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25/04/2010


Slowplay
(por Raul Oliveira)


Como todo risco, deve ser calculado.


Sua mão é 8 8 em um bordo com 8 5 3. Com mais três jogadores envolvidos no pote, o primeiro a falar é você. O que fazer: dar check ou sair apostando? Com certeza, essa é uma das situações que sempre geram a dúvida sobre fazer ou não o slowplay.

Basicamente, executar um slowplay é ter uma mão muito forte e decidir jogá-la de forma mais arriscada, simulando uma mão fraca. Isso significa que, ao invés de executar uma aposta padrão, você opta por não colocar nada ou fazer uma bem pequena, na torcida para que seu adversário siga em frente, melhore o jogo dele e você maximize seu lucro. Mas, salvo raras exceções, o fato de o adversário seguir na mão sempre aumenta a chance de vitória dele.

Essa jogada pode ser feita em todas as rodadas de apostas, mas costuma ser mais utilizada pré-flop e no flop. Um caso clássico é quando um jogador vem com AA e apenas entra de limp. Como tudo na vida, essa jogada tem um lado bom e outro ruim.

A parte ruim é que, caso ninguém dê raise e a mão rode apenas em call, você fica sem leitura nenhuma dos adversários. Além disso, se vários jogadores participem do pote, você deixa de ser favorito com o seu AA.

Já o lado bom é que ninguém lhe põe com AA na mão - que é a ideia do slowplay - e isso possibilita que você maximize bastante seu lucro em caso de vitória. Ainda, sempre que alguém tentar roubar o pote com um raise, você fica numa situação interessante para maximizar seu AA.

Por último, esse move deixa seu jogo mais imprevisível do que se você sempre abrisse raise ou desse bet com mãos fortes.

Uma dica é saber em que tipo de mesa se está jogando. Diante de adversários agressivos o slowplay tende a funcionar, pois, em jogos assim, dificilmente ninguém vai dar raise para roubar os limps. Já numa mesa loose essa não é a melhor opção, considerando que a tendência é que haja mais gente entrando de limp, reduzindo drasticamente seu percentual de vitória com AA.


Atenção: é importante perceber que o fato de ele dar certo não quer dizer exatamente que seu lucro será maximizado. Em certas ocasiões, sair apostando é a melhor forma de aumentar seus ganhos na mão.


Como eu disse, esse move pode acontecer em todas as rodadas de apostas, mas costuma ser executado mais no flop e no turn. No river sua aparição é rara, já que sua taxa de sucesso é bem reduzida.

Depois do flop, o slowplay clássico ocorre quando flopamos uma trinca, segurando um par na mão; uma sequência; ou, às vezes, um flush (sendo esse último mais complicado de funcionar).

Em todo caso, para executá-lo bem, mais importante do que a escolha da rodada é a análise o cenário. Os pontos que merecem atenção são:


Sua posição.
Conhecer as ações dos oponentes na hora de falar é importantíssimo para definir se o momento é propício para a execução da jogada.


A textura do bordo.
Se as cartas comunitárias forem perigosas, contendo duas do mesmo naipe ou três próximas, como J-8-7, um 9 ou um T no turn pode fazer sua trinca de oitos perder toda a força.


Quantos adversários estão na mão.
Por incrível que pareça, uma mão com 4 ou 5 jogadores muitas vezes roda em check num bordo suspeito. Então, muitos jogadores na mão nem sempre é sinônimo de sucesso no slowplay. E o inverso também vale, ou seja, não é porque se está num heads-up que ele não vai dar certo.


Agressividade dos envolvidos na mão.
Obviamente, quanto mais agressivos, maior a taxa de sucesso.


Dessa forma, assim como em qualquer outra estratégia do hold'em, o slowplay merece uma análise geral da situação. Um erro grave e muito comum dos iniciantes é querer fazer esse move em todas as mãos boas que flopam, portanto, antes de dar check com uma trinca, pense bem no que você quer com isso e analise o risco da jogada.

Para ilustrar uma situação em que o slowplay foi a melhor opção, vou mostrar um exemplo que aconteceu comigo:

Torneio em Vegas. Eu estava em middle position e recebi 8 8, blinds 400-800, e eu tinha 15.600 fichas. Abri raise de 2.400 e todos os jogadores largaram, menos o dealer, que possuía 16.000. O flop veio Q 8 3, me dando o segundo melhor jogo possível (estaria perdendo somente para QQ). Saí apostando $3.000 e o oponente pagou minha aposta. No turn veio um 2.

Agora vamos parar e pensar: no momento, o pote é de $12.000 fora os antes. Eu tenho $10.200 fichas e meu adversário $10.600, ou seja, ambos têm menos fichas do que o pote, o que o torna desesperadamente necessário para ambos.

Caso eu desse all-in, provavelmente só seria pago se ele tivesse uma Q (o que era difícil, já que ele não me voltou no bet do flop). Outra hipótese remota era ele estar me pescando com 33: nesse caso, qualquer jogada funcionaria.

Porém, a hipótese mais provável é que adversário tivesse um par na mão - talvez 55, 66, 77, 99 ou TT, já que com essas mão ele poderia ter dado call no raise do pré-flop, e me testado ao pagar no flop. Foi pensando nisso que fiz o slowplay abrindo check: a jogada funcionou e meu adversário sem hesitar me deu all-in, que paguei imediatamente. Ele abriu 99. No river veio um 7, e eu levei o máximo que poderia nessa mão.

Notem que, se eu tivesse apostado forte no turn em vez de ter dado check, provavelmente meu adversário teria jogado fora par de noves, e eu deixaria de ganhar 10.200 fichas a mais.

Mas, como eu disse antes: preste sempre atenção no bordo antes de usar o slowplay.

Vamos imaginar, nessa mesma mão, que três das quatro cartas viradas fossem de naipes iguais. Nesse caso, a melhor jogada seria apostar no turn, já que ao pedir mesa eu daria a possibilidade do meu adversário fazer isso também, vendo o river de graça, caso estivesse jogando pelo flush.

Assim, antes de usar o slowplay, lembre-se de que é necessário analisar se ele é o melhor caminho para maximizar a mão, e quão arriscado é dar uma carta grátis quando ele não funcionar.

Grande abraço a todos.


Artigo de Raul Oliveira, publicado na revista Card Player Brasil Ano 2, N°. 17.




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