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15/09/2012


Jogando A-K em No-Limit Hold'em
(por Bob Ciaffone)


Quando houver muito dinheiro


Pré-flop, A-K é a mão sem par mais poderosa do hold'em. "O nuts das mãos sem par" é um de seus apelidos. ("Big Slick" é outro. "Volte para Houston a Pé" é um apelido texano menos lisonjeiro). Em termos de resultados gerais, big slick equivale a dois valetes, o que quer dizer que apenas os três pares maiores são mãos iniciais melhores.

Muito embora não seja tão boa quanto um par em um confronto de all-ins em heads-up, ela é muito melhor que a maioria dos pares quando você não sabe o que seu oponente tem. Isso ocorre porque ela leva uma grande vantagem contra todas as outras mãos que contêm um ás e pelo fato de que apenas duas outras mãos a colocam em grande desvantagem (par de ases e de reis).

Jogadores de torneio gostam de A-K porque os tamanhos dos estoques em relação aos blinds são tão grandes que você pode ser bastante agressivo pré-flop com ela. Contudo, em cash games, em que o tamanho normal dos estoques é de cerca de 50-200 vezes o big blind, vale a pena ser mais precavido quanto a ir all-in pré-flop.

Nessa coluna, eu gostaria de discutir como jogar essa mão tanto pré-flop quanto depois dele, quando o dinheiro for alto em relação aos blinds. Eu não vou distinguir entre suited e unsuited, mas, quanto maior o dinheiro, mais atraente a mão é se for do mesmo naipe, pois o nut flush pode facilmente duplicar um estoque.

Para compreender minha política pré-flop, preciso discutir como jogar a mão depois do flop. O flop vai ajudar a mão apenas um terço das vezes. Você deve saber como jogar a mão quando tem o usual "nenhum par e nenhum draw".

Se houver vários oponentes, eu sugiro uma política check-fold mesmo que você seja o raiser pré-flop. Você não é obrigado a dar uma continuation-bet mesmo que venha um lixo e haja quatro ou mais oponentes, e eu geralmente sou cuidadoso ao fazer uma c-bet contra três oponentes.

Se eu tiver um A-K não melhorado e outra pessoa apostar, eu desisto na grande maioria das situações. Big slick é uma mão péssima para dar call. Ela tem seis outs para um par e nenhuma garantia de vitória caso o par se forme.

Se ninguém mais tiver apostado, eu certamente estarei disposto a tentar levar o pote sem nada na maioria das vezes, então ter A-K é uma rede de segurança muito melhor do que nada. Posso acertar o top pair e ganhar, e tenho algo a mostrar que é melhor que um draw não formado. Portanto, sou muito agressivo ao tentar roubar no flop ou turn com ás-rei.

Nos dias atuais de poker superagressivo, eu gosto de dar call em raise pré-flop com A-K, mesmo fora de posição. (Dar call em um reraise quando o dinheiro é alto é um negocio arriscado, mesmo suited e em posição, e é uma jogada que eu raramente faria).

Uma das coisas boas quando você flopa um par com A-K é que não há overcards que possam vir e desvalorizar sua mão no turn ou river. Se você for dar slowplay com top pair, A-K é melhor do que qualquer outra mão.

Dar slowplay nessa situação é uma ferramenta eficaz contra jogadores agressivos, que geralmente representam a mão que você está segurando de verdade. Resista à tendência de dar raise para saber onde você está pisando, pois você está dizendo ao seu oponente onde ele está pisando, que é exatamente o que não se deve fazer. Vamos tentar ganhar mais dinheiro aqui.

Fazer slowplay com A-K por meio de check-call e call com top pair contra o raiser pré-flop tem seus riscos. Eu certamente me sinto confortável pagando uma aposta no flop, e raramente dou fold se meu oponente atirar de novo no turn.

Mas a rodada de apostas do river é um animal de outra espécie. Quando seu oponente dá aquele terceiro tiro no river, ele já tem uma boa ideia do que você segura. Se fizer uma aposta sólida, ele sabe com certeza se está atrás de você ou se é capaz de derrotar sua mão.

Em outras palavras, ele não tem uma mão que está logo abaixo da sua — como A-Q, A-J ou K-Q. Portanto, você está fora do domínio da boa técnica e no domínio da boa e velha adivinhação. Bem, jogar o oponente e a situação faz parte do poker, não é mesmo?

Um dos benefícios de se jogar da maneira que eu sugiro (fazer slowplay com top pair) é que isso controla o tamanho do pote. Você não está comprometido em colocar todo seu estoque no pote.

Outro benefício de dar slowplay com top pair é que, depois de seus oponentes terem lhe visto fazer essa jogada, você pode agora somar outra arma ao seu arsenal — o float.

Floating é um termo do poker novo para mim, mas não uma nova jogada para mim.

Ela significa dar call em uma aposta com uma mão abaixo dos requisitos normais, com a intenção de tomar o pote de seu oponente em uma rodada de apostas posterior, quando ele lhe dá crédito pela mão que seu call representa.

Eis um exemplo:

Você está no button com A 3 e um jogador em posição inicial abre raise de três vezes o big blind. Dois jogadores dão call, e você também. Sua mão está abaixo de um par para pagar um raise, mas você tem uma posição ideal em relação a ambos os callers e o raiser pré-flop. Os blinds dão fold.

O flop é K 5 2, então tudo que você tem é uma queda para flush na última carta e para a sequência na gaveta. O raiser pré-flop aposta cerca de metade do pote, e os outros dois jogadores dão fold. Eu daria insta-call aqui se esse oponente em particular tivesse me visto pagar com ás-rei algumas vezes.

Não há flush draw ou straight draw plausível no bordo, então ele certamente vai supor que eu tenho top pair ou algo melhor. Se ele estiver olhando para duas damas e tiver apostado no flop como forma de investigar, ele provavelmente vai dar check e largar a mão quando eu apostar. (Obviamente, meu call foi feito com a intenção de apostar caso ele desse check no turn; a aposta aqui é automática).

Meu call tem outro benefício. E se ele tiver um par de ases ou uma trinca de reis, ou mesmo A-K, e eu acertar minha gaveta? Ele vai penar, a não ser que tenha uma trinca e complete o full house. Ele também vai despencar ladeira abaixo se eu acertar o flush.

É claro que, caso eu forme uma mão de verdade, posso ter que aguentar uma esculhambação sobre como eu jogo mal poker (pois estarei levando as fichas dele), mas tudo tem seu preço.

Eu acho que você pode ver por que eu não gosto de intimidar pré-flop com A-K quando o dinheiro for alto, mas não me importo em pagar um raise pré-flop com ele.


Artigo de Bob Ciaffone, publicado na revista Card Player Brasil Ano 3, N°. 30.




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