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26/11/2011


Usando gamas de mãos para ler mãos
(por Ed Miller)


O melhor método de leitura de mãos.


Ler mãos é uma habilidade fundamental no poker. Quanto mais você conseguir se aproximar do tipo de mãos que seu oponente tem, melhores serão as decisões que você vai tomar, e melhores serão seus resultados. A maioria dos jogadores usa algum tipo de processo de leitura de mãos para embasar suas decisões.

Mas nem todos os processos de leitura são igualmente bons. Muitos deles acertam ou erram completamente, levando aqueles que os utilizam a fazer jogadas ocasionalmente brilhantes, mas talvez com mais frequência os confundir.

Tais sistemas em geral têm um ponto em comum: eles focam em uma (ou algumas) mão(s) possível(is) e exclui as outras possibilidades. Você já deve ter escutado alguém relatando um histórico de mão da seguinte maneira:

"Bem, ele deu raise pré-flop e eu dei call com 6-6. O flop veio Q-10-7, mas eu o coloquei em A-K, então decidi dar call a não ser que outra carta alta surgisse".

O problema desse raciocínio é o foco limitado em uma mão — nesse caso, A-K. É verdade que grande parte dos jogadores dá raise pré-flop quando tem A-K, mas eles também aumentam com A-A, K-K, Q-Q, J-J e outras mais.

Muitos disparariam uma continuation-bet em um flop Q-10-7 com várias dessas mãos, não apenas com A-K. É errado pensar tão estreitamente em apenas uma mão possível logo no começo da rodada. Em vez disso, ao fazer leituras, você deve pensar em termos de "gamas de mãos", ou range.

Pensar em termos de gamas é admitir que não temos um conhecimento perfeito ao usar apenas as pequenas informações que obtemos durante uma mão de poker. Um raise pré-flop não indica especificamente A-K, J-J ou qualquer outra.

O máximo que podemos saber é que, normalmente, quando nosso oponente dá raise, ele terá (utilizando o exemplo de um oponente hipotético), uma das seguintes mãos: qualquer par, um ás com 7 ou melhor, duas cartas com um 10 e outra maior, ou talvez um suited connector.

(Ao discutir gamas, os autores geralmente utilizam uma fórmula. A gama mencionada pode ser escrita como fórmula da seguinte maneira: 2-2+, A-7+, K-10+, Q-10+, J-10, 10-9 suited até 5-4 suited.)

Nós refinamos a gama à medida que a mão progride. Digamos que um oponente tenha dado raise pré-flop (com a gama descrita acima), e nós tenhamos pagado.

O flop vem Q 10 7. Ele aposta. Ele é um jogador agressivo, então nós esperamos que ele possa apostar com cada mão dessa gama. Nós, portanto, não podemos estreitar a gama de nosso oponente ainda.

Ele provavelmente tem uma mão forte, fraca ou mediana?

Cada uma dessas hipóteses é válida, tendo em vista as mãos que achamos que o nosso oponente pode ter. Ele pode ter algo muito forte como Q-Q, 10-10 ou Q-10. Pode ter algo fraco como 3-3 ou A-8. E pode ter algo mediano como Q-J, J-J ou K-10.

Entretanto, nós podemos fazer mais do que simplesmente concluir que "Ele pode ter qualquer coisa".

Podemos contar o número de mãos que se enquadram em cada categoria. Quanto mais mãos houver na gama que se adéqua à categoria, mais provável que ele tenha uma dessa força. Relativamente poucas mãos na gama de nosso oponente são realmente fortes.

Nós podemos contar Q-Q, 10-10, 7-7, Q-10, A-A, K-K, A-Q, K J e qualquer uma que contenha Q e outra carta de espadas são fortes. Além disso, nesse flop, relativamente poucas são verdadeiramente fracas. Apenas os pares pequenos, 6-5 suited, 5-4 suited, A-9 e A-8 realmente se enquadram nessa categoria.

A maioria das mãos de nossos oponentes é de força média. É provável que ele tenha flopado um par com algo como K-10, um straight draw com algo como K-J ou 9-8 suited, ou uma queda na gaveta e overcards com A-K.

Comparar a gama de nosso oponente com o bordo e determinar o número de mãos fortes, médias e fracas (além de tipos, como draws, mãos de dois pares, de um par e assim por diante) é a essência da leitura de mãos. Se tivéssemos algo fraco como 4-4 nessa situação, seria inteligente dar fold.

A gama de nosso oponente é bem mais forte, em média, do que nossa mão, e provavelmente forte demais para sucumbir a um blefe.

Digamos, contudo, que tivéssemos K Q. Essa mão é certamente forte o suficiente quando comparada à gama de nosso oponente para justificar um call. Depois do nosso call no flop, o 7 aparece no turn e nosso oponente dá check. Qual é a gama dele agora?

Essa nova informação nos permite refinar a gama de nosso oponente. Ele pode ter decidido apostar no turn com as mãos mais fortes de sua gama original e também com A-7, 8-7 suited e 7-6 suited.

Ele provavelmente teria desistido com as fracas, já que nenhuma delas melhorou. E poderia ter dado check com muitas de suas mãos de força média, sem querer construir um grande pote com elas.

Portanto, é tão provável quanto antes que ele tenha 2-2 ou A-8, mas significativamente menos plausível que ele tenha Q-Q ou A-A. O check no turn nos diz que as mãos mais fracas da gama original se tornaram provavelmente mais próximas das fortes.

Nós jamais podemos descartar complemente as fortes, pois nosso oponente pode estar tentando preparar uma armadilha para nós. Mas podemos presumir com segurança que elas são menos prováveis depois do check no turn do que antes.

Digamos que nós demos check de volta com K Q. Essa é uma jogada razoável. O river é o 3, e nosso oponente dá check de novo.

Agora nós podemos descartar quase completamente as mãos fortes. Poucos oponentes dariam check com uma mão forte duas vezes nessa situação. As fracas novamente são mais prováveis do que antes, pois há muitas de força mediana.

Nós podemos limitar com segurança a gama de nosso oponente a draws não formados, mãos de dois pares, K-Q e mais fracas, e algo muito fraco como ace high ou 2-2. Nossa mão, K-Q, é bastante forte contra essa gama.

Além disso, nosso oponente pode achar que as mãos em sua gama são muito fortes para descartar. Portanto, nossa leitura indica que podemos fazer uma aposta pelo valor claramente lucrativa.

Pensar em termos de gamas é a melhor maneira de ler mãos. O modelo de gama representa as informações imperfeitas que adquirimos, e nos permite tomar as decisões mais bem fundamentadas. Se ler mãos dessa maneira for algo novo para você, tente. É difícil aprender, mas vale a pena — então pratique, pratique e pratique.


Artigo de Ed Miller, publicado na revista Card Player Brasil Ano 3, N°. 30.




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