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23/06/2013


Não largo nem com machadada na mão
(por Marcelo Martins)


Olá, galera!

No artigo anterior, comentei sobre dar call pre-flop com AQ. Hoje, resolvi aprofundar essa ideia, falando como costumo jogar algumas mãos pre-flop, quais sejam AA, KK, QQ, JJ, AK e AQ.

Quero falar dessas mãos especialmente quando estamos no início de um torneio, deep ainda em fichas, com mais de 100 big blinds (BBs). Também poderíamos aplicar essas ideias para um cash game, mas, como prefiro jogar torneios, tratarei deles aqui.

Separarei este assunto em mais de um artigo, para não ficar muito maçante a leitura. Dessa forma, vamos primeiro ao AA e KK.



Como jogar o AA e KK?

Esteja disposto a ir all-in pre-flop com essas duas mãos, dê raise e reraise, mesmo estando no início do torneio e com muitas fichas. Prefiro sempre jogar forte e tentar dobrar, mesmo que eu arrisque sair do torneio antes do tempo.

Muitos entram de limp com essas mãos, principalmente com AA e quando estão short, tentado dar um reraise depois como se fosse uma "armadilha". Não gosto desse slow play, pois acho que quase ninguém mais cai nessa e ainda perdemos a chance de disfarçar a nossa força.

Claro que sempre existem situações peculiares, naquelas em que você conhece bem o adversário e, às vezes, é viável, por exemplo, só dar um call em posição com o AA, mas você deve saber o que está fazendo e o porquê disso. Todavia, em linhas gerais, sempre entro de raise, seja com AA, 77 ou 65s. Assim, seus adversários não saberão ao certo o que você tem quando entra na mão, disfarçando-a muito bem.

E se eu dou raise e reraise com KK e o adversário mostra um AA, alguns podem perguntar. O pensamento por trás disso é que, no início de torneio, todos com mais de 100 BB, é pouco provável que alguém vá até as últimas consequências antes do flop sem uma mão muito monstruosa. Isso até me faz lembrar um dos quadrinhos do Bobby Crosby, chamado "Ótimo laydown", todavia, logo veremos que isso não faz sentido.

Diz a lenda que o Phil Hellmuth afirmou que daria fold pre-flop até com AA na mão, se um jogador voltasse all-in nele no início do torneio, pois ele acredita ser um excelente jogador e ser capaz de derrotar esses adversários sem precisar da "sorte" ou melhor, sem arriscar perder 20% das vezes (os ases vencem aproximadamente 80% das vezes contra qualquer mão).

Contudo, não devemos pensar assim. Primeiro, porque ninguém é tão bom assim, nem mesmo ele. E outra, objetivamente falando, a chance de outro jogador ter AA quando você tem KK é de apenas 4,39%. Existe um ótimo artigo sobre as probabilidades de outro jogador ter um par maior do que o seu, intitulado Multiple Pocket Pairs, de Brian Alspach. O estudo é muito aprofundado e para quem entende de estatística e probabilidade, assim, se preferir ir direto ao ponto, veja a tabela-resumo com os resultados.

Além disso, muitos jogadores dão 3-bets e 4-bets, inclusive all-in, com mãos muito piores, tais como pares de QQ para baixo e até suited connectors. Outra coisa: se você está no início do torneio e tem medo de colocar todo o seu stack pre-flop com KK, pois não quer arriscar sair tão cedo, tem alguma coisa errada aí. Talvez você não esteja num torneio de acordo com o seu bankroll. Se estiver, mete ficha aí e, se der os 4,39%, entre em outro torneio e siga a vida. Ah, lembre-se que o KK tem quase 20% de chance contra o AA, ou seja, você ainda pode dar a famosa bad beat.

Por falar em bankroll, aproveito para lembrá-los da promoção "Quero aumentar o meu bankroll", na qual o Dicas de Poker sorteará $50 dólares a um sortudo seguidor no Twitter. Se você ainda não segue o Dicas de Poker, aproveite a promoção!

Em suma, com AA e KK, raise e reraise até onde conseguir, principalmente se estiver precisando dobrar as fichas. Se não conseguir um all-in, o que é muito e muito provável no início do torneio, siga seu jogo post-flop.

Mas a ideia principal aqui é não largar o KK e muito menos o AA antes do flop, torcendo, inclusive, pelo all-in. Depois do flop, a história é diferente e precisaríamos de um artigo específico sobre isso, com várias possibilidades de flop, posições e oponentes.

Sendo assim, sigo a linha do Robinson "Robigol" Quiroga, citado no livro Aprendendo a Jogar Poker do Leo Bello: "Par de ases? Não largo nem se me derem uma machadada na mão". Claro que eu, particularmente, mudaria a frase para "Par de ases e de reis? Não largo nem se me derem uma machadada na mão".

Bom, pessoal. Espero que tenham curtido o artigo. Para os membros do Clube Dicas de Poker, criarei um tópico sobre o assunto para discutirmos.

Um abraço a todos,

Marcelo (SorrisoRS).




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