Facebook Popup Widget



   Artigos

 Dicas de Poker no facebook Dicas de Poker no Twitter Clube Dicas de Poker

10/08/2015


Continuation bet para jogadores avançados
(por Andrew Brokos)


A continuation bet evoluiu bastante desde que o livro Harrington no Hold'em – Volume I introduziu o conceito ao público do poker. A ideia geral, como Harrington explicou, era que a maioria das mãos não acertam a maioria dos flops.

Se você não começou com um par na mão, é difícil flopar um, o que significa que mesmo se o flop não te ajudou, provavelmente também não ajudou o seu oponente. Dessa forma, Harrington recomenda que quando você der raise pre-flop com uma mão sem par e não acertar o flop, você deve geralmente blefar de mesmo assim, desde que apenas um oponente tenha visto o flop com você.

Esta é uma "continuação" da ação pre-flop, na qual você já representou força dando raise, ao passo que seu oponente demonstrou fraqueza ao somente dar call.

Isso funciona muito bem quando o seu oponente não entende o conceito, o que era muito comum à época em que foi publicado o livro Harrington no Hold'em. Nos dias atuais, graças, em boa parte, a esse livro, a continuation bet é um conceito amplamente entendido e empregado. Até mesmo jogadores fracos blefam com frequência no flop depois de ter entrado de raise pre-flop; e eles esperam que você esteja fazendo o mesmo.

Isso significa que você deve parar de fazer a continuation bet?

Certamente não! As premissas quem embasaram o argumento original do Harrington não mudaram: a maioria das mãos não acertam a maioria dos flops, e quem deu o raise pre-flop geralmente tem uma mão mais forte do que aquele que deu call.

Como qualquer coisa no poker, você simplesmente precisa entender esse conceito melhor do que os seus oponentes para ganhar dinheiro com isso. Este artigo apresentará alguns pontos que você deve considerar quando tiver que decidir sobre a continuation bet no flop.


Tendências dos oponentes

Este fator supera todos os outros juntos, por isso você deve considerá-lo primeiro. Você pode ter um range forte, boas oportunidades para dar tiros e toneladas de outs, mas se o seu oponente vai all-in sempre que alguém aposta no flop, você não deve tentar blefá-lo.

Igualmente, contra um nit que não dá call sem ter ao menos o top pair, você deve blefá-lo até mesmo quando não tiver nada além do 18º nuts no seu range, sem outs e fora de posição.

Em outras palavras, todas as recomendações aqui estão sujeitas ao seu julgamento e podem até mesmo ser irrelevantes, caso o seu oponente for tão explorável quanto os exemplos acima.

Se você está jogando online e utilizando um HUD, a estatística mais importante para olhar aqui é a Fold to Continuation Bet % de seu oponente. Se o número é alto, você deve blefá-lo com frequência. Se ele é baixo, o blefe ainda pode ser correto.

Você deve olhar em seguida o quanto ele folda para apostas no turn. Se ele raramente folda no flop, mas frequentemente folda no turn, então ele é um bom candidato para um blefe de dois tiros, o que se mostra ainda mais lucrativo que um simples blefe bem sucedido no flop. Falaremos mais sobre blefes de múltiplos tiros daqui a pouco.

É importante perceber que esses números não levam em conta nenhum fator situacional, por isso eles não são um completo substituto de seu julgamento. Só porque o seu oponente foldou 18 das últimas 25 continuation bets, não quer dizer que ele foldará um flop de 9 8 7 depois de ter dado call no seu raise do big blind. Considere as tendências de seus oponentes em primeiro lugar, mas as considere à luz dos outros fatores aqui discutidos.


Textura do board

Quais são os melhores flops para blefar?

A resposta evasiva é que depende das tendências de seus oponentes.

Contra um jogador que pensa no nível um, que foldará se não bater um par ou um bom draw, são os boards mais secos os melhores para blefar. Você pode esperar que esse oponente dê fold quase sempre em um flop 3 3 3.

