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19/10/2014


Diversos pontos de vista é o que faz o poker tão interessante
(por Marcelo Martins)


Olá, meus caros!

Cada vez mais fico impressionado com a versatilidade e as nuanças que o poker pode apresentar. Diversos estilos de jogadores, estratégias e abordagens do jogo.

Recentemente, comecei a me aventurar nos jogos de cash game 6-max, que até então são pura novidade pra mim. Nunca tive muito tempo para jogar e preferia participar de torneios. Quando queria jogar cash esporadimente, recorria aos jogos full ring.

Porém, agora, quero me dedicar a essa nova modalidade e, sempre que possível, trarei jogadas para discussão e escreverei sobre as cabeçadas que darei no caminho, kkk!

Começando agora na Zoom NL10 para pegar a manha do negócio!



Discussão de hoje

Postei minha primeira mão para discussão no Fórum do Clube e, com apenas uma resposta até agora, do nosso amigo Everton "VIVÃO" Silva, já me deu a ideia de escrever este artigo, eis que muito produtiva a sua resposta.

Peço aos membros do Clube que deixam sua resposta lá também para acrescentar seus pontos de vista, pois será muito importante a todos. Acessem o tópico criado aqui: Linha estranha do vilão... sucking out river?

Bem, como dito, trata-se aqui da Zoom NL10 - 6-max, e já coloco aqui o BOOM da mão discutida para adiantar:



Como podem ver, o vilão está no SB com 55 big blinds ($5,52) e eu no BB com 268 big blinds ($26,84). Sem notes do vilão, apenas duas mãos no HUD e sem nada relevante.



Avaliação do vilão e tamanho de raise pré-flop

A mesa roda em fold e o vilão dá seu quase mini-raise para $0,23 e eu com Q J no BB.

Primeira avaliação feita pelo VIVÃO foi de que um raise baixo desses, aliado ao stack quebrado do vilão, indicaria um donkey.

Realmente, pelo pouco que joguei nesse nível e modalidade, venho percebendo que os jogadores que entram com stack incompleto e dão mini-rase pre-flop são mais fracos que os demais. Já tinha lido sobre isso em algum lugar e, pelo menos nesse limite, tenho verificado haver esse correlação.

Contudo, eu mesmo, apesar de entrar full stacked e com auto-rebuy ligado, sempre abro mini-raise pre-flop, kkk. Como já falei anteriormente, venho tentando o small ball (estou fazendo adaptações para o cash game e está dando certo por enquanto; claro que na NL10 não quer dizer muita coisa, mas tá valendo o aprendizado).

O ponto de vista do VIVÃO, que já é um jogador mais experiente nesse Zoom, fez-me entender porque estou lucrando com essa estratégia, pois consigo vários monstros em flops baratos e vejo o adversário, que parece competente, atolar-se e perder um punhado de fichas. Acredito que ele, se for realmente competente, deve interpretar o mini-raise como fraqueza (que realmente é, na maioria dos casos aqui) e quer tentar me fazer foldar à força, que é justamente o que procuramos com o small ball!

A jogada mais ortodoxa pre-flop, como disse o VIVÃO, seria uma 3-bet maior de minha parte, no mínimo 3x, ou até 5x, segundo outros. Porém, quase sempre dou 3-bet de apenas 2,5x, reforçando a ideia anterior de pote pequeno, pois quem dá fold, larga para 4x, 3x e 2,5x e, quando dão call ou 4-bet, eu economizo um pouco. Também fica mais barato dar cbets depois.

Um visão realmente heterodoxa essa que estou utilizando, porém que está servindo pra mim e me sinto confortável jogando dessa maneira. Não sou adepto à teoria convencional, prefiro jogar mais depois do flop e tentar superar o adversário daí pra frente.



Vilão resistindo no flop e no turn

Depois do meu quase mini 3-bet em cima do quase mini-raise do vilão, ele dá call e vemos o flop:


Flop:
($1.40) J 5 3


Check
do vilão, cbet de $0,85 (+ ou - 60% do pote). Pode-se argumentar aqui que a cbet foi "pequena demais", pois há vários draws possíveis, etc. Todo mundo já ouviu isso, não é? Pra mim, sigo a linha anterior, quem dá fold em 80%, também o faz com 60%. Quem está no draw paga 60% e também 80%. Como só tenho top pair com um bom kicker, não vejo porque inflar o pote logo agora (ainda mais que já teve 3-bet antes do flop). "Small hand, small pot" é o lema aqui (há controvérsias).

Call do vilão e temos o turn:


Turn: ($3.10) K


Vilão dá check de novo e eu solto o segundo tiro. Ele dá call novamente.

