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02/05/2010


Resistindo ao reflexo de aumentar em no-limit hold'em
(por Ed Miller)


Em geral, dar call não é tão ruim.


Sem dúvidas, você já ouviu falar que a chave para o poker é nunca dar call. Aumente ou largue. Se você não puder dar raise, dê fold.

Esse talvez seja um conselho útil para um jogador casual que não viu ainda quão poderosa a agressividade pode ser. Mas eu acho também que essa é uma recomendação bastante limitante, que falha em explicar como jogar diversas situações muito comuns.

Em geral, pagar não é tão ruim. Isso é especialmente verdadeiro quando se tem posição e ainda há muito dinheiro para trás. A habilidade de esperar e ver é uma arma posicional bastante poderosa, e, se você for ávido demais para colocar seu dinheiro no meio da mesa, perderá com isso.

Por exemplo, digamos que você tenha Q-J no cutoff com $500 em uma mesa $2-$5. Alguns jogadores entram de limp, e nós aumentamos para $25. Todo mundo desiste até o big blind, que paga, assim como um limper. O pote de $82 tem três jogadores.

O flop vem Q-10-7 com duas cartas de paus. O big blind pede mesa e o limper aposta $45. A ação é nossa. O apostador do flop é um jogador agressivo, mas não é maluco. Ele apostaria mãos como flush e straight draws, top pair e talvez até um par mais fraco. Mas também apostaria mãos como dois pares e uma trinca. O que devemos fazer?

Eu aconselharia com veemência apenas dar call. O top pair decente provavelmente não é forte o bastante para disputar estoques e, se aumentarmos, o pote será grande o suficiente para que a próxima aposta comprometa todo nosso dinheiro.

Se pagarmos, o big blind aumentar e o apostador do flop for all-in, temos um easy fold. Se, como é mais provável, o big blind desistir e ficarmos heads-up no turn, estaremos bem. Se uma boa carta surgir no turn, como um 4 de outro naipe, e nosso oponente pedir mesa, apostaremos pelo valor com nossa mão. Se vier uma ruim, como o A, e nosso oponente fizer uma aposta forte, largaremos. Se uma boa carta aparecer e nosso oponente apostar mesmo assim, temos de tomar uma decisão. Pagar nos mantém na mão e nos permite conseguir mais informações antes de tomarmos uma decisão final com nosso estoque. Esse é o poder da posição.

Sempre que você tiver posição e houver muito dinheiro para trás, você está em uma situação flexível. Às vezes é bom deixá-los na dúvida.

Em limit hold'em, proteger sua mão é uma estratégia fundamental. Se você tiver o top pair no flop e alguém apostar, na grande maioria das vezes deve-se aumentar. Uma meta é construir um pote com a melhor mão. Mas outra meta importante é proteger sua mão — ou na verdade, proteger o pote. Como o pote geralmente é grande (talvez oito ou dez bets) comparado ao tamanho de um aumento (uma bet), geralmente vale a pena dar um raise extra em uma situação pouco clara para tentar fazer com que seus oponentes larguem, consolidando suas chances de vencer. Se você se deparar com um reraise, é apenas mais uma bet que, comparada ao tamanho do pote, não é uma penalidade muito grande.

Bons jogadores de limit hold'em desenvolvem um reflexo de aumentar no flop. Eles aprendem a aumentar com top pairs, draws, middle pairs e às vezes com overcards ou coisa pior. Como o pote é grande em comparação ao raise, isso é a coisa certa a ser feita.

Em no-limit, contudo, você precisa desaprender esse reflexo e repensar parte da agressividade. Às vezes o pote ainda é grande em comparação às apostas (geralmente quando os estoques são pequenos ou quando muito dinheiro entra pré-flop). Nesse caso, em geral ainda é melhor empurrar e rezar. Mas quando o pote for pequeno (particularmente se os jogadores apenas entraram de limp pré-flop) e os estoques forem grandes, o equilíbrio risco-benefício não compensa mais agressividade pura. Se você flopar um top pair e se precipitar com aumentos e reaumentos, pode acabar perdendo muito em um pote que tinha apenas algumas fichas quando você começou: isso não é bom.

Quando o pote for pequeno, proteger sua mão — na verdade, o pote — não tem muito valor, já que não há muito o que proteger. Se você deixar de aumentar e alguém acertar uma draw que lhe derrote, não tem muita importância — se você largar antes de perder uma parcela grande de seu estoque. Em outras palavras, você tem duas prioridades principais quando flopa um top pair em um pote pequeno: agregue valor às suas piores mãos e evite perder um grande pote. Perder um pote pequeno não tem importância. Proteger sua mão é apenas uma modesta consideração. Vale a pena obter valor com as piores mãos sem perder grande parte de seu estoque.

Em geral, a melhor maneira de alcançar ambas as metas é fazer slow-play no flop, pagando. Com posição, você sempre terá a opção final de apostar pelo valor. Portanto, terá a oportunidade, mais tarde, de construir um pote de tamanho médio digno de seu top pair. E, simplesmente dando call, você evita inflacionar as apostas e mantém o pote confortável para a força de sua mão.

Dar call pode ser melhor se vários jogadores ainda forem falar. Mais uma vez, proteger sua mão não tem tanta urgência quanto em limit. Se alguém conseguir uma draw, não importa, desde que o pote ainda seja pequeno. É melhor evitar perder os grandes potes e, francamente, é muito mais provável que perca um grande pote se o tiver construído com raises.

Naturalmente, você deve aumentar com top pairs às vezes também. Se estiver enfrentando um jogador loose-aggressive ou um loose e previsível, não deve temer tanto um grande pote, pois o jogador agressivo vai construir um pote assim com as piores mãos, e o loose e previsível não vai fazer um grande move sem um monstro. Mas aumentar está longe de ser um imperativo, e em regra é melhor apenas dar call e ver o que acontece. Se todo mundo largar e seu oponente pedir mesa no turn, você pode apostar pelo valor no turn e no river. Por outro lado, se uma guerra de raises estourar, pode-se calmamente dar fold, sabendo que sua posição, combinada com sua postura de esperar para ver, lhe salvou uma boa soma.


Artigo de Ed Miller, publicado na revista Card Player Brasil Ano 2, N°. 17.




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