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03/07/2010


Cálculo de "M" e Sistema de Zonas
(por Hugo Mora)


No artigo deste mês, vou falar sobre o índice conhecido como "M" e como seu valor influencia nas tomadas de decisão em um torneio de no-limit hold'em. Trata-se de um pequeno resumo de um trecho extenso do Volume II da trilogia Harrington no Hold'em, que trata detalhadamente deste assunto.

Este conceito já é conhecido há bastante tempo no mundo do poker, porém, não havia um nome para o mesmo até que Paul Magriel começou a chamá-lo de "M" – e pegou. Paul Magriel, para os que nunca ouviram falar, é um dos melhores jogadores de gamão do mundo, chegando a ser campeão mundial em 1978, e que nos anos noventa começou a se dedicar também ao poker.

Trata-se de um índice absolutamente importante, sobretudo nos estágios intermediário e final do torneio, em que os valores dos blinds e antes representam um percentual considerável dos stacks dos jogadores. Como já adiantei em meu último artigo, o "M" é simplesmente a proporção do stack de um jogador em relação à soma dos blinds e antes. Consequentemente, esse valor indica a quantidade de voltas na mesa que um jogador consegue sobreviver caso não entre em nenhuma mão, colocando apenas os blinds e antes. Segue abaixo um exemplo para o cálculo deste índice.


Exemplo:
Estamos na mesa final de um torneio online, com oito jogadores ainda na disputa. Os blinds estão em 5.000-10.000, com antes de 300, e seu stack é de 125.000. A mesa roda em fold até você, que está na posição do button. Os jogadores que estão nos blinds têm 48.000 (SB) e 220.000 (BB). Qual é seu M e os dos dois adversários?

Resposta: A soma dos blinds e antes é de 17.400 = [(8 x 300) + 5.000 + 10.000], portanto, seu M é de 125.000 divididos por 17.400, que resulta em um índice aproximadamente 7. Seguindo o mesmo raciocínio, o M do small blind é pouco menor do que 3 (48.000/17.400 = 2,76) e o do big blind é de quase 13 (125.000/17.400 = 12,64).


O Sistema de Zonas apresentado por Dan Harrington divide um torneio em cinco seções diferente. Segue abaixo a divisão e a estratégia básica para cada uma delas:



ZONA VERDE M ≥ 20

Sem dúvidas, esta é a melhor situação em que um jogador pode se encontrar, e é onde se deve tentar ficar ao longo do torneio. Na Zona Verde, o jogador tem condições de utilizar qualquer estilo – tight, loose, agressivo, superagressivo –, mudando quando quiser. Assim, têm-se várias armas a utilizar nesta Zona, não ficando restrito a nenhum tipo de jogada.



ZONA AMARELA 10 ≤ M ≤ 20

Aqui, você não pode ser muito conservador. Os blinds já estão machucando e é necessário soltar mais seu jogo para tentar aumentar seu stack. Em outras palavras, você precisa jogar mais mãos do que normalmente faria no estilo conservador. Porém, algumas delas se tornam menos valiosas e devem ser jogadas de maneira mais conservadora quando se está nesta zona, como os pares baixos e os suited connectors pequenos e médios. Isso se deve às implied odds, que nesta zona se tornam bem menores do que na Verde.



ZONA LARANJA 6 ≤ M ≤ 10

Nesta área, você precisa jogar de forma ainda mais agressiva do que na Zona Amarela, por razões óbvias. As jogadas devem ser simples e diretas, de forma que se deve decidir entre duas opções: ou você parte para cima e tentar levar o pote ou desiste da mão. É importante economizar fichas e aguardar uma boa oportunidade para tentar dobrar seu stack. Nesta zona, o first-in vigorish (algo como "a força da primeira aposta") assume papel importante, e muitas vezes você terá que considerar abrir o pote empurrando all-in. Assim como na Zona Amarela, os pares baixos e suited connectors pequenos e médios perdem valor.



ZONA VERMELHA 1 ≤ M ≤ 5

Quando estiver nessa zona, o desespero já será total. Qualquer jogada que fizer terá que ser all-in, pois apostas menores farão com que você se comprometa com o pote. Por este motivo, ao colocar seu all-in, você terá mais chances de levar o pote imediatamente. Muito embora, com um M abaixo de três, isso não importa tanto, pois a combinação das pot odds com a situação em que você se encontra fará com que pelo menos um dos oponentes acabe pagando seu all-in. Aqui, pares baixos e suited connectors voltam a ter valor.



ZONA MORTA M < 1

Não deixe os blinds comerem seu stack de modo a cair nesta zona. Geralmente um jogador cai nesta área quando entra em um all-in contra outro jogador com um stack quase do mesmo tamanho, porém menor. Só lhe resta pedir ajuda ao "Senhor do Baralho".



Na medida em que seu M diminui, a necessidade de ser mais agressivo aumenta. Mas é preciso que seja uma agressividade seletiva, principalmente quando você se encontra na Zona Amarela ou Laranja.

Voltando ao exemplo deste artigo, podemos perceber que você está na Zona Laranja, enquanto o small blind está na Vermelha, e o big blind na Amarela. São três jogadores em três zonas diferentes, que consequentemente devem adotar estratégias também diferentes, de acordo com a área em que se encontram.

Em um torneio de no-limit hold'em, é preciso estar sempre ciente de seu M. Também é importante saber, mesmo que em valores aproximados, o M dos adversários na mesa – principalmente os que falarão depois de você, para se ter uma idéia da situação em que cada um se encontra a cada momento. Baseado nisso, você poderá ter uma melhor noção da possível gama de mãos dos oponentes quando entrarem na mão.

É fato que em torneios de no-limit hold'em, especialmente online e com buy-in barato, muitos jogadores simplesmente desconhecem este índice e não mudam de estratégia quando estão em zonas diferentes. Portanto, é preciso sempre prestar bastante atenção aos adversários, de modo a perceber melhor a habilidade de cada um deles e como jogam com cada M.

Este foi apenas um aperitivo sobre o assunto. Para um estudo mais completo, com explicações mais detalhadas sobre as estratégias a serem adotadas em cada zona, sugiro que leiam o Capítulo 9 do Volume II da coleção Harrington no Hold'em, que trata não só desse índice, mas também de alguns outros pontos de inflexão. Como colocado por Dan Harrington, "Saiba que jogar corretamente, considerando os pontos de inflexão, é a habilidade individual mais importante em torneios de no-limit hold'em".

Vou ficando por aqui. Boa sorte a todos, e até a próxima!


Artigo de Hugo Mora, publicado na revista Card Player Brasil Ano 2, N°. 19.




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