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13/01/2013


Você é realmente azarado?
(por Alan Schoonmaker)


Um procedimento para avaliar a sorte de um jogador.


Mês passado, afirmei que muitas pessoas superestimam seu azar, e que se sentir uma vítima azarada faz com que você se torne uma. Eles prejudicam os próprios resultados jogando com medo e de forma passiva.

Quando falei isso a um amigo (Bill), ele ficou ofendido e insistiu em dizer que não estava exagerando ao relatar sua má sorte. Ele me contou várias mãos em que tinha grande vantagem, mas perdeu. Ele foi derrotado por uma mão que tinha dois outs aqui e por um flush runner-runner ali.

Eu disse: "O tamanho da sua amostragem é muito pequeno para ser relevante".

Ele então me mostrou um e-mail de amigo seu, que insistia em dizer que o poker não podia ser ganho com habilidade. Para provar isso, o e-mail continha várias páginas de históricos de mãos, com uma bad beat após a outra.

Eu disse: "Esse histórico não tem relevância alguma".

"O quê? Como pode dizer isso? Eu lhe contei apenas algumas mãos, mas ele listou mais de cem".

"E daí? Ele jogou dezenas de milhares de mãos. O tamanho da amostragem não tem relevância se não for tomado adequadamente. Se você selecionar de forma aleatória, os resultados ficam tendenciosos. De fato, se você me deixar escolher as mãos, posso provar o que eu quiser — até mesmo que 7-2 offsuit é melhor do que A-A".

"Tolice! Se você selecionasse apenas as vezes em que 7-2 derrotou ases, eu saberia que você estaria trapaceando".

"Como você sabe que você não está trapaceando?"

"Eu não faria isso. Eu sou engenheiro e respeito os dados".

"Sei que você não trapacearia deliberadamente, mas você, eu e quase todo jogador de poker baseamos nossas conclusões sobre a sorte em dados horríveis".

Então expliquei a Bill por que acreditávamos que tínhamos mais bad beats que o normal:


1. Nós nunca ficamos sabendo da maioria das vezes em que tivemos sorte. Nossos oponentes estavam à frente ou não completaram seu draw forte, então deram fold sem alarde.


2. Se alguém acerta um draw que nos derrota, isso não é necessariamente uma bad beat. É uma certeza matemática alguns jogadores acertarem alguns draws. Quando perdem, nós sequer pensamos a respeito.


3. Mesmo quando percebemos que tivemos sorte, somos muito menos propensos a lembrar disso. Nossas memórias seletivas retêm as mãos que confirmam nossas crenças e desejos, e nos esquecemos daquelas que os contradizem. Como queremos acreditar que somos bons, porém azarados, somos muito mais propensos a lembrar o azar e não a sorte. Como eu disse muitas vezes, para cada bad beat há uma good beat. Se foi bad para você, foi good para o outro cara, mas você quase nunca escuta histórias de good beats.


Permita-me divagar.

O Literary Digest conduziu uma pesquisa política com a maior amostragem da história que previa que Alf Landon ganharia a eleição presidencial de 1936, mas ele foi derrotado por uma maioria esmagadora.

Como eu disse em Seu Melhor Amigo no Poker, "Os dados não tinham nenhum valor por causa de um erro de amostragem sistemático: foram utilizadas listas de proprietários de telefones, assinantes de revistas e donos de automóveis. Essas pessoas gostavam de Landon. Mas isso se deu em meio à depressão, época em que a maioria das pessoas não podia comprar telefones, revistas e carros. As pessoas mais pobres preferiam Franklin. D. Roosevelt" (página 314).

Os donos do Literary Digest certamente não pretendiam "trapacear", mas fizeram exatamente isso, o que os fez parecer idiotas.

Tendenciosidade — intencional ou inconsciente — fez com que aquele jogador online selecionasse mãos que confirmavam sua crença de que ele é bom, porém azarado.

Tenho certeza de que ele não incluiu todas as vezes em que seu A-A ou top pair venceram, nem todos os flush que completou, nem todas as vezes em que ele foi o cara sortudo que ganhou um pote monstro quando só tinha dois outs.

Quando as pessoas me relatam seu azar, eu as digo para parar de se lamentar a não ser que possam provar que são azaradas.

Depois forneço um procedimento simples, porém detalhado, para avaliar sua sorte. Ele funciona melhor para jogadores online, pois eles podem obter todos os históricos de mãos.


1. Pegue uma amostra aleatória ou completa de seu histórico de mãos. Se você tiver jogado muitos milhares de mãos, comece o selecionando mãos jogadas em dias determinados, como toda primeira quarta-feira do mês. Os puristas diriam que esse procedimento não é aleatório, mas é quase.

2. Pegue uma amostra aleatória desses históricos de mãos selecionando cada quinta, décima ou centésima mão que foi jogada até o showdown. Selecione uma fração que corresponda a pelo menos 100 mãos.

3. Para as mãos selecionadas, use a calculadora de odds da CardPlayer.com para computar sua equidade.

4. Some sua equidade.

5. Some seus resultados reais.

6. Compare seus resultados a sua equidade.


Até onde sei, ninguém jamais sequer tentou utilizar esse procedimento. Dizem que dá muito trabalho ou que não têm tempo ou que não é necessário, pois sabem o quão azarados são.

Em outras palavras, eles não valorizam a verdade sobre sua sorte o suficiente para medi-la com precisão. Eu não posso fazer mais nada por eles, e sequer pretendo tentar.

Felizmente, Bill realmente não queria descobrir a verdade. Como ele não joga online, não teria como obter todos os seus históricos de mãos, mas ele tinha boas anotações sobre um número de potes em que ele tinha ido all-in. Para todas essas mãos, ele executou os quatro últimos passos que eu recomendei.

Ele ficou impressionado ao descobrir que tinha ganhado ligeiramente mais do que sua equidade. Apesar de sua amostragem ser questionável, seus resultados contradiziam o que ele sentia. Muito embora ele tivesse boas anotações, ele tinha chegado a uma conclusão que contradizia seus próprios dados.

Então ele percebeu como é fácil acreditar em algo em que ele queria acreditar. E, o mais importante, ele parou de sentir pena de si mesmo e começou a jogar com mais autoconfiança e decisão.

Se você seguir o exemplo de Bill e executar os passos necessários para avaliar sua sorte de forma precisa, certamente vai descobrir que não é tão azarado.

Você pode ter ganhado um pouco mais ou um pouco menos do que seu EV, mas se suas amostras forem aleatórias e grandes o suficiente, seu EV e seus resultados serão bem próximos. A lei das probabilidades não foi revogada.

Se você continuar se lamentando acerca de seu azar, vai jogar como uma vítima fraca, assustada e passiva. Você vai perder – e merece perder. Se você perceber que tem a mesma sorte que todo mundo, vai jogar como um vencedor confiante e decidido.

Artigo de Alan Schoonmaker, publicado na revista Card Player Brasil Ano 3, N°. 31.




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