Facebook Popup Widget



   Artigos

 Dicas de Poker no facebook Dicas de Poker no Twitter Clube Dicas de Poker

30/01/2011


Ação e Reação
(por Raul Oliveira)


Anti-Small Ball.


Depois de termos acompanhado passo a passo como funciona o small ball, nesta edição vamos conhecer a antítese natural dessa nova estratégia: o anti-small ball.

Não me lembro onde li isto, mas dizia que, toda vez que você estiver numa mesa tight a melhor estratégia é ser loose, e numa mesa loose, é ser tight. Seguindo essa mentalidade, acredito que a melhor maneira de encarar um jogador que se utiliza do small ball é executar um anti-small ball.

Logo de cara, o que podemos concluir é que o jogador de small ball gosta de potes baixos, portanto, encarecer o pote quase sempre será uma boa arma. Por exemplo, quedas para flush e sequência ou até mesmo raises blefando, maiores do que você costuma dar, funcionarão melhor contra esse tipo de oponente. Toda vez que puder colocá-lo numa situação em que o único move que ele possa executar seja o all-in, você vai tirar grande força do seu adversário.

Outra arma – e talvez a mais importante – é jogar em posição. Como vimos nos últimos artigos, toda a estratégia de manter o pote baixo e sob controle, depende, e muito, de ter a vantagem de falar depois do oponente. Então, quando se deparar com um jogador com esse estilo na sua mesa, evite jogar fora de posição contra ele e, ao mesmo tempo, force muito quando essa vantagem. Sendo o small ball uma estratégia em que se entra em muitos potes, você pode, de forma automática, jogar muitas mãos em posição contra o seu adversário. Se, por exemplo, você cai exatamente à esquerda de um "small baller" que abre muito raises no gap sempre que você se encontrar no dealer ou no cut-off, o reraise é quase obrigatório, já que quem usa essa estratégia não gosta nem um pouco de jogar fora de posição. Assim, dependendo do tamanho dos stacks, você poderá marcar seu adversário com quase quaisquer duas cartas. Caso tome call, é praticamente certo que ele tenha uma mão forte, e você poderá se defender, já que tem vantagem de posição.

Algo com que se deve tomar muito cuidado são as leituras a respeito de um jogador de small ball. Análises como: "Ele não estaria com 76 off" ou "Ele não teria pagado pela broca" podem ser muito perigosas. Desse modo, sempre que for estipular um range de mãos para o seu adversário, deixe a mente mais aberta – principalmente se ele estiver se mostrando disposto a colocar todas as fichas no centro. Isso, aliás, é um conceito importante que se deve ter em mente: Todo jogador que aplica o small ball quando vai para um all-in grande, em 99% dos casos terá um monstro. Claro que isso vale para início e meio de torneio, então, é contra esse estilo de jogador que se devem dar aqueles grandes folds. Vejamos: você, do big blind, pagou com 6-6 um raise de um jogador do cut-off. O flop veio 5-2-6. Você deu check, ele apostou e você voltou um pouco mais. Ele deu call. No turn, uma Q. Você bet, e ele paga. No river vem um 9, você aposta e ele volta um caminhão. Nessa hora, o fold vai ser a jogada mais certa a se fazer: ele tanto pode ter um 4-3 como, tranquilamente, um 8-7, e, dando call aqui, contra um jogador desse estilo, você só estará ganhando de um blefe.

Por falar em blefe, fazer isso contra um small baller não é das tarefas mais fáceis. Eles não entregam a mão facilmente, sobretudo no flop. Assim, quando decidir blefar, sugiro que você calcule a bet do flop para que no turn o pote fique grande o suficiente, de modo que sua aposta só dê ao oponente a opção de fold ou all-in (que, como vimos, caso aconteça, você já sabe o que vai encarar pela frente). Então, quando for blefar, projete o pote para o turn, já que no flop eles não vão funcionar muito bem.

E, utilizando o mesmo raciocínio, quando tiver uma mão muito forte tente incrementar o pote no flop, onde é mais difícil de eles largarem. Agora sim, no turn, você pode aliviar a bet para conseguir mais um call, dando um odds muito boas para ele seguir na mão. Claro que todas as análises de perigo de bordo devem entrar nessa decisão.

Por último, a recomendação que faço é no sentido de tentar ser sempre criativo nas suas jogadas. Small ballers costumam ter uma leitura muito boa, portanto, ter criatividade jogando contra um deles pode lhe ajudar, e muito, a maximizar suas mãos.


Artigo de Raul Oliveira, publicado na revista Card Player Brasil Ano 3, N°. 25.




Gostou do artigo? Deixe seu comentário e compartilhe com seus amigos.