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17/03/2013


Escalando a montanha
(por Diego Brunelli)


Bankroll management e variação – Parte II.


Na edição passada, vimos que bankroll management e variação estão fortemente ligados.  Agora, vamos sair da teoria e passar para a prática, e conversar sobre as formas e ferramentas adequadas para controlar e desenvolver seu bankroll. Qual a melhor forma de construir um bankroll? Que modalidades jogar? Cash ou torneio? Com qual buy-in? Em que momento tenho bankroll suficiente para me aventurar em stakes mais altos?

A questão de qual modalidade jogar é muito particular. Cada jogador terá que fazer suas escolhas, e não há como apontar que forma de poker é mais rentável que a outra. Se você está nessa situação e tem dúvidas, navegue pelas diversas variantes e descubra em qual você se sente melhor, em qual o tempo parece passar mais rápido e qual lhe dá mais vontade de se aprimorar. A partir da sua opção, procure concentrar esforços para desenvolver seu jogo. A única ressalva que faço diz respeito à construção de bankroll: como afirmei na primeira parte deste artigo, acredito que as melhores opções são cash game e sit-and-go. Torneios eu deixaria para um segundo momento, devido à maior variação, o que torna difícil determinar se o jogador é vencedor ou não.

Para os fins deste artigo, vamos presumir que somos vencedores em determinado jogo, afinal, não existe bankroll management que impeça um jogador ruim de quebrar. Com isso em mente, podem surgir perguntas como: "Sou vencedor em nl25 – qual o bankroll necessário para subir para nl50?" ou "Tenho um bom ROI (Return Of Investment) nos SNGs de $3 e certamente tenho habilidade para vencer nos de $6. Quanto devo ter de bankroll para não correr o risco de quebrar se enfrentar uma variação negativa na primeiras sessões do novo stake?"

Pois bem, quando determinamos nosso bankroll, o principal objetivo é simples: não quebrar. Apenas a título de curiosidade, existe um cálculo que indica o percentual de chance que temos de falir, o ROR (Risk Of Ruin), que leva em conta variação e winrate. Mas, para não nos determos a fórmulas matemáticas, vou apresentar três abordagens de bankroll management: uma conservadora, voltada para quem pretende jogar profissionalmente ou, mesmo sendo amador, não pode correr o risco de falir; uma moderada, para quem estiver disposto a correr um risco maior e prioriza uma escalada rápida na subida de stakes; e uma de alto risco, para quem quiser "dar tiros" em mesas mais caras ou não se importa caso sejam necessárias mais recompras, conforme o quadro a seguir.


Cheguei a esses números através cálculos de ROR e de minha experiência pessoal. Muitos jogadores já escreveram sobre esse tema, e alguns usaram números mais ousados. Por outro lado, também já encontrei números bem mais conservadores do que os do quadro, principalmente para torneios. O que posso afirmar é que o risco de um jogador vencedor falir utilizando a abordagem conservadora é baixíssimo.

Pode soar estranho falar em "conservadorismo" quando o assunto é poker. O único momento em que um jogador pode ser chamado de conservador é quando comparado a outro jogador, pois nosso esporte é, por natureza, para quem gosta de risco. Mesmo assim, é importante estar alerta para os riscos existentes, e escolher com quais queremos arcar.

Como se pode notar, toda essa conversa na verdade gira em torno da variação. Para enquadrarmos melhor nosso perfil, devemos não apenas observar o apetite que cada um tem para o risco, mas principalmente o quão sujeito à variação o jogo de cada um está. Usando softwares como Poker Tracker e Holdem Manager, podemos saber qual é a nossa winrate (taxa de vitória), tanto para cash game, cujo índice é BB/100, quanto para sit-and-go ou torneio, medido pelo ROI. Quanto menor for a nossa winrate, mais sujeitos à variação estaremos e, portanto, mais cautelosos devemos ser com nosso bankroll.

Vale lembrar que – ao contrário de muitos comentários que já ouvi – o número de mesas, por si só, não faz aumentar a variação: alguém que joga dez mesas com um ROI de 5% está sujeito à mesma variação de um jogador que está em duas mesas e tem o mesmo ROI de 5%. O que ocorre é que, normalmente, quando alguém eleva seu número de mesas, sua winrate cai, aumentando sua variação. Este é o motivo pelo qual os jogadores de medium e de high stakes estão mais vulneráveis à variação: a winrate deles é menor.

Diante disso, podemos nos orientar da seguinte forma: jogadores iniciantes, que enfrentarão stakes mais baixos, tendem a vencer aquele jogo com uma boa margem de winrate, ou seja, estão menos sujeitos à variação. Assim, podem adotar, no caso do quadro, a postura moderada ou até mesmo de alto risco. Mas, à medida que sobem de limites, naturalmente terão que buscar um enfoque de moderado a conservador para prevenir o bankroll das variações negativas mais fortes que invariavelmente acontecerão.

Como você já deve ter percebido, no final das contas, o importante nessa relação entre bankroll management e variação é sempre sentir-se confortável para jogar dentro de determinado limite, e não atuar sob a pressão psicológica de precisar vencer ou de não poder perder. Além disso, sempre que for preciso, desça de limite e recupere seu bankroll e sua confiança. Dessa forma, você certamente terá amadurecido como jogador e estará pronto para escalar a montanha dos stakes.


Artigo de Diego Brunelli, publicado na revista Card Player Brasil Ano 3, N°. 33.




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