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16/10/2015


Estratégia inovadora para short stack
(por "theginger45")


A lógica tradicional sobre como jogar poker com um short stack está em constante mudança. Jogadores nos MTTs de hoje estão procurando novas maneiras de aumentar a sua vantagem com short stacks e, enquanto novas ideias entram na abordagem do jogador de torneio regular, contra-adaptações a essas novas estratégias também começam a despontar.

MTTs online, em particular, tornaram-se muito mais complexos que a simples lógica de "abaixo de vinte big blinds é o estágio do push-fold", a qual costumava ser prevalente entre os regulares.

Existem muitas coisas que você pode fazer com um short stack para aumentar a sua vantagem.


Defender o
big blind

Defender o big blind com mais frequência é provavelmente a maior mudança que ocorreu na lógica tradicional do MTT nos últimos tempos. Agora é completamente "normal" para a maioria dos jogadores defender o big blind com um range bem amplo de mãos contra um minraise, especialmente um minraise do botão.

Entretanto, embora muitos jogadores ficam felizes em fazer isso com deep stacks, eles raramente consideram que isso possa ser uma opção com stacks tão pequenos quanto seis ou sete big blinds.

A razão disso é que quanto menor ficar o stack, nossas opções obviamente diminuem. Com stacks de, quem sabe, 10 big blinds ou mais, esperamos ter pelo menos um pouquinho (talvez bastante) fold equity contra os open-raise ranges de vários jogadores.

Podemos até shovar uma mão como Q-T suited por cima de um open-raise com expectativa de alguma fold equity e de uma boa all-in equity, o que se mostra uma oportunidade lucrativa para o reshove.

Mas o que acontece quando estamos mais short stack e não temos fichas suficientes para fazer o agressor foldar?

Nesse caso, o reshove se torna muito menos lucrativo, pois embora ainda tenhamos nossa all-in equity, geralmente é a expectativa da fold equity que faz do reshove uma boa jogada.

Isso significa que deveríamos foldar?

Bem, se você está tendo odds de 4 para 1 ou melhor, o que frequentemente teremos contra um minraise com as antes no jogo, precisamos de apenas 20% de equidade no pote após o flop para sermos lucrativos; assim, talvez não devêssemos foldar.

Uma mão sem par média flopará um par ou melhor aproximadamente 30% das vezes, então, com uma mão que flopa pares e draws fortes, o call com Q-T suited é provavelmente mais lucrativo que o fold, dado que o fold tem EV neutro.

Sobre como jogamos a mão depois do flop quando damos o flat call, é bem direto. Se flopamos um par ou um draw forte, podemos dar uma donkbet-shove (se pensamos que o vilão nos pagará com um par fraco ou com Ace High), ou podemos dar check-shove (se pensamos que o vilão vai dar a c-bet). Se errarmos o flop completamente, é um check-fold fácil.

O bônus adicional aqui é que muitos vilões são menos propensos a dar c-bets como blefe quando você defende um stack pequeno; assim, nas ocasiões em que você errar o flop, você frequentemente verá uma carta no turn de graça.

Perceba que é melhor defender uma mão que faça bons pares, como um J-9 offsuit, do que uma mão que faz flushes e sequências, como um 5-4 suited, pois, dessa maneira, entraremos em menos situações difíceis com bottom pair.


Raise/Fold em situações não convencionais

Não há muito tempo atrás havia a concepção de que você não poderia dar um raise/fold com menos de 20 big blinds. Essa lógica foi, é claro, provada completamente falsa.

Matematicamente falando, o limiar no qual literalmente qualquer mão é +EV para dar call contra os ranges mais tight é de aproximadamente sete ou oito big blinds. Com shoving ranges mais amplos, o raise/fold se torna mais difícil, pois o próprio raise passa com menos frequência e nós recebemos um bom preço para pagar o shove; porém, contra jogadores tight, nós podemos dar raise/fold com stacks bem pequenos.

As situações mais úteis para o raise/fold com short stacks são aquelas em que nós acreditamos que é mais lucrativo do que nossa outra opção, a mais convencional, que é shovar pre-flop.

