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22/06/2010


Mais maneiras "aceitáveis" de perder
(por Matt Lessinger)


Sinta-se bem por ter feito a jogada certa.


Em minha última coluna, eu discuti maneiras aceitáveis e inaceitáveis de ser eliminado de um torneio de no-limit hold'em. Com exceção do raro torneio que você ganha, você será eliminado em determinado ponto. Enquanto jogador de torneios, você deve aceitar isso.

Não se pode passar um torneio inteiro tentando evitar todas as maneiras de eliminação. Isso se torna prejudicial, pois leva a um estilo de jogo weak-tight, que é problemático em qualquer forma de poker, mas em torneios é morte instantânea.

Uma das chaves para o sucesso no longo prazo no poker é se certificar de que você está sendo eliminado de maneira aceitável sempre que possível — aceitável no sentido de que você pode se sentir confortável de que fez a jogada certa.

Isso geralmente significa que agiu agressivamente por uma boa razão ou que colocou suas fichas no pote com uma mão que seria vencedora na maioria das vezes.

O exemplo simples que eu usei em minha última coluna foi K-K versus A-A. Na vasta maioria das situações, ir all-in com um par de reis e se deparar com ases é uma maneira completamente aceitável de perder, no sentido que é praticamente inevitável e, se você começar a tentar evitar essas situações, provavelmente vai descartar a melhor mão com muita frequência.

É também aceitável — é óbvio — colocar todas as suas fichas no pote com a melhor mão e ver seu oponente acertar um draw que lhe derrota. Não há muito que possa ser feito a não ser colocar suas fichas com a melhor mão e, em vez de ficar irritado com a derrota, deve se sentir bem por ter feito a jogada certa.

Existem várias outras maneiras "aceitáveis" de perder. Eu tenho espaço suficiente para mencionar três:



1. Trinca contra trinca

Isso é bastante similar a K-K versus A-A. E uma daquelas situações em que, se você estiver do lado certo do confronto, duplica as fichas, e se tiver do lado errado, perde tudo. Se você largar uma trinca por medo de se deparar com uma melhor, é bom ter tido uma leitura tremendamente boa de seu oponente. Caso contrário, está jogando poker com medo, pura e simplesmente.

Eis uma história verdadeira de um de meus ex-alunos que eu chamarei de "Jerry". Nos estágios intermediários de um torneio, alguém aumentou de posição final e Jerry pagou do big blind com 8-8. O flop veio K-8-4 rainbow e ambos os jogadores pediram mesa. O turn foi um 3 e Jerry apostou metade do pote. O jogador que tinha aumentado pré-flop fez então um aumento moderado. Jerry foi all-in e foi pago instantaneamente, e seu oponente revelou uma trinca de reis, eliminando-o do torneio. Ele depois me perguntou se havia alguma maneira de ele ter se saído bem nessa mão.

Várias pessoas já me perguntaram coisas parecidas para saber que às vezes elas sabem a resposta. Ele tinha consciência que havia feito a jogada certa: apenas queria ouvir outra pessoa concordando. Mas caso haja alguma dúvida se Jerry poderia ter pensado por um segundo em dar fold, a resposta é um enfático não.

Mesmo que você esteja jogando contra o Rochedo de Gibraltar, que nunca parece dar ação a não ser que tenha o nuts absoluto, você ainda não pode começar a pensar em descartar uma trinca em um bordo desconexo. Como Jerry poderia descartar a trinca dele ali? Seria ridículo. Se o oponente dele tinha a trinca de reis, sorte dele, que vai levar o dinheiro de Jerry. Com meus estudantes, eu sempre me refiro a essas mãos como mãos "sorte dele", como "Sorte dele se ele lhe derrotaria, mas não havia como você pensar em desistir". Jerry foi eliminado de maneira perfeitamente aceitável, e o mesmo é verdade para quase todos os jogadores que perdem com trinca contra trinca.



2. Ir all-in com uma mão marginal em vez de ser engolido pelos blinds

Às vezes as pessoas ficam obcecadas com as cartas que seguram quando são eliminadas. Elas não querem ir para casa e pensar: "Eu não acredito que cai com K-9". Na verdade, elas geralmente pensam mais sobre a situação em que estavam do que nas cartas que seguravam.

Isso é especialmente verdade quando se tem um estoque pequeno. Você pode ter se dito antes do torneio que não queria ser eliminado com uma mão marginal, mas isso foi antes de ficar com um estoque pequeno. Agora o tempo está correndo e você tem que correr riscos calculados para sobreviver. Se a mesa rodar em fold e você estiver no cut off com quatro big blinds em fichas, deve ir all-in com uma grande gama de mãos. Você ainda terá fichas suficientes para desencorajar calls.

Se for pago e perder, tudo bem. Essa é uma maneira perfeitamente aceitável de ser eliminado. Você foi forçado a correr um risco e escolheu uma boa oportunidade. Foi o primeiro a apostar e tinha que derrotar apenas três oponentes para ganhar um pote de que precisava desesperadamente. Você apenas se deparou com alguém que tinha uma mão com a qual estava disposto a pagar.

Certa vez, no final de um torneio, Jerry tinha quatro vezes o big blind e foi all-in do cut off com K-9, mas foi pago pelo small blind, que tinha K-Q. Depois de ser eliminado, ele me disse: "Eu acho que devia ter esperado por uma mão melhor". Essa foi a maneira errada de ele encarar a situação. Esperar por uma mão melhor geralmente significa entrar em uma situação pior. Eu preferiria ter uma situação favorável e cartas marginais do que uma mão semiforte depois de alguém ter aumentado e outro pagado. A situação estava a favor dele, e ele fez o melhor para tirar vantagem disso. Por tal razão, pode considerar sua eliminação aceitável.



3. Uma tentativa de blefe frustrada baseada em uma má leitura

Quando alguém me diz que foi all-in blefando e tomou call, tudo que eu quero saber é como foi raciocínio dele. Por que ele achou que funcionaria? Ele leu seu oponente como sendo fraco? Caso tenha lido, por quê? Se ele puder responder essas perguntas, eu considero a eliminação aceitável. Ele fez uma leitura e teve a coragem de arriscar sua vida no torneio com base nisso. Bom para ele. Espero que pelo menos aprenda com seu erro e tente entender por que seu blefe falhou, de modo a evitar o erro no futuro.

Contudo, se alguém blefar com todas as fichas sem nenhum raciocínio, como um tiro no escuro, eu considero inaceitável. Ganhar no poker não é adivinhação. Quando você faz uma jogada, especialmente uma que leva à eliminação, é bom possuir uma boa razão para tanto. Em geral, se você arriscou sua vida no torneio, deve parar e se perguntar por quê.

Caso contrário, eu não vejo por que parar de fazer isso repetidas vezes. E isso é simplesmente inaceitável.


Artigo de Matt Lessinger, publicado na revista Card Player Brasil Ano 2, N°. 18.




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