Um jogador que pensa no nível dois perceberá que esse flop provavelmente não te ajudou em nada também. Ele não vai foldar um Ás e ainda é capaz de te dar um bluff-raise com mãos mais fracas.

Dito isso, se você me forçar a dar uma resposta diferente de "depende", eu diria que o melhor flop para a continuation bet tem uma carta alta e duas cartas baixas, com nenhum flush ou straight draw óbvio.

Um bom exemplo é K 7 2.

Esse é um flop particularmente difícil para o seu oponente ter acertado, pois ele não pode ter um draw e provavelmente não está com mãos que contenham 7 ou 2. Ao mesmo tempo, o K é um motivo para ele temer. Se ele decide, aleatoriamente, arriscar no flop com T9, ele estará quase morto se você possuir a mão que está representando.

Por outro lado, continuation bets tendem a ser menos bem sucedidas em flops muito coordenados. Um board como 8 7 6 dá ao seu oponente muitas formas de ter flopado um par, um flush draw ou um straight draw de duas pontas, e nenhuma dessas mãos foldará diante de uma única aposta.

Devo registrar que jogadores que pensam no nível três podem perceber tudo isso e ajustar os seus ranges de acordo. Em outras palavras, eles provavelmente perceberão que você espera que eles não acertem um flop seco com frequência e, consequentemente, poderão pagar com Ace-High ou tentar aplicar um re-bluff contra você.

Igualmente, eles darão mais respeito a uma continuation bet em um flop coordenado e foldarão mãos como bottom pair sem chance de re-draw, pois assumem que você não os blefará com tanta frequência nesses boards. Poker é um jogo complicado.


Pre-flop Ranges

Poker também é um jogo matemático e a melhor maneira de solucionar aqueles paradoxos "mas e se ele sabe que eu sei que ele sabe que eu sei..." é procurar por alguma base matemática para a sua estratégia.

Nesse caso, se você consegue ter uma boa ideia do calling range de seu oponente pre-flop e se você consegue honestamente identificar o seu próprio range pre-flop, então você consegue determinar qual de vocês foi ajudado por determinado flop.

Suponha que você abriu raise em first position numa mesa com nove jogadores, o oponente logo a sua esquerda dá call e todo o resto folda.

Você sabe que o seu próprio range é top 7% das mãos, o qual é {88+, ATs+, KTs+, AQo+}. Você acredita que o seu oponente pagaria aqui com qualquer par, com a maioria dos suited connectors e com as Broadways mais fortes, e que ele geralmente não aplica re-raise contra um raiser em first position. Dessa forma, você o coloca em algo como {22+, AJs+, KQs, QJs, JTs, T9s, 98s, 87s, 76s, 65s, AKo}.

Usando uma ferramenta como o Poker Stove, podemos avaliar como esses ranges se saem em vários flops. No flop K 7 2 mencionado antes, o seu range é favorito em 58-42 contra o dele. Assim, esse flop é melhor para você do que para o seu oponente e você deve estar inclinado a apostar, independentemente das duas cartas que você tiver na mão nesse momento.

Não importa o quão desconfiado é o seu oponente, há um limite matemático para o que ele pode fazer nesse caso. As únicas opções dele são começar a pagar ou aumentar com mãos mais fracas, o que é benéfico para você, pois o seu range é normalmente mais forte do que o dele; ou ele pode simplesmente desistir com as mãos mais fracas, o que é benéfico para os casos em que você não tem nada.

No flop 8 7 6, entretanto, o range de seu oponente é o favorito em 56-44 contra o seu. Nesse caso, as suas opções são limitadas. Se você apenas aposta cegamente com qualquer coisa, um oponente esperto será capaz de dar call ou raise com frequência suficiente para explorar o seu range fraco. Apostar apenas as suas mãos fortes também é explorável, por isso você deve ser seletivo com seus blefes, levando em consideração alguns dos fatores abaixo.

