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15/06/2010


Call ou raise pré-flop
(por Igor Federal)


Mixando o jogo através do limp.


Normalmente, quem está começando no poker utiliza a seguinte estratégia: poucos raises pré-flop e muitos calls, jogando a partir do flop aberto. Então, resolvi escrever este artigo pensando naqueles que estão realmente iniciando, e que jogam os torneios somente dando calls pré-flop até acertar uma mão enorme, tentando ganhar fichas quando isso acontece.

Um dia desses, num desses vários torneios em que cruzamos com pessoas que gostam de discutir e debater mãos, um garoto de uns 20 e poucos anos me contou como ele jogou determinada mão.

Começou assim: "Eu estava com KK e era o terceiro a falar. Os dois primeiros jogadores saíram da mão e eu só paguei pra não denunciar meu KK" - daí pra frente eu só estava esperando catástrofe, e não deu outra. Cinco jogadores viram um flop com 5-7-9, sendo duas de copas, e ele e mais dois jogadores se envolveram num all-in triplo. Um já estava seguido (6-8), o outro tinha um flush draw que acabou batendo no turn, e o garoto foi eliminado do torneio.

Então, ele me questiona: "Você teria pagado o all-in???"

A pergunta não é essa... Depende de quantas fichas eu tinha, da average do torneio, do perfil dos outros dois jogadores, da minha vantagem competitiva na mesa. Depende de muita coisa, não dá pra responder assim.

A verdadeira pergunta é: "Mas por que raios você não apostou pré-flop com par de reis?". "Ah... Mas todo mundo iria suspeitar do meu KK se eu apostasse pré-flop", diria o garoto. Mas é claro que iriam - você não aposta nunca! Entra toda hora de limp, limp, limp! Quando der um raise, todo mundo vai saber que está com uma mão premium mesmo!

Subir uma aposta pré-flop é quase uma obrigação para um jogador intermediário ou avançado.

Não aposte pré-flop somente com mãos do grupo 1 ou 2 (vide quadro explicativo): se está decidido a jogar com uma mão, é porque sente força e valor nela - então aposte. Se não se sente confortável e não vê valor em apostar, então sequer deve jogá-la.

Se você estiver enfrentando oponentes fracos, para ser sincero, tanto faz. Afinal, eles não estão preocupados se você subiu ou não pré-flop, nem se lembrarão disso na hora de pagar seu all-in no turn ou no river. Eles também não repensarão toda a jogada para decidir como devem agir contra você, muito menos se recordarão do seu histórico de limps ou raises pré-flop. Então, tanto faz...

Entretanto, se estiver jogando contra adversários de bom nível (que é onde todo jogador que lê artigos e estuda pretende chegar), pare de dar tantos limps quando for o primeiro a entrar numa mão. No meu caso, 95% das vezes eu aposto pré-flop ou dou fold.

Para mim, dar limp serve somente quando estou em começo de torneio, quando quero controlar potes, preservar a minha imagem e conhecer o estilo dos meus adversários - é quase uma "verba de reconhecimento" do terreno a ser explorado. Do meio do torneio para frente é raise ou fold.

Em algumas situações, você está no dealer e dois jogadores já entraram na mão somente pagando o big blind. Daí você olha, por exemplo, seu 44, 56s, JQ ou T8s e somente paga. Atenção: na grande maioria das vezes, ser o primeiro a entrar numa mão e somente pagar é um erro!

Em cash games então, nem se fala - as centenas de ótimos jogadores de cash que existem no Brasil teriam muito mais propriedade do que eu para falar sobre este assunto: entrar de limp numa mão é quase um sacrilégio. Jogador de cash quase fica arrepiado ao ouvir falar em "first limpers" (os primeiros que entram numa mão somente pagando).

Muitas vezes, se você raramente entrar de limp, quando chegar na reta final de um torneio e fizer isso, certamente confundirá bastante seus adversários - eis uma estratégia interessante para mixar seu jogo. Particularmente, não acho que seja o melhor movimento para a ocasião: minha intenção é confundir o adversário naquele instante.

Às vezes dou limp do UTG para confundir, podendo estar com um monstro ou uma mão especulativa. Já fiz isso até do button, e com blinds bastante altos, pois sabia que confundiria muito meu oponente. Da mesma forma que, às vezes, dou limp do button, posso empurrar uma overbet ou até um mini-raise (nesse caso, também do UTG).

Novamente, isso serve para mixar o jogo, tentar não dar leitura e se tornar imprevisível. Mas, em termos de expectativa, entrar de limp quase sempre tem valor negativo.

Se você não estiver acostumado a jogar com raises pré-flop constantes, entre numa mesa de valores bem abaixo daqueles que costuma jogar e experimente começar a agir dessa forma até se familiarizar mais com o estilo. Comece a jogar muito mais mãos do que está acostumado, sempre dando raises.

Até entender como jogar dessa nova maneira, você possivelmente vai perder muito mais do que ganhar. Mas, quando re-equilibrar seu jogo (agora com uma nova ferramenta a qual não estava acostumado), pode ter certeza de que terá atingido um novo estágio. Com raises pré-flop, garanto-lhe que você irá se surpreender com o novo nível de seu poker.

Good luck!


Grupos de Mãos de acordo com o "Teoria do Poker", de David Sklansky (em breve pela Raise Editora) e com o software de poker Sidekick (www.poker-sidekick.com)

Grupo 1: AA, KK, AKs

Grupo 2: QQ, JJ, AK, AQs, AJs, KQs

Grupo 3: TT, AQ, ATs, KJs, QJs, JTs

Grupo 4: 99, 88, AJ, AT, KQ, KTs, QTs, J9s, T9s, 98s

Grupo 5: 77, 66, A9s, A5s-A2s, K9s, KJ, KT, QJ, QT, Q9s, JT, QJ, T8s, 97s, 87s, 76s, 65s

Grupo 6: 55,44, 33,22, K9, J9, 86s

Grupo 7: T9, 98, 85s

Grupo 8: Q9, J8, T8, 87, 76, 65

Grupo 30: A9s-A6s, A8-A2, K8-K2, K8-K2s, J8s, J7s, T7, 96s, 75s, 74s, 64s, 54s, 53s, 43s, 42s, 32s, 32


Todas as outras mãos não mostradas são praticamente não-jogáveis.

Lembre-se: quanto mais próximo do dealer você estiver, mais mãos iniciais deve jogar.

Se estiver no dealer, em uma mesa cheia, recomenda-se jogar os grupos 1 a 6.

Em middle position, restrinja-se aos grupos 1 a 3 para uma postura tight, e 4 para ficar mais loose. Se estiver entre os primeiros a falar, limite-se aos grupos 1 para uma postura tight, e 2 para ficar mais loose.


Artigo de Igor Federal, publicado na revista Card Player Brasil Ano 2, N°. 18.




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