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30/07/2011


Correndo risco de all-in
(por Ed Miller)


Situações de torneios.


Em torneios, você toma sucessivas decisões que podem lhe levar a arriscar todas as suas fichas. Você irá tomar pelo menos uma decisão valendo todo seu estoque em praticamente todo torneio que jogar. E, na maioria deles, vai entrar em várias situações de all-in.

Sempre que você decidir ir adiante e perder, é fácil questionar sua decisão. "Eu achava que tinha uma vantagem na hora, mas talvez devesse ter esperado por circunstâncias melhores".

Decisões em torneios podem ser complicadas pela natureza da estrutura de premiação, mas, em muitos casos, não há por que se questionar quanto às decisões tomadas. Recentemente, um leitor me enviou uma pergunta, questionando-se acerca de algumas de suas decisões de all-in:

Ultimamente eu tenho obtido maus resultados ao dar call em all-ins perto da ou na mesa final.

Geralmente, quando estou na mesa final ou perto dela nos torneios live que jogo, o estoque médio é de cerca de 10 big blinds, então não acontece muita coisa além de all-ins e folds (com muitos steals).

Obviamente, isso não pode continuar indefinidamente, então sempre que eu acho que tenho chance de estar segurando a melhor mão, dou call. Muitas vezes, aconteceu de ser um coinflip, e eu me perguntava se pagar o all-in tinha sido a jogada correta.

Eu lhe darei dois exemplos recentes:

1. Eu dei call em um all-in com 7-7, o outro cara tinha K-J, e o bordo emparelhou ases e dez, deixando-me de mãos vazias. Achei que ele poderia ter dado shove com qualquer ás, qualquer pocket pair ou duas figuras, então, na minha cabeça, eu possuía uma leve vantagem.

2. Eu dei call em um all-in com A-Q suited, o outro cara tinha 10-10, o bordo veio seco, e eu fui mandado embora. Eu tinha colocado esse cara em A-10 ou melhor, qualquer pocket pair ou duas figuras.

É claro que eu não deveria dar call nessas apostas se tivéssemos estoques maiores, mas, com poucas fichas, você simplesmente não pode esperar por A-A e K-K o tempo todo.

Então minha pergunta é: eu devo dar esses calls ou devo simplesmente deixá-los dar steal enquanto espero por minha vez de dar steal?


A não ser que as estruturas de prêmio sejam excepcionalmente pouco oscilantes, eu apóio as decisões de meu leitor de dar call.

Vamos analisar sua equidade contra as gamas de mãos em que ele coloca seus oponentes (aliás, as gamas de mãos que ele propôs para seus oponentes me pareceram razoáveis e típicas para jogadores em situações all-in).

Na primeira mão, ele tinha 7-7 e achava que estava enfrentando uma gama de qualquer ás, qualquer par ou quaisquer duas figuras. A mão dele é favorita em 56-44 contra esse range do oponente (você pode calcular números assim usando a incrível ferramenta PokerStove, de Andrew Prock, disponível em pokerstove.com).

Meu leitor não me disse os estoques exatos envolvidos, mas digamos que estivéssemos jogando com 100-200 blinds e um ante de 25 com estoques de 2.000 (10 big blinds). Se nosso oponente for all-in e dermos call, estaremos arriscando 2.000 para ganhar cerca de 2.500, o que nos dá pot odds brutos de 5-4. A conclusão é que somos favoritos notáveis nessa mão, e também temos odds para dar call.

O termo "coinflip" pode ser usado de maneira equivocada quando se analisa estratégia de torneios. Se a mão for 50-50, trata-se de um coinflip. Se for 55-45, é uma vantagem muito significativa para um jogador. Cassinos ganharam bilhões de dólares com vantagens desse tamanho ou menores. Se você tiver 56% de vantagem para ganhar a mão e tiver 5-4 sobre seu dinheiro, precisará de uma razão convincente para não correr esse risco.

Do mesmo modo, com o A-Q suited, meu leitor era favorito de 55-45 contra a gama que ele atribuiu a seu oponente. Mais uma vez, ele precisaria de uma razão convincente para não jogar.

Qual seria uma razão convincente para não jogar? A hipótese óbvia seria um supersatélite. Digamos que você esteja jogando um torneio em que todos os últimos nove jogadores recebam uma vaga no main event da World Series of Poker. Restam 10 jogadores — duas mesas de cinco. Você estão hand-for-hand. Em outras palavras, assim que um jogador for eliminado, o torneio vai acabar e todo mundo vai receber um prêmio igual.

Digamos que todos os estoques estejam mais ou menos iguais, então todo mundo tem cerca de 90% de chances de ganhar uma vaga (com variações a depender da posição do button). Se você der call all-in como favorito de 55-45, estará dando um tiro no próprio pé. Se você der fold, terá 90% de chances de ganhar seu lugar. Se der call, terá apenas 55% de chances de ganhar a vaga.

Mas a maioria das situações no poker não é tão extrema. Tipicamente, um torneio premia uma enorme parcela do prêmio total para os dois ou três melhores colocados, com quantias relativamente menores para as posições remanescentes. Nesses torneios, visar a vitória, e não apenas dar folds para ficar ITM, é geralmente a melhor estratégia. Se você tiver uma boa oportunidade como uma vantagem de 56-44 para levar um pote que está lhe dando odds, você em regra deve ir em frente.

Portanto, para mim é impossível dizer com certeza se meu leitor fez a coisa certa ao ter essa postura em seus torneios, pois isso pode depender dos estoques exatos de fichas e da estrutura de prêmios. Mas, em geral, na maioria dos torneios e na maioria das situações, é correto aproveitar essas vantagens sólidas. Às vezes não dará certo, mas, quando der, você vai acabar ganhando o torneio com muito mais frequência do que desse fold sistematicamente nessas situações. E, em geral, você também acabará ganhando mais dinheiro.


Artigo de Ed Miller, publicado na revista Card Player Brasil Ano 3, N°. 28.




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