Há mais uma última questão a considerar: se você for basear a frequência de suas continuation bets pela força de seu range pre-flop, então, em qualquer textura de board no flop, você deve fazer a continuation bet com mais frequência quando estiver em early position na mesa. Já que você está presumivelmente dando raise com um range mais forte no Under-The-Gun do que no Botão, sua equidade no flop será quase sempre maior, sendo aconselhável blefar com mais frequência.


Equidade x Calling Range

Na maioria das situações, contra a maioria dos oponentes, a estratégia correta será apostar algumas, mas não todas as suas mãos feitas e blefar algumas, mas não todas as suas mãos que não bateram.

Decidir sobre quais mãos apostar e quais mãos dar check é o momento em que você está realmente jogando poker.

Mantendo tudo o mais constante, num flop 8 7 6, é melhor fazer uma continuation bet com 3 2 do que com 3 2. A primeira terá geralmente 9 outs para fazer a melhor mão quando levar call, enquanto a última estará drawing dead com frequência.

Contra um oponente que nunca dá raise, se você sabe que quer blefar 60% das vezes que não flopar um par, então você deve simplesmente apostar o top 60% do seu range que não é bom o suficiente para apostar por valor.

Não obstante, a possibilidade de um raise complica as coisas. Quando você tem um bom draw, é melhor tentar evitar um raise que você não possa dar call de maneira lucrativa.

Contra um oponente que dá check se você der check, mas que sempre dá fold ou raise de três vezes quando você aposta, é melhor que você blefe com suas mãos mais fracas e dê check com os draws fortes. Isso porque a sua equidade quando leva call não importa: seu oponente nunca vai dar call, e quando ele aumenta, o tamanho do raise é muito alto para você dar call.

A sua mão importa, porém, quando a ação roda em check no flop. Você tem muito mais a ganhar ao ver a carta do turn se estiver num draw do que quando não estiver. Assim, contra esse oponente, é melhor blefar com mãos que não têm nada para conseguir e pegar uma carta grátis com os draws.

Infelizmente, você nem sempre saberá com tamanha precisão quando o seu oponente dará call ou raise. Geralmente, é melhor ter equidade contra o calling range de seu oponente quando estiver blefando, mas você deve atentar para situações em que você está sujeito a levar raise e adaptar os seus ranges de acordo.


Blefes de múltiplos tiros

Há várias situações em que a vontade de disparar múltiplos tiros pode transformar um blefe no flop não lucrativo em um flop bastante lucrativo.

Você não precisa planejar o blefe para cada carta possível no turn, mas é bom ter uma ideia de quais cartas produzirão oportunidades lucrativas para um segundo tiro.

Normalmente, você procurará por cartas que são assustadoras para o range do seu oponente (ex.: cartas alta, como Ases e Reis, ou cartas que completam draws óbvios) e/ou que melhoram o seu range (ex.: cartas que lhe dão um draw que pode ser completado no river, caso a sua aposta seja paga). Assim, mãos com backdoor draws se tornam boas candidatas para continuation bet no flop, pois elas frequentemente trarão um draw no turn, com o qual você pode dar um segundo tiro.

Perceba que se você planeja blefar mais de 50% dos turns, é bom que sua aposta no flop leve call. Cada vez que o seu oponente paga com uma mão que dará fold no turn, você lucra, até mesmo se essa mão for mais forte que a sua. Nesse caso, é melhor fazer apostas menores nos flops.


Conclusão

Como você pode ver, há muita coisa para pensar. Na verdade, ainda existem mais fatores que podem influenciar sua decisão de aplicar uma continuation bet, mas esses aqui já são mais do que suficientes para te deixar ocupado por enquanto.

Agora que a continuation bet se tornou de conhecimento público, há novas oportunidades de lucro ao compreender essa jogada mais do que os seus oponentes. Eles podem tentar adaptar à sua continuation bet, mas se você adaptar às adaptações deles, você ainda ficará na frente.


Artigo originalmente publicado sob o título Continuation Betting for Advanced Players, no site do ThinkingPoker.net.

Traduzido por Marcelo Martins (SorrisoRS).




Gostou do artigo? Deixe seu comentário e compartilhe com seus amigos.