Facebook Popup Widget



   Artigos

 Dicas de Poker no facebook Dicas de Poker no Twitter Clube Dicas de Poker

31/05/2010


Torneios versus cash games
(por Bob Ciaffone)


Você deve jogar os dois ou se especializar?


Você deve jogar tanto torneios quanto cash games, ou se especializar? Que formato oferece uma maior chance de sucesso financeiro? Cada formato requer um estilo de jogo específico? Esta coluna falará sobre esses e outros assuntos.

Primeiro, vamos definir "torneio". Estou me referindo a jogar em um evento multi-table de tamanho decente, não um sit-and-go em que você está tentando ganhar uma pequena quantia de dinheiro em um evento de uma mesa, ou um evento de $20 ou $40 de buy-in que é mais por diversão do que qualquer outra coisa. Estamos falando de jogar em limites altos o suficiente para que você possa se sustentar com eles - ou pelo menos tentar.

Somos todos indivíduos. Antes de falar sobre esses assuntos com você, irei discutir como lidei com eles durante minha carreira de jogador de poker profissional.

Jogar apenas torneios requer uma grande quantidade de dinheiro, pois você experimentará fases ruins não importa o quão bem jogue. Cash games são a forma de colocar comida na mesa; e torneios, de tentar ganhar um extra de vez em quando. Eu e muitos outros profissionais gostamos de jogar ambos, usando os cash games para nosso ganho básico e torneio para ter uma chance de alcançar um prêmio maior. Embora eu tenha disputado nove eventos da World Series of Poker com buy-in de $10.000 (na maioria deles, vendendo parte da minha porcentagem), quase toda minha experiência de torneios vem de jogar em eventos com buy-ins variando de $200 a $1.500. Embora tenha ido bem, eles custam horas que poderiam ter sido gastas em cash games (que geralmente são muito melhores quando há um grande torneio acontecendo), então eu escolho bem os momentos.

Acho que é essencial para qualquer um que deseje ser um bom jogador de torneios ser bom em cash games, ou pelo menos bom nas técnicas do cash game. Tudo bem, conheci um número de jogadores que se davam bem em torneios, mas não tinham tanto sucesso em cash games. Cada uma dessas pessoas tinha algo em comum: todos tinham problemas de disciplina. Em cash games, eles jogavam mãos demais, e gostavam demasiadamente de ação. De fato, alguns tinham problemas de disciplina com jogo em geral. Talvez o melhor exemplo disso seja Stu Ungar, que tem a reputação de ter torrado um milhão de dólares jogando golf na primeira semana depois de ter vencido a World Series of Poker de 1980. Os agentes de apostas ficaram realmente chateados com o que aconteceu.

Muitas pessoas gostam de dizer que, em torneios, você tem que ser mais agressivo porque os blinds são muito maiores em relação ao seu stack. Isso é verdade durante boa parte do tempo, mas não é uma regra. Quando você é jogador de torneios, se estiver ganhando uma boa quantia de dinheiro, do tipo que não torna necessário dirigir um veículo com 10 anos de uso e alugar um quarto barato em algum lugar, jogará torneios nos quais a proporção blinds-stack no início do evento parecem mais cash games. Não esqueça de que os grandes torneios frequentemente começam com um stack inicial de 200 big blinds.

Minha principal razão para estar escrevendo sobre esse assunto é que muitas pessoas vêm me dizer que querem aprender a jogar torneios de no-limit hold'em, mas não estão interessadas em cash games. Tenho que explicar para elas que é essencial aprender a jogar com um stack grande mesmo que não queiram se especializar em torneios. Em minha opinião, cash games são um subconjunto de torneios, exceto, talvez, por lidarem com muita pressão.

Há alguma diferença entre jogar com um stack alto em um cash game e jogar com um stack alto em um torneio? Sim, mas principalmente na psicologia, não nas técnicas de jogo. Então vamos falar sobre a psicologia de cada situação.

Um cash game permite que você revire seus bolsos em busca de mais munição. Um jogador de torneios que perde um ou mais potes grandes irá ficar tão nervoso quanto um de cash games que perde um ou mais potes grandes. A diferença é que o jogador de torneios estará amargando na torcida, enquanto o de cash games se esforça para dar a volta por cima. Viva a diferença! A maior parte dos ganhos de um jogador de poker vem de pessoas que não conseguem evoluir e desperdiçam grandes quantidades de dinheiro. Muitos profissionais preferem um ambiente de poker em que ficar nervoso seja não apenas permitido como punido.

A psicologia dos torneios varia enormemente com o tipo de evento. Se o buy-in é baixo e não há nenhum título digno de menção em disputa, o jogo é bastante alegre, e você não consegue intimidar as pessoas somente porque irão ser eliminadas se perderem uma grande mão. É por isso que os melhores jogadores de torneios apimentam os maiores eventos, como a WSOP e o WPT. Veja o que acontece quando um jogador local dá sorte e ganha um satélite para jogar na World Series. Todos os seus amigos irão lhe perguntar como ele foi, e a última coisa que ele quer dizer é: "fui eliminado logo no começo". Muitas dessas pessoas dariam quase tudo para voltar para casa e começar a nomear jogadores conhecidos contra quem eles puxaram potes ou quanto tempo a mais ficaram no torneio do que os grandes nomes. Tal jogador local pode ser facilmente atropelado por vilões que buscam conseguir exatamente o contrário do que ele quer fazer. Como diz o ditado, "Para sobreviver, você deve estar disposto a morrer."

Há certas situações que acontecem em torneios que não tem contraparte em cash games. Um bom exemplo é a estratégia de fim de torneio, quando todos estão na zona de premiação, e não ir à falência é recompensado com uma grande premiação. Isso frequentemente faz com que os jogadores não corram riscos que julgam desnecessários quando um ou mais jogadores estão com stacks baixos e em breve terão que colocar todas as fichas no pote. Aqui, há duas considerações que vão em direções opostas. Parece prudente ficar fora da briga até que o short stack seja eliminado ou ganhe um pote. Por outro lado, é razoável exercer pressão em oponentes quando a situação os deixa ávidos para ficar fora do caminho e simplesmente lhe deixar levar pequenos potes. Eu sou a favor desse segundo plano de ação quando tenho um stack de tamanho decente, mas quando estou short (não o mais short de todos no torneio), tenho que ser mais conservador e simplesmente tentar ficar vivo.


Artigo de Bob Ciaffone, publicado na revista Card Player Brasil Ano 2, N°. 18.




Gostou do artigo? Deixe seu comentário e compartilhe com seus amigos.