas também não é alta o bastante para induzi-lo a arriscar todo seu torneio num movimento precipitado. Também é nessa altura que os jogadores se colocarão em uma situação mais (ou menos) favorável para enfrentar a reta final do torneio. Para mim, esse é o momento de poker mais bem jogado, mais puro, mais técnico. E o instante em que a quantidade de fichas envolvida em cada pote permite que cada jogador dê o melhor de si, em seus movimentos, no tamanho de suas apostas, num possível blefe, num adequado tamanho de cada aposta, num lindo call arriscado ou num magnífico fold que lhe salva de ser eliminado de forma brilhante. É a hora de jogar o seu melhor poker e mostrar sua habilidade contra os "baralhões" espalhados por todas as mesas.

Nessa fase, alterne seu comportamento dando mais fold do que call ou raise, mas dê alguns calls contra jogadores ativos e jogue o pós-flop com mãos defensáveis, como KJs, AJ, AT, KQo, QTs, J9s etc.

Volte também alguns reraises fortes em jogadores muito ativos que estão constantemente roubando seus blinds e aproveite para testar o comportamento deles: essa informação lhe será muito útil para a reta final do torneio. Ou seja, se mostre bem mais ativo que no início, demonstrando que roubar seus blinds já não é mais tão fácil, mas também não estrague seu torneio com uma mão marginal por um simples momento de irritação ou descontrole.

É o momento de jogar o poker puro, pois os potes já não devem ser desprezados, apesar de não ser grandes o bastante para você se comprometer decisivamente com eles.



Hora de fazer o movimento certo na hora certa.

Quando os blinds estão altos: procure quase não dar call. Nessa altura dos acontecimentos, os blinds já estão bastante altos e representam uma boa quantidade de fichas em relação à grande maioria dos stacks da mesa, então tentar roubá-los passa a ser o objetivo de grande parte dos jogadores. Consequentemente, defendê-los na hora certa e de forma precisa passa a ser uma missão bastante importante na sua estratégia de vitória. Entretanto, ficar dando call não tende a ser uma estratégia adequada, pois você jogará fora de posição e deixará um jogador, que possivelmente está tentando roubar os seus blinds com uma mão fraca, ver - e eventualmente acertar - o flop e lhe colocar numa encrenca sem nenhuma necessidade. Dê muito mais reraises que call.

Também nesse momento, muito jogadores entrarão de all-in, pois as fichas que já estarão no pote, entre blinds e antes, já são o suficiente para aumentar o stack daqueles que têm poucas fichas. Desse modo, muitas vezes a ação chegará até você com algum jogador já tendo colocado todas as suas fichas no meio da mesa e sua única decisão será pagar ou não. Evite ficar pagando all-ins com mãos marginais, a não ser que você também esteja com muitas (ou muito poucas) fichas e o movimento de seu adversário pareça um claro roubo de seus blinds. Somente nessa situação entre numa "gamble". Não desgaste um stack médio com mãos duvidosas. Dê também alguns reraises fortes em jogadores com stacks médios, isso poderá gerar um importante acúmulo de fichas. Mostre que roubar seus blinds é uma missão árdua e que é melhor vir armado ou escolher qualquer outro para um roubo simples de blinds. Porém, procure basear sua ação de acordo com o seu stack, com o stack de seu adversário, com o seu M (relação de suas fichas em relação aos blinds), com o perfil de seu adversário (que você pôde ir constatando ao longo de todo o torneio: se é um jogador mais ativo, que gosta de jogar e entrar de raise em muitas mãos ou se é um jogador mais tight, que raramente se envolveu no pote com mãos duvidosas), de acordo com a sua própria imagem (que você construiu na mesa ao longo do torneio) e com a posição de onde partiu o raise (quanto mais perto do dealer, maior é a probabilidade de ser um roubo de blinds - mas não encare essa informação como exata, pois o dealer ou o cut-off não estão impedidos de sair com mãos premium).


Artigo de Igor Federal, publicado na revista Card Player Brasil Ano 2, N°. 16.




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