Eu e VIVÃO concordamos que o vilão poderia muitas vezes estar num draw aí (flush e/ou straight); também é possível um par mais baixo na mão, de TT a 88, que não quer largar (tem muito jogador que gosta disso).

VIVÃO sugeriu um check behind nesse turn, pois como não temos nenhuma informação do vilão, seria razoável controlar o pote agora.

Apostei novamente ali porque acreditei estar na frente mesmo e também porque o K, no meu entender, favorece mais o meu range do que o dele. Das mãos que ele poderia ter, caso ele não esteja com um KX de paus, ou até um QQ da vida que resolveu dar o call pre-flop, ou uma trinca escondida, é difícil dele continuar.

Sobre o controle do pote, eu faço muito isso também, porém, nesse caso específico, resolvi não o fazer. Se eu tivesse a stat no HUD dizendo que ele dá check/call no primeiro tiro e check/fold no segundo com frequência, fica bem fácil (depois que a gente começa a jogar esse Zoom é legal que enche o HUD rápido!).

Como não tinha stat nenhuma, há essa vantagem de apostas menores pre-flop e no flop, qual seja a possibilidade de dar um segundo tiro bem mais barato! Aliando tudo isso, achei melhor o second barrel mesmo. Mas o controle do pote para reavaliar no river é também muito viável, com certeza! Digamos que eu fique dividido 50/50 entre a aposta e o check aí.



Aposta muito estranha no river

Como visto, o vilão dá call de novo e temos o river:


River: ($6.40) 5


Um pote de $6,40 já (ficou até grande demais pro meu gosto e pra minha mãozinha e esse é o risco do segundo tiro), nenhum dos draws bateu e o vilão sai numa donk bet atrasada de apenas $1,75, menos de 1/3 do pote.

O que pode ser isso?

A leitura do VIVÃO foi exatamente a mesma que tive na hora. Ele poderia ter realmente um K fraco (talvez porque tivesse o KX de paus) e quisesse fazer um tipo de blocking bet da vida; poderia ter um A5 que não quis largar e deu pé quente no river; não bateu os seus draws e tentou um blefe muito esquisito; ou, ainda, poderia ter um pocket pair menor que o valete e fez uma aposta totalmente descabida, talvez pensando em bloquear uma aposta maior de minha parte.

No final das contas, essa aposta dele no river me fez repensar a mão, porém cheguei na mesma conclusão de antes: ou ele estava fazendo um slowplay muito slow com um monstro desde sempre (uma trinca de três, por exemplo); ou tinha um KX de paus e resolveu soltar uma block ali pra eu não apostar muito no terceiro tiro; ou tem uma porrada de draws que não bateram e pares baixos (que é a grande maioria das mãos que ele pode ter)!

Por isso, acabei dando o call e, felizmente, estava certo e era um draw bem mais fraco do que o imaginado: 6 4 esperando uma sequência que não bateu, seguido de um blefe tosco.



Conclusão

O mais legal de tudo é poder analisar a mesma mão com muitos pontos de vista diferentes. Como disse no início, enquanto escrevo aqui, apenas o VIVÃO respondeu o tópico que criei e já deu uma bela análise (espero mais respostas para seguir o assunto lá no fórum). Por conta disso, peço novamente aos demais membros que acrescentem suas ideias também.

Acessem o tópico e respondam aqui: Linha estranha do vilão... sucking out river?

Posso dizer que se tivesse uma abordagem mais ortodoxa nessa mão, poderia ter resolvido o problema muito antes, quem sabe um raise mais forte pre-flop já tivesse corrido o vilão da mão. No entanto, gosto do estilo small ball e da possibilidade de jogar poker com o adversário e, preferencialmente, quando ele não é um jogador competente como nosso vilão aí.

É verdade que nessa estratégia ficamos às vezes com decisões difíceis, como essa do river (não que foi "difícil demais" dar o call, mas é uma situação que temos que quebrar um pouquinho a cabeça). Mas gosto disso e espero cada vez mais me tornar um melhor jogador, tentando sempre analisar o adversário e fazer a melhor leitura possível.

Estou adaptando algumas coisas, pois gostei muito das abordagens feitas pelo Daniel Negreanu em se livro Power Hold'em, o qual indico de imediato. Porém, o que ele trata no livro é de torneios e visa à acumulação de fichas sem deixar de observar a sobrevivência. No cash game não temos essa preocupação com a eliminação, sendo necessárias adaptações nesse sentido.

Espero que tenham gostado do artigo. Sigo na luta e dando cabeçadas por aí. Sempre que possível, trarei novas discussões e informarei sobre meu aprendizado e estratégias utilizadas para o nosso jogo favorito (ou esporte favorito, pra quem preferir, kkk).

Um grande abraço e até a próxima,

Marcelo Martins (SorrisoRS).




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