Em situações nas quais nossa mão é forte o suficiente para pagar quando alguém nos coloca all-in, é muito provável que o all-in shove será mais lucrativo. Não queremos abrir raise com 9-8 suited e induzir um vilão a shovar com, digamos, um range de 20% de mãos, contra o qual teremos equidade suficiente para dar o call, enquanto poderíamos ter shovado all-in e ver ele pagar com apenas o top 15% do range.

A vantagem de ter um range para raise/fold de, digamos, 12bb até 10bb, é que muitos jogadores regulares que estão fazendo mass-tabling e pensando roboticamente irão imediatamente assumir que qualquer raise do short stack que não seja all-in significa uma mão forte tentando induzir ação e acabarão foldando com mais frequência do que foldariam para um shove.

Além disso, se eles são um pouco menos robóticos e não estejam respondendo dessa forma, isso nos dá a chance de balancear dando raise/call com as mãos mais fortes do nosso range e extraindo mais valor quando tivermos um monstro de verdade.


Open-limping

Essa aqui é uma jogada engenhosa para se implementar de forma eficaz. Alguns jogadores de torneio começaram a desenvolver uma estratégia de entrar de limp em late position com mãos que possuem boa jogabilidade no flop em situações nas quais eles esperam que um open-raise levará um shove com frequência.

Isso tende a acontecer com stacks entre 15 e 25 big blinds, pois estes são os tamanhos de stacks mais comuns para reshove. A vantagem da jogada é que ela manda pela janela toda a dinâmica do raise-shove e, já que muitos regulares de MTT ficaram tão acostumados com essa dinâmica ao longo dos anos, tornam quase inúteis as horas que eles perderam praticando esse tipo de situação, forçando-os a pensar em um diferente paradigma.

Quando você entra de limp pre-flop, tem um big blind a menos no pote do que teria se você tivesse entrado de raise. Isso significa que todo o cálculo que o seu oponente possa ter feito em relação à amplitude do reshove range estão agora incorretos.

Alguns jogadores responderão dando shove com ranges mais amplos, outros ficarão desconfiados e darão shove mais tight.

De qualquer forma, você estará colocando bons jogadores fora de suas zonas de conforto e isso é algo que temos que fazer continuamente.

O benefício adicional aqui é que quando os blinds pensarem sobre a jogada correta, nós os presentearemos com uma nova opção, a qual deve reduzir o shoving range deles. No caso do small blind, que antes não consideraria pagar um raise com 15 big blinds para trás, pode agora pensar que completar a aposta com mãos de reshove seja a melhor opção. Similarmente, o big blind agora tem a oportunidade de dar check e ver o flop de graça, assim, ele precisa de um motivo muito bom para colocar mais fichas no pote.

O resultado final aqui é que nós jogaremos um pote em posição com uma mão que flopa bem contra dois ranges bastante amplos.

Compare isso com um simples jogo de raise-reshove que a maioria está acostumada e verá que se torna não só uma situação que a maioria dos regulares não está acostumada a jogar, mas também uma situação muito mais complexa na qual nós estaremos mais aptos a obter uma vantagem sem nos expormos à variância.

Também podemos balancear nosso limping range fazendo isso ocasionalmente com mãos monstro, que sempre estarão disfarçadas nessas circunstâncias.


Nota final

A essência do jogo short stacked é um entendimento sólido do push-fold. Para muitas pessoas, isso é algo em que elas ainda estão trabalhando. Porém, para outros, se você tem um bom entendimento sobre o que é lucrativo e o que não é, há casos em que usar estratégias alternativas podem transformar situações marginalmente lucrativas em situações muito lucrativas, além de diminuir a variância no seu jogo durante o processo. Tente coisas novas, teste suas opções em cada situação e você aprenderá bastante.


Artigo originalmente publicado sob o título Innovative Short Stack Strategy, no site do Tournament Poker Edge.

Traduzido por Marcelo Martins (SorrisoRS).




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