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27/01/2013


Duas jogadas de no-limit hold'em que lhe tornam fácil de ser lido
(por Ed Miller)


Não seja previsível.


Eu jogo cash games de no-limit hold'em regularmente, tanto live quanto online. Prefiro ao vivo, e uma grande razão para isso é que os jogadores live são, em sua maioria, muito mais fáceis de serem lidos.

Não estou dizendo que eu consigo decodificar magicamente cada movimento de um oponente. Tells físicas às vezes são úteis, mas o mais importante são os padrões de apostas. Jogadores live tendem a empregar rotineiramente uma combinação de jogadas que os tornam muito fáceis de serem lidos.

Tais jogadas não são necessariamente ruins por si só. Elas apenas têm a tendência de tornar um jogador previsível demais no geral, a não ser que ele seja muito cuidadoso ao evitar esse problema. Eis duas jogadas comuns que meus oponentes fazem e que me permitem tirar proveito.



Dar call com A-K

Muitos jogadores live, em especial nas mesas mais baratas como $1-$2 e $2-$5, gostam de pagar raises pré-flop em vez de voltar reraise quando seguram A-K. Alguns dão call quase todas as vezes em que têm A-K, enquanto outros variam, dando raise ou call.

Dar apenas call com A-K tem suas vantagens. Primeiramente, ao manter o pote pequeno, você consegue jogar de maneira mais lucrativa em flops como Q-10-5. Nesses, A-K pode lhe deixar numa encruzilhada quanto à força da sua mão: ela é muito boa para dar fold, mas não boa o suficiente para jogar por todo o estoque. Você tem mais flexibilidade com a mão no pote menor.

Além disso, dar call com A-K pode tornar seu jogo enganador. Um raiser pré-flop com A-10, A-J ou A-Q vai estar muito mais disposto a apostar todo o estoque em um flop com ás contra um caller pré-flop do que contra alguém que voltou reraise antes do flop.

Não obstante, dar call habitualmente com A-K causa um grande problema. Isso desequilibra totalmente sua gama de reraise pré-flop. Se você não está voltando reraise com A-K (e tampouco com A-Q ou mais fraco), um oponente pode esperar de você um par alto na mão sempre que você voltar reraise pré-flop. Isso é informação demais para divulgar sobre suas cartas.

Se eu souber que um jogador dá call com A-K, e também souber que ele em geral não volta reraise blefando com algo como 8-7 suited, posso jogar quase perfeitamente contra seus reraises pré-flop. Eu nunca preciso dar ação quando ele tiver A-A ou K-K. Esse é um grande problema para ele, já que A-A e K-K são, de longe, normalmente, as mãos mais lucrativas.

O outro problema de dar call com A-K é que voltar reraise é significativamente mais lucrativo, em média, no longo prazo. Você vai ficar desconfortável em muitos potes enormes com ace high, mas você também terá seu top pair pago por estoques inteiros com muito mais frequência.

Como um todo, A-K ganha mais dinheiro se você voltar reraise pré-flop. E, além de tudo, fazer isso com A-K disfarça seus reraises com A-A e K-K.

Dar apenas call com A-K é ocasionalmente uma boa jogada, mas na maior parte do tempo não é. A não ser que você tenha uma razão muito boa para não fazer isso, volte reraise com ela.



Dar call no flop com um draw

Você deve estar pensando: "O que há de errado em dar call no flop com um draw?" Não há nada de errado nisso — desde que sua estratégia geral esteja equilibrada.

O problema é que muitos jogadores não se dão ao trabalho de equilibrar suas jogadas, e acabam se tornando muito fáceis de serem lidos. Eis um exemplo de como eu exploro quem dá call com draws:

Em uma mesa de no-limit hold'em de $2-$5 com estoques de $500, um jogador loose entra de limp, e eu dou raise para $25 de uma posição antes do button com 2 2. Os blinds dão fold e o limpercall.

O flop vem J 9 5. Meu oponente dá check e eu aposto $40. Ele dá call.

O turn é o 4. Meu oponente dá check.

Nessa situação, posso apostar entre $80 e $100 mais ou menos e esperar que meu oponente dê fold na grande maioria das vezes. Por quê?

Jogadores loose entram de limp com todo tipo de mão. Meu oponente poderia ter mãos como Q-8, 10-7 e 8-6, que conseguem quedas para a sequência na gaveta neste flop. Ou ele poderia ter mãos como 8-5 e 9-7, que acertam um par fraco.

Já que muitas mãos se beneficiam com esse flop, mesmo depois que ele der call nesse instante, é muito mais provável que ele tenha um draw ou um par fraco do que um valete ou uma mão alta.

A carta do turn completa alguns dos draws possíveis, então eu posso apostar, confiante de que meu adversário em geral vai desistir.

De que modo meu oponente deve ajustar seu jogo para evitar que eu ganhe potes como esse tão facilmente no turn? Ele deve fazer três ajustes em sua estratégia:


1. Ele deve largar os draws mais fracos. Alguns caras vão ver o flop de qualquer jeito fora de posição com nada mais que quedas na última carta. Com frequência, é bem melhor dar fold nessas mãos fracas.

2. Ele às vezes deve fazer uma jogada agressiva no flop com draws. Com uma mão como K-10 no flop J-9-5, meu oponente deveria ocasionalmente apostar no flop ou dar check-raise. Essa agressividade pode ganhar o pote imediatamente, e também disfarça as vezes em que ele flopar uma mão alta como J-9 ou 5-5.

3. Ele às vezes deve dar call no flop com a intenção de dar check-raise no turn com mãos fortes ou draws. Essa linha de conduta, embora não deva ser utilizada com exagero, penaliza ao máximo um provável ladrão de potes.


Dar check e call com draws no flop é correto. Na verdade, é correto dar check-call no flop quando se planeja dar fold no turn se não melhorar. Mas se você quiser se certificar de que não é alguém fácil de ser lido, deve proteger suas jogadas passivas tomando atitudes mais agressivas.

Se você diversificar seu jogo com draws fazendo apostas, dando calls e check-raises, tanto no flop quanto no turn, vai se tornar um jogador muito mais perigoso.


Artigo de Ed Miller, publicado na revista Card Player Brasil Ano 3, N°. 32.




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