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30/07/2011


Torneios Turbo
(por Raul Oliveira)


Quem falou que é loteria?


Há alguns anos, eu costumava me questionar por que os sites de poker não faziam torneios turbo. É claro que, quanto mais lento (deep) for o torneio, mais vantajoso é para o melhor jogador. Por outro lado, essa lentidão às vezes favorece não só os mais preparados, mas também aqueles mais pacientes.

E nesse aspecto tenho certeza de que não sou dos melhores. Muitas pessoas me perguntam por que eu não jogo um número maior de torneios, e a resposta é simples: porque nem sempre estou preparado para sentar durante 7 ou 8 horas sem poder sair do computador por sequer 20 minutos. E, em 99% das vezes em que me sentei sem a devida concentração, o resultado foi a eliminação nas primeiras duas horas.

Talvez pelo fato de a minha história ter sido traçada muito no limit game e em sit-&-gos, eu não tenha me preparado adequadamente para os atuais formatos de multitable – bem lentos se comparados aos de alguns anos atrás. Por isso atualmente jogo um número pequeno de MTTs. Na verdade, costumo jogar em dias em que realmente estou com vontade ou em torneios com grande premiação, já que, nesses casos, a dedicação e concentração passam a ser naturais.

Mas, hoje em dia, existe uma gama de torneios turbo bem grandes, cujo tempo médio de duração gira em torno de 2h a 2h30, resolvendo, assim, a problemática de ter de passar sete ou oito horas jogando sem poder se levantar. Por isso venho lendo alguns materiais que encontrei sobre os turbos, já que pretendo passar a jogá-los com maior frequência. Para alguém que está começando no jogo, o formato parece muito mais uma loteria do que um torneio em si, mas, ao contrário, o turbo no longo prazo também dá bons resultados aos que jogam bem.

Para falar sobre multitables turbo, vamos dividir o torneio em quatro partes: a primeira, aquela em que os blinds ainda estão baixos e o jogo, deep; a segunda, a que o average ou M é muito baixo em relação aos blinds; a terceira, a hora da bolha; e a última, a reta final.

Na primeira parte do jogo, o cenário não é muito diferente do de um torneio comum: você deve se defender bem, ir all-in apenas com monstros, jogar mãos que possam ter um futuro promissor e, é claro, prestar atenção em eventuais lunáticos que queiram acelerar o torneio – de modo a tirar vantagem ou quem sabe até dobrar às custas deles, se possível.

Na segunda parte, penso que é hora de começar a soltar o jogo. Aqui, não deixar o blind lhe engolir é fundamental para suas pretensões no torneio, assim como prestar atenção em quem está disposto a esperar mais e atacar stacks médios. É importante também alertar para a importância do take down, pois você deve tentar sempre ter um bom take down nos seus pushes. É claro que isso nem sempre será possível, mas tentar trilhar esse caminho é uma boa dica. Outro detalhe importante é diversificar bem seu range de mãos de um torneio normal. Por exemplo, você está no dealer com 15.000 e recebe A-6 off, o hijackall-in de 5.000 com blinds em 500-1.000. Em um torneio normal eu largaria essa mão, mas num turbo eu voltaria por cima, já que, além da grande chance de eu estar ganhando, minhas odds são boas. E, mesmo se estivesse atrás, eu não perderia meu take down, pois me restaria 10.000 em filhas, ou 10BB. Dito isso, em um torneio turbo você deve partir do princípio que a maioria dos jogadores dão all-ins com mãos com as quais não dariam em um torneio normal. Portanto, deixar seu range de decisões crucias mais loose costuma ajudar.

Na zona da bolha não existe nenhum grande segredo além do já conhecido por todos: parta para cima, de preferência de quem já está garantido ITM se ficar dando fold. Aqui, atacar stacks muito pequenos não é a melhor estratégia. Os médios e grandes largam com muito mais facilidade nessas horas. O segredo nesse instante é fazer o buy-in onde a figuração não altere seu estilo de jogo, ou seja, tenha um bankroll para não se sentir pressionado a figurar. Nesse momento, se a sua mesa for passiva, quanto mais agressivo você for, melhor tende a ser seu resultado, já que, com os blinds muito altos, roubando duas ou três mãos você normalmente estaria dobrando seu stack.

Já na reta final, eu penso que a estratégia deve mudar um pouco, uma vez que, no final dos turbos, os stacks ficam mais deep do que no meio do jogo, então uma reajustada aqui pode ser fundamental para se chegar ao 1º lugar. O que eu quero dizer é que, se de repente você estiver jogando em all-in mode desde quando restavam os últimos 50 jogadores, quando entrar na mesa final, você, estando com 30BB, pode dar uma freada no estilo all-in e voltar a abrir raises sem pôr todo o stack em jogo.

Não ter medo de sair também ajuda nessa altura. Normalmente, os primeiros lugares nos turbos colocam suas fichas em jogo com mãos marginais. Mas, como em qualquer final de torneio, um pouquinho de sorte ajuda bastante a levar o caneco.


Artigo de Raul Oliveira, publicado na revista Card Player Brasil Ano 3, N°. 27.




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