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16/11/2010


Farejando blefes
(por Ed Miller)


Use raciocínio dedutivo.


Seu oponente — talvez sentindo fraqueza ou talvez sem se importar com os sentimentos — empurra uma aposta enorme e lhe desafia a pagar. Se ele tiver a mão que deveria ter, você está perdido. Mas você acha que algo está errado e decide acabar com isso. Você vai dar um basta. Assim que você diz: "Call", seu oponente balança a cabeça e fala: "Você ganhou", e dá muck.

Farejar um blefe é intensamente gratificante. Na verdade, é tão recompensador que muitos jogadores parecem ser viciados nisso. Em vez de dar a seus oponentes crédito por uma mão e largar, toda vez que veem uma grande aposta, eles começam a pensar: "Talvez isso seja um blefe também. Talvez eu possa desvendar mais esse. Não seria o máximo?" E eles se convencem a pagar.

Ocasionalmente eles detectam um blefe, mas com muito mais frequência se deparam com a mão que o oponente deles deveria ter. Ao longo do tempo, os potes que eles ganham não compensam todas as apostas que perdem. Eles se tornam caixas eletrônicos para seus oponentes, pagando mão após mão.

Mas você não tem que sofrer o mesmo destino. Há uma ciência por trás de como farejar blefes. Você não precisa pagar apostas de forma aleatória ou mesmo esperar até ter aquele "feeling". É possível detectar muitos dos blefes mais comuns utilizando raciocínio dedutivo.

A chave para descobrir um blefe é olhar para as apostas de seu oponente ao longo de toda a mão e pensar em todas as mãos legítimas que ele poderia ter se apostasse daquela maneira. Se um número de mãos perfeitamente possíveis fizer sentido para o jogo de seu oponente, ele provavelmente tem uma delas e, portanto, é grande a chance de não ser um blefe.

Mas se as mãos que ele provavelmente teria no flop ou turn não forem compatíveis com uma aposta no river, mas ele apostar alto de qualquer maneira, pode ser um blefe. Um blefe vale a pena ser levado em consideração em especial quando o flop continha um número de draws possíveis, nenhuma das quais chegou até o river. Quando o número de mãos verdadeiramente fortes for pequeno, mas for elevado o número de cartas importantes que não bateram, há grandes chances de seu oponente estar blefando.

Vamos analisar dois casos. Você e seu oponente começam cada mão com $500 em uma mesa $2-$5 de no-limit hold'em. Eu não lhe direi quais são suas cartas, pois não importa. Vamos supor que seja pelo menos um par, de modo que seja possível derrotar seu oponente se você pagar e ele estiver blefando.

Ele abre raise quatro posições antes do button com $20. O button paga, e você paga do big blind. O flop vem Q 8 6. Você pede mesa, o raiser pré-flop aposta $50 no pote de $62, o button larga, e você paga. O turn é o J. Você pede mesa, e seu oponente aposta $80 no pote de $162. Você paga. O river é o 4. Você pede mesa, e seu oponente aposta $140 no pote de $322.

Seu oponente aumentou pré-flop, apostou no flop contra dois jogadores e depois apostou no turn e no river. Ele começou no flop com uma aposta quase do tamanho do pote. No turn, apostou metade do pote. E no river, colocou um pouco menos que a metade. Não há flush possível no bordo até o river, mas duas sequências podem existir: T-9 e 7-5. Em geral, contudo, esse bordo é relativamente não-ameaçador para uma mão como um par de ases, dois pares ou uma trinca.

Seu oponente parece estar tentando conseguir valor com uma mão pronta. Ele não quer apostar tanto no turn e no river de modo a lhe assustar, mas quer que você pague. Com que mãos ele jogaria dessa maneira? Bem, dependendo do estilo desse oponente, ele poderia jogar desse modo com uma mão como A-Q ou mais forte. Um par de reis ou de ases seria consistente com a jogada, assim como um par de damas, de oitos ou de seis flopando uma trinca. Também potencialmente consistentes são pares de valetes para uma trinca no turn, ou Q-J para dois pares no turn. Mesmo T-9 para uma sequência no turn faria sentido contra um oponente agressivo. Essas mãos são todas plausíveis e se encaixam no jogo de seu oponente. Ele provavelmente tem uma delas. Não seja um herói. Apenas dê fold.

Agora vamos analisar uma segunda mão. Dois jogadores entram de limp e você aumenta para $30 do big blind. O primeiro limper paga, e o segundo larga. O flop vem T 7 4. Você aposta $45 no pote de $67, e seu oponente paga. O turn é o 8. Você pede mesa e seu oponente também. O river é o 2. Você pede mesa, e seu oponente aposta $140 no pote de $157.

Com que mãos seu oponente apostaria com tanto vigor no river? Em condições normais, uma aposta dessas num river como esse indica uma mão no mínimo forte, como dois pares. Digamos que T-8, qualquer trinca e as sequências J-9, 9-6 e 6-5 possam fazer uma aposta assim no river.

Mas o que pensar do pedido de mesa de seu oponente no turn? Todas essas mãos fortes foram formadas até o turn. Todas elas estão vulneráveis a um possível flush, e há duas quedas para flush no bordo. Além disso, as mãos com dois pares ou trinca também estão vulneráveis a cartas como valetes, seis e cincos, que colocam uma sequência de quatro cartas no bordo. Era de se esperar que a maioria dos jogadores apostassem com essas mãos no turn, não pedissem mesa.

Portanto, há uma inconsistência. Seu oponente está representando uma mão forte no river, mas ele presumivelmente teria apostado com cada uma dessas mãos no turn. Além disso, várias mãos fracas fazem sentido até a aposta do river. Um flush draw de paus faz sentido. Mesmo algo como A-J faz sentido. Portanto, as que seu oponente está representando não se encaixam com as ações dele, e ele poderia ter uma vasta gama de mãos fracas com as quais poderia decidir blefar. Essa é uma situação razoável para tentar desvendar um blefe.

Não é garantido que funcione. Às vezes você vai pagar e o oponente vai mostrar uma trinca de dois. Às vezes vai descobrir que seu oponente inexplicavelmente decidiu pedir mesa com alguma daquelas mãos fortes no turn. Mas se você achar que seu oponente é um blefador e quiser tentar desmascará-lo, suas chances são muito maiores na segunda mão do que na primeira. Se você compreender e utilizar esse processo de raciocínio, ao longo do tempo seu faro para blefes vai se tornar muito mais aguçado.


Artigo de Ed Miller, publicado na revista Card Player Brasil Ano 2, N°. 23.




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