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25/11/2012


Texturas do bordo e gamas de mão
(por Ed Miller)


Comparando-as corretamente para um jogo melhor.


Na última coluna, afirmei que a maneira mais útil de ler mãos é através do conceito de gamas. Como seus oponentes não lhe fornecem informações perfeitas com seus checks, bets e raises, você não pode limitar logo as cartas deles a apenas uma ou algumas mãos. Em vez disso, você precisa determinar mãos para eles com base em suas ações, refinando essas gamas à medida que a mão progride.

É um bom começo ser capaz de assinalar gamas de mãos relativamente precisas para seus oponentes à medida que você joga. Mas também é importante usá-las para tomar as melhores decisões no jogo. O primeiro passo nessa direção é levar em consideração como as gamas interagem com as texturas do bordo.

Textura é a classificação do bordo com base nas que mãos ele torna prováveis. Por exemplo, um bordo com K 8 6 2 torna flushes prováveis, mas full houses e straights impossíveis, e mãos de dois pares relativamente improváveis. Tendo em vista os tipos de mãos com que as pessoas geralmente jogam, um bordo com K J T torna straights, dois pares, pares e straight draws relativamente prováveis, enquanto flushes e full houses são impossíveis. Essas são duas texturas bastante diferentes.

Texturas diferentes interagem com as gamas dos jogadores de maneiras diferentes. Algumas texturas combinadas com certas gamas vão produzir muitas mãos fortes ou médias. Vimos um exemplo disso na última coluna. Nosso oponente, naquele caso, deu raise pré-flop com uma mão de 2-2+, A-7+, K-T+, Q-T+, J-T e T-9 suited a 5-4 suited. O flop veio Q T 7. A maioria das mãos na gama do nosso oponente flopou um par ou melhor, ou um straight draw ou flush draw. Em geral, você não deve blefar quando a gama de um oponente se encaixar bem demais à textura do bordo. Com uma mão ruim nessa situação, você deve em regra simplesmente desistir.

Outras texturas produzem principalmente mãos fracas. Por exemplo, nosso oponente dá raise pré-flop com a mesma gama de antes. O flop vem 6 4 3. Como a gama dele se encaixa nesse bordo?

Ele forma mãos fortes com 6-6, 4-4, 3-3 e pares grandes na mão — A-A, K-K, Q-Q e talvez J-J. Ele acerta mãos medianas com T-T, 9-9, 8-8, 7-7, 5-5, 7-6 suited, 6-5 suited e 5-4 suited. Os pares são de força média porque muitas cartas perigosas podem surgir no turn e river, de modo a dificultar que apostas fortes sejam pagas com eles. O resto das mãos dele, a maioria das mãos da gama, não se beneficiou nem um pouco com o flop. A gama do nosso oponente é, em geral, bem fraca. Esse é um flop razoável para se cogitar um blefe.

Um ás no bordo vai ter um efeito significativo na textura dele. Isso ocorre porque as gamas de mãos em geral contêm muitas mãos que incluem um ás. E também porque um par de ases é difícil de derrotar, assim como é difícil blefar contra alguém que tenha A-A.

Por exemplo, tome o seguinte flop: A 8 3. Nosso oponente forma uma mão forte com A-A, 8-8, 3-3, A-8 e maioria das outras combinações A-X. Ele acerta algo mediano se tiver K-K, Q-Q, J-J, T-T e 9-9 como par na mão. Também relativamente fortes são os flush draws com todas as mãos com duas cartas de ouros. A maioria das outras mãos na gama dele é relativamente fraca nesse flop.

Nosso oponente pode ter um bom número de mãos de força mediana e algumas fracas. Mas nós ainda não sabemos exatamente qual a probabilidade de cada categoria de força. Para ter um feeling sobre a força de uma gama, temos que contar o número de mãos em cada categoria de força. Quando você estiver contando, é importante lembrar que há 12 maneiras de formar uma mão offsuit (ou seja, A K, A K, A K…), seis maneiras de formar um par na mão e quatro de formar uma mão suited. Lembre também que, se uma carta aparece no bordo, ela não pode estar na mão do seu oponente.

Vamos contar brevemente as mãos na gama do nosso oponente. O flop é A 8 3. Ele pode ter qualquer um dos 13 pares na mão, 10 dos quais podem ser formados de seis maneiras e três dos quais, apenas de três maneiras (já que as cartas do bordo não podem estar com o nosso oponente). Portanto, há 69 mãos possíveis. Nós chamamos nove dessas combinações de fortes, 30 de médias e 30 de fracas.

Ele pode ter A-K de 12 maneiras — assim como todas as outras mãos A-X, com exceção de A-8, que ele só pode ter de nove maneiras. Isso totaliza 81 maneiras de ele ter um ás, sendo todas relativamente fortes. Nosso oponente pode ter K-Q, K-J, K-T, Q-J, Q-T e J-T de 16 maneiras cada, o que totaliza 96 combinações que não são ajudadas pelo bordo. Mas seis dessas combinações (uma para cada mão) são de ouros, então nós temos seis mãos medianas e 90 fracas; T-9, 7-6, 6-5 e 5-4 são todas mãos fracas, exceto quando de ouros. Portanto, isso totaliza quatro combinações medianas e 12 fracas; 9-8 e 8-7 são mãos fortes quando de ouros (um par e um flush draw) e médias de um par quando de outros naipes.

Somando tudo, nós temos 92 mãos fortes, 46 médias e 132 fracas. Ufa, a matemática foi pesada, mas, ao fazer isso, chegamos a uma conclusão importante: nosso oponente pode tanto ter uma mão forte ou média quanto uma fraca, e a grande maioria de suas mãos fortes são as que contêm um ás. A partir dessa constatação, podemos desenvolver uma estratégia geral. É possível blefar uma vez com uma aposta de talvez metade ou dois terços do pote. Esperamos que esse blefe faça com que nosso oponente dê fold quando tiver uma das mãos fracas de sua gama. Se ele não largar, contudo, vamos desistir, pois é muito provável que ele tenha uma mão forte com um ás.

O primeiro blefe é lucrativo, pois podemos esperar que nosso oponente dê fold quase metade das vezes, e o dinheiro é justo (ao se fazer uma aposta menor que o tamanho do pote). Mas blefes subsequentes provavelmente não seriam lucrativos, já que a gama de mãos remanescente dele é muito forte.

Você pode olhar para toda essa matemática e pensar: "É impossível fazer isso na mesa. Você está louco?" Mas não é preciso fazer isso na mesa. Você pode calcular fora da mesa e se lembrar da resposta enquanto joga. Por exemplo, a lição aqui é que é geralmente lucrativo blefar uma vez com um ás no bordo, mas não dar seguimento com um segundo ou terceiro blefe em caso de call.

Se você pensar em termos de gamas de mãos e corretamente comparar as gamas às texturas do bordo, seu jogo vai se tornar muito melhor.


Artigo de Ed Miller, publicado na revista Card Player Brasil Ano 3, N°. 31.




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