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28/08/2011


Sorte?
(por Roy Cooke)


Uma discussão sobre o elemento sorte.


"Todos nós temos boa e má sorte. O homem que persiste apesar da má sorte... que se mantém firme em seu caminho... é o homem que estará lá quando a boa sorte chegar, e estará pronto para recebê-la!" — Robert Collier

"Quem foi que saiu desse lugar?" brinquei, quando um jogador que tinha acabado de se sentar no lugar em que eu estava levou um pote enorme. Mas, enquanto jogador lógico, eu sabia que isso não importava.

A seleção de lugares é uma variável importante de que você tem certo controle em um jogo de poker. Ter jogadores ruins, especialmente loose, a sua direita é de grande valor; assim como ter jogadores tight e pouco imaginativos a sua esquerda. Mas isso não tem absolutamente nada a ver com receber cartas. Não há um assento da sorte. Cada lugar tem exatamente a mesma chance de receber determinadas cartas. Cada mão distribuída constitui um evento independente. Obviamente, extrair o valor máximo das cartas que você recebe depende muito da posição e de onde você está sentado em relação a jogadores com diversas tendências de jogo.

Aqueles que se concentram em eventos externos, superstições e sorte, achando que essas coisas vão afetar o resultado do jogo, tendem a não compreender totalmente a matemática e as leis da probabilidade que afetam os resultados.

Um amigo meu com frequência me pergunta: quando você está recebendo boas cartas, como você sabe se e quando sua boa fase vai acabar? Eu já disse a ele inúmeras vezes que não há como saber. Sua boa fase pode acabar na mão seguinte, ou você pode estar iluminado durante uma semana. Ele não acredita em mim — e isso mostra que ele não compreende os princípios fundamentais do jogo. Ele acredita que as cartas aparecem em padrões previsíveis que um jogador observador é capaz de distinguir, e o fato de ele não ser capaz de resolver a equação o frustra. Mas não há como saber. As cartas caem em círculos aleatórios, e as leis da probabilidade governam sua distribuição.

Eu não estou dizendo que a sorte não importa! O poker é um jogo de sorte e habilidade, e grande parte do desafio é tomar decisões com base em resultados futuros que serão afetados pela sorte. É isso que se chama de “apostar”. Dito isso, jogar suas cartas da maneira correta vai lhe dar uma vantagem matemática esperada naquelas situações de risco em que seu oponente estiver jogando mal as próprias cartas. Um bom jogador de poker que joga contra oponentes inferiores certamente vai ganhar ao longo do tempo, assim como uma mesa de craps em um cassino certamente vai ganhar dinheiro no longo prazo.

Sim, a sorte importa, na vida e no jogo. Se você virar à direita, conhece sua alma gêmea; se virar à esquerda, é atropelado por um caminhão. Mas muito do que as pessoas percebem como sendo sorte faz parte do livre arbítrio do individuo. Assim, você pode controlar sua sorte até certo ponto, através de técnicas de “gerenciamento de risco” tanto na mesa de poker quanto na vida. E, na vida como no jogo, uma tomada de decisões analítica vai lhe dar a maior vantagem quando você estiver com sorte, e minimizar os resultados negativos quando sua sorte se for.

Algumas pessoas adoram se arriscar; elas vibram diante do stress de ir all-in; a adrenalina as alimenta emocionalmente. Elas gastam infinitos recursos criando essa embriaguez emocional, como viciados em drogas em busca de viagens maiores. Elas vivem para jogar e adoram estar sempre na corda bamba, mas tendem a sofrer quedas. Oscilam loucamente, tanto na vida quanto no jogo. Quando estão se dando bem, parecem as superestrelas da atualidade. Mas quando o baralho vira, como fatalmente acontece, eles caem depressa, tanto financeira quanto emocionalmente. Os mentalmente mais fortes se recuperam e se recompõem, mas isso afeta a psiquê humana, e ao longo do tempo isso o arrasta para baixo.

Alguns acreditam em períodos de sorte. Quando ganham um pote, jogam a próxima mão. Quando estão "numa boa fase", jogam esse "rush" achando que, porque ganharam a mão anterior, as chances de ganhar a atual de alguma forma aumentaram. De modo inverso, quando estão por baixo e se sentido azarados, eles ficam mais tight, pois não estão mais emocionalmente dispostos a correr riscos.

A visão de seu oponente sobre a sorte é um importante componente ao se ler a gama de mãos dele. Saber quando e até onde eles ficaram mais loose ou mais tight com base em suas reações emocionais à fase que estão vivendo, e levar em conta como isso afeta o jogo deles na mão atual, vai mudar sua maneira de jogar corretamente a mão.

Sua visão sobre sorte e variância é importante ao decidir o que, quando e onde jogar. Suas escolhas de estilo de vida e tamanho de bankroll também compõem a equação. Se você não estiver no poker pela “emoção”, mas apenas em busca de ganhos consistentes, ou caso esteja jogando com um bankroll apertado, limit poker é uma boa maneira de delimitar seus altos e baixos e seu stress de maneira significatativa. Jogar em mesas mais tight e que tendam a possuir altos e baixos menores, ou jogar de modo a ter pouca flutuação, vai controlar sua variância. De modo inverso, jogar em mesas rápidas de alta variação vai lhe dar uma boa dose de rushes de adrenalina, mas isso também requer um bankroll maior e uma maior disposição mental.

Como você reage a períodos de sorte vai afetar seu jogo muito mais do que a sorte em si. Bons jogadores de poker regularmente jogam apenas as odds, não se deixam afetar mentalmente pelos períodos bons ou ruins, e simplesmente deixam as fichas irem para onde quiserem, sabendo que, no longo prazo, elas vão acabar em seus estoques. E, é claro, trazem consigo seu protetor de cartas da sorte!


Artigo de Christian Kruel, publicado na revista Card Player Brasil Ano 3, N°. 29.




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